30/10/2026
"Leviticus", de Adrian Chiarella, é muito mais do que um filme de terror. É a história de dois adolescentes que se apaixonam e descobrem que, numa comunidade marcada pelo conservadorismo religioso e pela homofobia, amar alguém do mesmo s**o pode tornar-se motivo de perseguição.
Através do terror sobrenatural, o filme aborda uma realidade profundamente perturbadora: as chamadas terapias de conversão, que procuram alterar, reprimir ou apagar a orientação sexual ou a identidade de género de uma pessoa.
O monstro de "Leviticus" não representa a homossexualidade. Representa a violência do preconceito, da intolerância e da tentativa de convencer alguém de que há algo de errado consigo.
Porque não há.
As práticas de conversão não são tratamentos, não têm fundamento científico e podem provocar graves consequências na saúde mental. Vergonha, culpa, ansiedade, depressão e rejeição de si próprio são algumas delas.
Quando alguém cresce a ouvir que aquilo que sente é errado, o preconceito exterior pode transformar-se em homofobia internalizada, condicionando a autoestima, as relações afetivas e a liberdade de viver plenamente.
Importa lembrar: não é a orientação sexual ou a identidade de género que causa sofrimento psicológico. São a discriminação, a rejeição, a violência e a ausência de espaços seguros de acolhimento.
Em Portugal, estas práticas são proibidas pela Lei n.º 15/2024, de 29 de janeiro. Mas a lei, por si só, não faz desaparecer o preconceito.
O amor não é uma doença. A diversidade não precisa de cura. O preconceito, esse sim, precisa de ser combatido.
🏳️🌈 Que "Leviticus" nos lembre que o verdadeiro horror nunca esteve no amor entre duas pessoas, mas na violência de quem lhes nega o direito de amar.
🎬 Nos cinemas a 5 de Novembro