Em 1970, a SEDES surgiu num período de rápidas mudanças económicas, que coexistiam com graves desequilíbrios sócio-económicos e bloqueamentos políticos estruturais. Nos anos 60 e até 1973 teve lugar, provavelmente, o mais rápido período de crescimento económico da nossa História, traduzido na industrialização, na expansão do turismo, no comércio com a EFTA, no desenvolvimento dos sectores financeiros, investimento estrangeiro e grandes projectos de infra-estruturas. Em consequência, os indicadores de rendimentos e consumo acompanham essa evolução, reforçados ainda pelas remessas de emigrantes. Por outro lado, avolumaram-se sintomas de mal estar, em consequência dos graves desequilíbrios sociais que não deixaram de se acentuar por falta de respostas coerentes e à medida das mudanças em curso. Os desequilíbrios regionais, a construção clandestina nas áreas suburbanas, o desmantelamento da agricultura tradicional, os estragulamentos nos sistemas de saúde e educação e a emigração de uma grande parte população activa. Permaneciam ao mesmo tempo estrangulamentos nos campos da participação política, dos direitos e liberdades individuais no mundo laboral e os entraves ao direito de informação e associação. Tornava-se evidente a aproximação aos sistemas democráticos e a incapacidade de pôr termo às situações de guerra nas colónias e a evolução das relações com as mesmas. O projecto SEDES, traduziu assim, uma reflexão e um diagnóstico representativo do sentir de amplas camadas da população portuguesa, ao diagnosticar que a resolução dos problemas políticos e dos desequilíbrios sociais não se poderiam encontrar fora de um projecto de liberalização cultural e política, capaz de pôr termo ao imobilismo e aos bloqueamentos cada vez mais anacrónicos face ao ritmo das transformações económicas e ao prolongamento da guerra. O projecto SEDES, consubstanciado numa proposta de democratização política, de liberalização dos mecanismos de informação e de associação, permitiria que as diversas forças sociais formulassem e construíssem as soluções para um desenvolvimento consistente político e socialmente mais justo. SEDES, 50 anos a pensar Portugal ao centro.