19/08/2026
COMUNICADO
Não há Liberdade sem Igualdade
Não há Igualdade sem Feminismos
A UMAR respeita o direito de todas as pessoas à liberdade de expressão e associação.
Mas a democracia também exige que enfrentemos politicamente os discursos que ameaçam a Igualdade. Por conhecermos a história dos feminismos, ou seja, da luta das mulheres pelos seus direitos, a UMAR considera perigosa a tentativa de normalizar e romantizar modelos sociais assentes nas desigualdades, na injustiça e na replicação de papéis atribuídos por décadas às mulheres para a manutenção e fortalecimento do patriarcado.
Durante décadas, as mulheres portuguesas viveram sob um regime que lhes negava autonomia, cidadania plena e igualdade. Antes de 25 de Abril de 1974, as desigualdades estavam inscritas na lei e na organização social: as mulheres tinham a sua autonomia profissional, familiar e económica condicionada e eram remetidas para uma posição de subalternidade. O Estado Novo promoveu um modelo de família em que ao homem era atribuído o papel de autoridade e às mulheres o de esposas, mães e cuidadoras. Tão somente isso.
A UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, que em 2026 celebra 50 anos de luta feminista, de resistência e de construção de uma sociedade mais justa e igualitária, alerta e manifesta o seu profundo repúdio pela criação e pela agenda política do Movimento Mulheres Conservadora em Portugal, que sob a aparência de defesa da família, da vida ou de valores tradicionais, ameaça desvalorizar décadas de conquistas dos direitos das mulheres e dos direitos humanos.
A criação deste movimento em Portugal não é um facto politicamente neutro. Surge num contexto em que se multiplicam, no espaço público e nas redes sociais, discursos que procuram apresentar o feminismo como uma ameaça, a igualdade de género como uma ideologia nociva e os direitos se***is e reprodutivos das mulheres como matérias sujeitas à tutela moral, religiosa ou política.
O seu recente aparecimento público contou com a participação de figuras políticas com referências a agendas conservadoras transnacionais,
incluindo a defesa de posições contrárias ao direito das mulheres à autodeterminação reprodutiva e à sua participação no sufrágio universal.
É preciso reconhecer que aquilo que está em causa: não é apenas uma divergência de opinião. É uma disputa sobre o próprio significado da liberdade e da igualdade.
A liberdade de uma mulher não pode depender de ser considerada uma “boa mulher”, uma “boa mãe”, uma “mulher de família” ou uma mulher que corresponda a determinado padrão moral. Uma mulher é livre porque é pessoa e cidadã, titular de direitos, capaz de decidir sobre a sua vida, o seu corpo, a sua sexualidade, a sua maternidade, o seu trabalho e o seu futuro.
Os direitos das mulheres são direitos humanos e são inegociáveis!
50 anos de UMAR: Unidas e Insubmissas
Em 2026, a UMAR celebra 50 anos.
Nascemos a 12 de setembro de 1976, no contexto da Revolução de Abril, das lutas concretas das mulheres: pelo direito à habitação, por creches, pelo emprego, por salários justos, pela alfabetização, pela dignidade e pela participação social e política. Desde então, estivemos presentes nas lutas contra todas as formas de discriminação e violência contra as mulheres. Lutámos e lutamos pela autodeterminação, pelos direitos se***is e reprodutivos, pela igualdade no trabalho, pelo direito a uma vida livre de violência, pela participação política das mulheres e pela transformação das relações sociais que continuam a reproduzir o patriarcado.
A UMAR não reivindica para si a história das conquistas das mulheres. A UMAR é parte dessa história. Uma história construída por muitas mulheres, por diferentes gerações e por diferentes correntes feministas.
O problema nunca foi o feminismo. Não há igualdade sem feminismo!
Não há feminismo sem feministas dispostas a perceber que a interseccionalidade nos une e não nos separa.
Não aceitamos que o feminismo seja tratado como inimigo, por mulheres que só podem exercer hoje, a liberdade política, profissional, económica e social, porque outras mulheres lutaram por esses direitos.
A emergência de movimentos conservadores que procuram disputar o próprio significado da emancipação feminina deve ser encarada com seriedade. A história demonstra que os direitos podem avançar, mas também podem sofrer retrocessos. E sabemos que em tempos difíceis os direitos das mulheres são sempre questionados e violados. A UMAR tem alertado para o crescimento de discursos machistas e de ódio e para a ameaça que visões retrógradas e discriminatórias representam para direitos construídos ao longo de décadas.
E reafirmamos que os direitos conquistados pelas mulheres não são negociáveis.
Em 2026, aos 50 anos, continuamos Unidas e Insubmissas e iremos sempre contestar aquilo que viola qualquer direito nosso.
Porque sabemos de onde viemos.
Porque sabemos o que custou conquistar a liberdade.
Porque sabemos que nenhum direito é definitivamente adquirido.
E porque sabemos também que, perante qualquer tentativa de retrocesso, haverá sempre mulheres dispostas a levantar a voz, ocupar as ruas, construir solidariedade e defender a liberdade.
A UMAR continuará a estar desse lado: do lado das mulheres, dos direitos humanos, da democracia, da igualdade e da liberdade.
UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta
50 anos - Unidas e Insubmissas
18 de agosto de 2026