19/05/2026
A APCOR QUER MISÉRIA. NÓS QUEREMOS DIGNIDADE!
A segunda reunião do CCT deixou tudo a mais claro: a APCOR não quer negociar, não quer valorizar, não quer respeitar os trabalhadores. Depois de chegar à primeira reunião de mãos vazias, agora aparece com 2,8%, um valor miserável que não repõe perdas, não acompanha a inflação real e o aumento do custo de vida e empurra ainda mais as tabelas para o Salário Mínimo Nacional.
E isto num sector onde:
• A produtividade cresceu mais de 20% em 10 anos,
• As exportações bateram recordes,
• As margens continuam elevadas,
• Os salários representam apenas 20% dos custos.
Perante estes factos, a proposta da APCOR não é “responsável”. É uma provocação. É um insulto. É uma tentativa descarada de manter o trabalho fabril no fundo da escala salarial.
A discriminação entre administrativos e fabris continua porque a APCOR não quer pagar diuturnidades a quem está no chão de fábrica. O trabalho por turnos continua desvalorizado porque a APCOR não quer reconhecer o desgaste real. A estrutura salarial continua desactualizada porque a APCOR não quer investir em quem produz a riqueza.
E depois admiram se que faltem trabalhadores. Faltam porque pagam mal. Faltam porque não respeitam. Faltam porque tratam o trabalho fabril como descartável.
A APROXIMAÇÃO AO SALÁRIO MÍNIMO É UMA ESCOLHA PATRONAL
Os sindicatos alertaram novamente para a aproximação das tabelas ao Salário Mínimo Nacional. Com a proposta da APCOR, que representa 28,36€ no nível XIV, a diferença para o SMN (previsto) em 2027 seria de apenas 71,36€.
Isto significa que o trabalho fabril especializado está a ser empurrado para o patamar mais baixo da escala salarial nacional. A APCOR sabe disto. A APCOR reconhece isto.
E mesmo assim mantém a sua proposta mínima.
OS SINDICATOS NÃO RECUAM - E NÃO VÃO RECUAR
A FEVICCOM reafirmou propostas sérias, justas e possíveis:
• Aumento de 80€,
• Diuturnidades iguais às dos administrativos,
• 25 dias de férias,
• Majoração dos turnos,
• Subsídio de alimentação de 8€,
• Valorização real do trabalho fabril.
A APCOR tentou pressionar para recuos. Não conseguiu. Não vai conseguir.
Porque o sector tem margem e os trabalhadores têm razão!!
MAS O ATAQUE NÃO VEM SÓ DA APCOR - VEM TAMBÉM DO GOVERNO
Enquanto a APCOR tenta congelar salários, o Governo avança com um pacote laboral profundamente anti trabalhadores, feito à medida dos interesses patronais. Este pacote laboral:
• Facilita despedimentos, tornando mais fácil substituir trabalhadores experientes por mão de obra mais barata.
• Aumenta a precariedade, abrindo portas a vínculos mais frágeis e instáveis.
• Enfraquece a contratação colectiva, retirando força aos CCT e às negociações sectoriais.
• Reduz a intervenção sindical, limitando direitos, acesso e capacidade de defesa dos trabalhadores.
• Desprotege o trabalho por turnos, ignorando o desgaste físico e social que ele implica.
• Aumenta o poder patronal, permitindo que empresas imponham condições mais duras com menos escrutínio.
Este pacote laboral é uma peça central de uma estratégia mais ampla: baixar salários, fragilizar direitos, enfraquecer sindicatos e tornar os trabalhadores mais vulneráveis.
É exactamente a mesma lógica que vemos na mesa da negociação.
A LUTA É AGORA — E TEM DE SER NAS FÁBRICAS
É assim desde sempre. E é isso que vai voltar a acontecer.
As negociações retomam na primeira quinzena de Junho.
Até lá, cada trabalhador tem um papel decisivo. A força negocial constrói se nas fábricas, no turno, no plenário, na unidade e na disponibilidade para lutar.
Por isso, nos próximos dias, todos os trabalhadores corticeiros são chamados a participar activamente na mobilização nacional.
A LUTA CONTRA O PACOTE LABORAL É A LUTA PELO CCT
O que está em causa não é apenas um aumento salarial.
É o modelo de relações laborais que queremos no sector da cortiça e no país.
A APCOR quer trabalhadores baratos. O Governo quer trabalhadores frágeis.
E ambos contam que os trabalhadores fiquem calados.
Mas os trabalhadores corticeiros têm história, têm força e têm consciência.
E sabem que cada direito conquistado foi arrancado com luta.
A Greve Geral de 3 de Junho é um momento central desta luta, porque enfrenta a desvalorização salarial e o pacote laboral que retira direitos.
E A APCOR SÓ AVANÇA QUANDO OS TRABALHADORES SE LEVANTAM
NO DIA 3 DE JUNHO, MOSTRAMOS QUE OS TRABALHADORES CORTICEIROS
NÃO ACEITAM MIGALHAS!! EXIGEM RESPEITO, SALÁRIO E FUTURO!!
A MOBILIZAÇÃO É AGORA. A FORÇA É NOSSA!!