23/09/2026
"Quase não é necessário recordar ao leitor que as expressões Pensamento Divino e Mente Universal não devem ser interpretadas, nem por analogia, como um processo intelectual semelhante ao que se manifesta no homem. O "Inconsciente", segundo Von Hartmann, chegou ao vasto plano da criação, ou melhor, da evolução," por meio de uma sabedoria clarividente superior a toda consciência", o que, na linguagem vedantina, significa Sabedoria Absoluta. Só aquele que compreende o quanto a intuição paira muito acima dos lentos processos do raciocínio pode formar uma conceção, ainda vaga, daquela Sabedoria absoluta que transcende as ideias de Tempo e Espaço. A mente, tal qual a conhecemos, se resolve numa série de estados de consciência, cuja duração, intensidade, complexidade e demais atributos são variáveis, baseando-se todos, em última análise, na sensação, que é sempre Maya. A sensação, aliás, implica necessariamente limitação. O Deus pessoal do Teísmo ortodoxo percebe, pensa e sente emoções; arrepende-se e deixa-se tomar de "grande ira". Mas a noção desses estados mentais leva claramente consigo o indispensável postulado da exterioridade dos estímulos excitantes, por nada dizer, da impossibilidade de atribuir carácter imutável a um ser cujas emoções flutuam ao sabor dos acontecimentos que se passam no mundo ao qual preside. O conceito de um Deus pessoal como imutável e infinito é, portanto, antipsicológico e, o que é pior, antifilosófico…"
H. P. Blavatsky, “A Doutrina Secreta”, editora Pensamento, Vol. I, SP, 1995, p.71