28/05/2026
📌Saúde da mulher: CGTP acusa Governo de desmantelamento
A Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP critica duramente a ação do Executivo na área da gravidez e maternidade, apontando o encerramento de maternidades e urgências como um “desmantelamento” que penaliza sobretudo as mulheres, a poucos dias da data dedicada à saúde feminina.
Instituído ainda nos anos 80 do século passado, o Dia Internacional pela Saúde da Mulher assinala-se na próxima quinta-feira e serve, todos os anos, para lembrar à sociedade a importância dos direitos se***is e reprodutivos, bem como a prevenção de patologias como o cancro da mama, o cancro do colo do útero e as doenças crónicas. A efeméride, que já leva quase quatro décadas, costuma passar despercebida para muitos, mas não para a CIMH da CGTP, que aproveitou a proximidade da data para soltar o verbo.
Em comunicado enviado às redações esta segunda-feira, a comissão começa por sublinhar que o dia 28 de maio constitui “um lembrete anual para que os governos garantam que as mulheres tenham acesso pleno e seguro aos cuidados de saúde necessários”. Só que, logo a seguir, o tom muda. E o tal lembrete, escrevem, torna-se “muito oportuno” face ao que descrevem como “a política de saúde desastrosa que está a ser seguida pelo Governo, em particular em relação à gravidez, às urgências e ao ataque global e deliberado ao Serviço Nacional de Saúde”.
A CIMH faz questão de frisar que o SNS não é uma mera “estrutura administrativa” — antes “um direito essencial consagrado na Constituição da República Portuguesa” — e que é ali, nesse serviço público, que “a maternidade tem de ser protegida, onde a doença encontra cuidado [e] onde se recusa transformar a saúde em negócio”. E é neste ponto que o texto do comunicado se torna mais incisivo, quase poético, com uma passagem que foge ao jargão sindical habitual: “Fechar uma maternidade não é desligar uma luz — é apagar um começo. Encerrar uma urgência não é reorganizar recursos — é transformar quilómetros em perigo, espera em angústia, distância em risco. E quem carrega esse peso? As mulheres. Sempre as mulheres.”
Quem leu o documento percebe que a CGTP não compra a narrativa oficial. Recusa liminarmente os argumentos de que o encerramento de maternidades decorre de uma “reorganização”, “racionalização” ou “inevitabilidade”. Pelo contrário, a estrutura sindical classifica o processo como “desmantelamento”, sem meias palavras. E acrescenta, num tom que oscila entre a denúncia política e o apelo emocional: “A saúde das mulheres não cabe em cortes, mapas ou desculpas técnicas. Cabe em cuidados próximos, em equipas completas, em portas abertas quando a vida chama. A saúde das mulheres exige proximidade. Não aceitamos um país onde nascer depende do código postal.”
A CIMH lembra ainda que, apesar de as mulheres portuguesas viverem mais anos do que os homens, enfrentam uma maior carga de doenças crónicas — uma contradição que deveria merecer mais atenção por parte de quem governa. “Um país que falha às mulheres e às crianças falha ao seu futuro”, sentencia o comunicado, que termina com um caderno de exigências: “investimento público e profissionais valorizados”, “respeito por quem cuida e por quem precisa de ser cuidada” e “serviços públicos à altura de quem neles confia para viver”. No fundo, remata a comissão, “defender a saúde das mulheres é defender o Serviço Nacional de Saúde” com “tudo o que ele deve ser: público, universal, acessível, humano”.
NR/HN/Lusa
25.05.2026