25/08/2026
E o Bairro Alto...
Nuno Krus Abecassis, tem uma relação importante entre o seu mandato na Câmara de Lisboa e as condições de acesso à Rua do Carmo durante o incêndio do Chiado, em 25 de agosto de 1988.
A Rua do Carmo tinha sido transformada em zona pedonal durante o mandato de Krus Abecassis.
Foram instalados grandes canteiros/floreiras de betão, com flores e bancos, que ocupavam parte da faixa de circulação.
Quando os bombeiros chegaram, esses obstáculos dificultaram a entrada e a manobra dos veículos de socorro, incluindo autotanques e escadas Magirus.
A própria RTP conserva imagens e declarações da época em que o comandante dos Sapadores Bombeiros explica as dificuldades provocadas pelo planeamento urbanístico da Rua do Carmo.
O incêndio acabou por destruir 18 edifícios, provocar duas mortes e deixar uma enorme área do Chiado devastada.
Há, portanto, uma lição particularmente atual: o mobiliário urbano e a colocação de floreiras, pilaretes, barreiras ou outros obstáculos nunca podem comprometer os corredores de emergência. A segurança e o acesso dos bombeiros têm de prevalecer sobre qualquer opção estética ou de ordenamento do espaço público.
No Bairro Alto, qualquer intervenção deve ser pensada também em função de:
🚒 acesso permanente dos bombeiros e ambulâncias;
🚧 localização de pilaretes, floreiras, bancos e outros obstáculos;
🚪 acessibilidade às entradas dos edifícios;
🚑 corredores de emergência devidamente dimensionados;
🗑️ localização e recolha dos resíduos sem bloquear as ruas;
🌙 segurança durante a noite, quando a pressão sobre o espaço público é maior;
🏘️ compatibilização entre moradores, comércio, restauração, turismo e espaço público.
A grande lição é simples: uma decisão urbanística aparentemente pequena pode ter consequências enormes numa situação de emergência.
No Bairro Alto, antes de colocar mais barreiras ou mobiliário urbano, deveria existir uma avaliação conjunta da Câmara Municipal, Bombeiros, PSP, Junta de Freguesia e moradores.