03/06/2026
Patente na sede da AJA, em Lisboa, até ao 𝐟𝐢𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐞 𝐣𝐮𝐧𝐡𝐨, esta 𝐞𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢𝐜̧𝐚̃𝐨 contempla duas vertentes:
Inicialmente, 𝟏𝟎 𝐜𝐚𝐫𝐭𝐚𝐳𝐞𝐬 sobre o tema “𝐅𝐥𝐚𝐠𝐞𝐥𝐨 – 𝐕𝐢𝐨𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐃𝐨𝐦𝐞́𝐬𝐭𝐢𝐜𝐚”. Mais tarde, em contraponto, a autora, 𝐅𝐞𝐫𝐧𝐚𝐧𝐝𝐚 𝐃𝐮𝐫𝐚̃𝐨, decidiu acrescentar outros 𝟗, desta vez sob o tema “𝐁𝐥𝐚𝐜𝐤 𝐁𝐞𝐚𝐮𝐭𝐢𝐞𝐬 𝐌𝐚𝐭𝐭𝐞𝐫” (“A Beleza Negra Importa”).
Opondo-se, complementam-se: de um lado, a violência; do outro, a beleza de uma condição duplamente discriminada: ser mulher e ser negra. E é a imagem desta beleza, vitória possível sobre a violência, que paira nos nossos horizontes.
𝐅𝐥𝐚𝐠𝐞𝐥𝐨 – 𝐕𝐢𝐨𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐃𝐨𝐦𝐞́𝐬𝐭𝐢𝐜𝐚
A imagem do cartaz que abre a exposição figura um caminho largo que se estreita à medida que avança e leva às montanhas/dunas. É o símbolo/réplica frequente do percurso amoroso do casal, onde às carícias se sucedem as agressões. E os dilaceramentos.
Psicológicos, de um lado e de outro, muitas vezes. Físicos, na grande maioria, e com gravidade, tendo como alvo as mulheres.
As restantes pinturas dão-nos conta de corpos devassados e castigados.
A bota. O automóvel. Instrumentos de prepotência sobre o corpo da mulher. Território seu. Pensam. Propriedade sua, que foi durante séculos. E continua.
Linguagem de que se servem para impor a sua vontade e contrariar os direitos e o desejo das mulheres.
Esta pintura é a expressão dessa denúncia e da recusa da sua “naturalidade”.
Juntamo-nos a ela nessa luta contra um patriarcado que é tóxico.
Fernanda Durão, jornalista e designer, inspirou-se em notícias publicadas na imprensa diária e em algumas imagens de pintores de figuras femininas.
Técnica mista em cartolina A3.
𝐁𝐥𝐚𝐜𝐤 𝐁𝐞𝐚𝐮𝐭𝐢𝐞𝐬 𝐌𝐚𝐭𝐭𝐞𝐫
E se pintores como Leonardo da Vinci, Sandro Botticelli, Vermeer, Gustav Klimt, Van Gogh, Gauguin e outros tivessem escolhido raparigas negras como modelos?
Este é o desafio que a autora nos faz. E temos imagens de mulheres negras de referência, entre elas, Marielle Franco, ativista política brasileira que foi assassinada durante o governo de Bolsonaro. E outras.
No final, a autora acrescenta um último cartaz à exposição: Blimunda, a figura feminina da obra de Saramago, “Memorial do Convento”, chamando a atenção para um autor que o atual governo acha descartável.
Ainda a resistir.
Venham ver a obra de 𝐅𝐞𝐫𝐧𝐚𝐧𝐝𝐚 𝐃𝐮𝐫𝐚̃𝐨, que nos acompanhará numa sessão especial que vamos fazer acontecer no dia 𝟐𝟓 𝐝𝐞 𝐣𝐮𝐧𝐡𝐨.
Amélia Resende
3 de junho de 2026