12/08/2026
O presidente da ALEP - Associação do Alojamento Local em Portugal, Eduardo Miranda, comenta ao Expresso, a situação atual do setor: reservas cada vez mais feitas em cima da hora, quebra nas dormidas de grupos e famílias, e preços a descer 4% a 5% no Algarve.
Segundo o presidente da ALEP, a guerra e o aumento dos custos de viagem estão a pesar na decisão das famílias viajarem.
Acrescenta ainda que o arrefecimento de reservas sentido em cidades como Lisboa e Porto “não é uniforme, e com a diferença de ser preciso distinguir entre o bolo todo, que até pode aumentar, da perspetiva dos operadores”.
“A situação varia muito, e se o desempenho é mais fraco nas cidades, nas suas regiões envolventes as reservas até estão a aumentar, como é o caso do Douro em relação ao Porto”, realça.
Também no Algarve as reservas em alojamento local evidenciam variações, “em zonas como Tavira e Lagos há bons sinais, mas não tanto em Albufeira em alguns segmentos”, exemplif**a.
“A informação geral que temos de momento é que o ano vai ter segmentos de alojamento local que podem ter algum crescimento, mas também outros com quebra. Há muitas incertezas económicas, não são tempos de ‘boom’, e não podemos falar de um desempenho uniforme entre os operadores ou por regiões”, adianta Eduardo Miranda.
O alojamento local com mais de dez camas registou em Portugal 1,187 milhões de dormidas em junho, segundo os últimos dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Para a ALEP, estes dados representam pouco, apenas cerca de 15% do mercado, pois o sector a nível nacional, na esmagadora maioria, tem menos de dez camas.
“O alojamento local está praticamente fora das estatísticas do INE, numa proporção que atinge quase 80%, o que signif**a que há mais de 30 milhões de dormidas em alojamento local que não estão a ser contabilizadas”, salienta Eduardo Miranda, destacando os dados publicados pelo Eurostat, que considera serem “mais fiáveis”, com base em noites reservadas através das principais plataformas. “Há muito tempo que se fala de o INE passar a contabilizar alojamentos com menos de dez camas, o que nunca mais acontece”.
Ainda sem dados consolidados, o presidente da ALEP considera que “é irrealista esperar este ano aumentos de dois dígitos no alojamento local, não era saudável e nem conseguiríamos atingir este resultado com as limitações do aeroporto”. Mas salienta que, apesar do ambiente de incerteza no sector e a sensação de um “agosto mais fraco que no ano passado”, o fenómeno de reservas de última hora pode ser favorável, e “até ao último minuto ainda há jogo. Para já, não há motivos para alarme nem para euforias”.
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