22/08/2026
“Bem vindos ao albergue de caminha! Sentem se e sirvam se do que desejarem.”
Foi esse o espírito com que fomos, embora não sendo peregrinas, recebidas pelo Ulisses e pela Verena. E que duas personagens importantes para a nossa aventura! Desde logo se mostraram atenciosos, dispostos e mais importante que tudo, com um enorme sorriso no rosto.
Foi por estes ideais que o nosso serviço se guiou.
Ao longo destes dias, fomos percebendo que o Caminho é muito mais do que quilómetros e etapas. É feito de pessoas, de histórias e, acima de tudo, de entreajuda.
Tivemos a oportunidade de conhecer uma família portuguesa, também ela escuteira, que viajava com duas crianças. Partilharam connosco a sua experiência, as suas histórias e até alguns conselhos sobre os caminhos que nos esperavam. Foi um daqueles encontros que nos fez sentir que, mesmo estando longe de casa, estávamos entre pessoas que partilhavam connosco os mesmos valores.
Outro dos aspetos que mais nos marcou foi perceber como a dificuldade linguística, em vez de afastar as pessoas, muitas vezes as aproximava. Quando as palavras não chegavam, apareciam os gestos, os sorrisos e a vontade de ajudar. Sem olhar a meios, nacionalidades ou porquês, as pessoas encontravam sempre uma forma de se ajudar.
Conhecemos, também, um senhor americano, de 78 anos, que fazia o Caminho sozinho. Mal sabia mexer no telemóvel e, de alguma forma, acabou por chegar até nós. Entre tentativas de comunicação, gestos e alguma confusão, conseguimos ajudá-lo. E talvez tenha sido precisamente essa dificuldade que tornou o momento tão especial.
Foi nestes pequenos momentos que percebemos o verdadeiro impacto do nosso serviço. Cortar uma melancia, encher copos com água, fazer panquecas, deixar uma mensagem de “bom dia” ou simplesmente oferecer um sorriso podia parecer-nos pouco. Mas, para quem chegava depois de vários quilómetros, cansado e longe de casa, esses pequenos gestos eram suficientes para colocar um sorriso no rosto.
Até um simples sorriso embaraçado, quando não nos estávamos a conseguir entender, acabava por ser uma forma de comunicação.