18/03/2026
"Die Walküre" (A Valquíria) de Richard Wagner: Um Hino de Amor e Primavera
Do meu ponto de vista, na ópera A Valquíria encarna-se a celebração da primavera que desperta no coração da humanidade, trazendo consigo amor e libertação do inverno do sofrimento provocado pela ignorância. Com a permissão do maestro Richard Wagner, partilho convosco, a partir da minha humilde interpretação, a beleza do libreto de A Valquíria, convidando-vos a sentir a chegada da primavera no vosso interior.
No primeiro ato de A Valquíria ouvimos a célebre frase: “Tu és a primavera que tanto ansiei” (Du bist der Lenz, nach dem ich verlangte). Sieglinde e Siegmund, irmãos gémeos e filhos de Wotan, proferem estas palavras ao encontrarem-se e descobrirem o seu amor. Ao compararem a sua união com a primavera, evocam o símbolo eterno do renascimento, recordando-nos de que a beleza de um novo florescer também pode surgir no coração humano.
Assim, a primavera não é apenas uma estação da natureza, mas também uma metáfora do espírito: a lembrança de que, mesmo após o inverno interior, o ser humano pode voltar a florescer.
Sieglinde
“Tu és a Primavera que tanto ansiei durante o frio inverno. O meu coração saudou-te com terror sagrado quando, pela primeira vez, o teu olhar me fez florescer.”
Siegmund
“Sob a luz da lua primaveril, brilhantemente resplandeces coroada nobremente com os caracóis do teu cabelo: aquilo que com encantos me prendeu posso adivinhar com facilidade.”
Sieglinde
“Quem saiu? Quem entrou?”
Siegmund
“Ninguém saiu, mas alguém entrou: olha, a primavera sorri para o quarto; as tormentas do inverno desapareceram perante o mês de maio. Com luz ténue brilha a primavera, sobre brisas fragrantes, suave, encantadora e prodigiosa flutua. Através de bosques e prados deixa escapar o seu alento, os seus grandes olhos sorriem. A adorável canção dos pássaros docemente proclama a sua chegada; a sua presença emana aromas ditosos; do seu sangue quente brotam flores maravilhosas; gomos e botões crescem da sua força; com um exército de encanto delicado conquista o mundo; o inverno e as tormentas desvanecem-se perante as suas fortes defesas, e perante os seus duros golpes cedem também as robustas portas que, fortes e obstinadas, nos separavam da primavera. O amor atraiu a primavera. Nos nossos corações jaz profundamente escondido, mas agora alegremente sorri à luz. Amor e Primavera unem-se.”
Em A Valquíria, a primavera não é apenas uma estação: é uma transformação interior. Luz, flores e cantos de pássaros anunciam a abertura do coração ao amor, à alegria e à renovação.
A primavera é a alegria da ressurreição após a morte do inverno. É a borboleta que se liberta da sua rude e primitiva condição de lagarta.
Celebremos a primavera: que ressoe na íntima catedral do teu coração.
Desde Istambul, Turquia — na primavera de 2026 Juan Ruiz Naupari