A.P.E.C.E.

A.P.E.C.E. A Associação Portuguesa para o Estudo e Conservação de Elasmobrânquios é uma organização sem fins luc

O PÂNICO… O DRAMA… O HORROR…Por muito que a ciência evolua, por muitos documentários que sejam transmitidos nos canais p...
24/05/2026

O PÂNICO… O DRAMA… O HORROR…

Por muito que a ciência evolua, por muitos documentários que sejam transmitidos nos canais principais, por muitas notícias que surjam do mesmo género recebendo o comentário de especialistas, não há meio de se assumir, de uma vez por todas, que as nossas águas não são só Sardinha e Carapau…!!!!

Estas notícias acabam sempre por parecerem “déjà-vus”, pois são dadas repetidamente da mesma forma, com sensacionalismo, com o mesmo tipo de linguagem a apelar a um dos sentimentos mais primitivos e instintivos do ser humano – o medo!

Vamos lá ver se nos entendemos definitivamente:

AS ÁGUAS NACIONAIS TÊM TUBARÕES, SEMPRE TIVERAM E, SE NÃO OS MATAREM A TODOS, SEMPRE TERÃO!

Temos tubarões tanto na costa continental, de norte a sul, como nas regiões autónomas, e bastantes! Não tem de ser motivo de alarmismo sempre que algum se aproxima das praias que gostamos de frequentar, pois o mar que banha essas mesmas praias é, caso não se recordem, o seu habitat natural, é lá que eles vivem! Se, em vez de tubarões, fossem avistados no mar elefantes ou girafas é que seria esquisito…!!!!

Existem essencialmente dois tipos de tubarões nas águas nacionais, os pelágicos – que vivem no mar alto, realizando migrações pela coluna de água –, e os de profundidade – que vivem no fundo do mar muitos metros abaixo da superfície.

A espécie que hoje causou o pânico no Algarve, o Tubarão-azul ou Tintureira, é a espécie mais abundante e já publicámos um artigo especificamente sobre ela. Raramente é avistada perto da costa e, quando tal acontece, é geralmente porque esses indivíduos perseguiam presas que se dirigiram para os baixios, NÃO É PARA ALMOÇAREM CRIANCINHAS…!!!!

É fundamental que haja cada vez mais acções de esclarecimento e sensibilização sobre os Tubarões, principalmente junto das escolas, para que, de uma vez por todas, se eduque o público no sentido de parar com este sensacionalismo habitualmente negativo para estes predadores de topo que existem desde antes dos Dinossauros.

TUBARÕES-BRANCOS PODERÃO MIGRAR PARA OS PÓLOSQuem o diz é um colectivo de investigadores onde se incluem três cientistas...
10/05/2026

TUBARÕES-BRANCOS PODERÃO MIGRAR PARA OS PÓLOS

Quem o diz é um colectivo de investigadores onde se incluem três cientistas portugueses da Universidade do Porto que recentemente publicou na revista "Science" uma estudo que teve como finalidade provar como o sobreaquecimento dos oceanos está a impactar os Tubarões-brancos.

Os Tubarões-brancos (Carcharodon carcharias) são dos poucos peixes que conseguem manter a sua temperatura corporal superior à da água em que nadam, uma característica que se designa cientificamente como mesotermia, comum também, por exemplo, aos atuns. Esta característica tem-lhes permitido manterem-se como predadores de topo na cadeia alimentar dos oceanos, dado que é accionada devido sobretudo à sua capacidade de aceleração. Estes animais conseguem ter a sua temperatura corporal "15 a 20ºC acima da temperatura da água", diz Nuno Queiroz, ex-presidente da A.P.E.C.E., e libertam esse calor adicional simplesmente ao mergulharem para águas um pouco mais profundas, reduzindo o seu metabolismo e, assim, preservando o equilíbrio térmico que é essencial à sua biologia.

Com o sobreaquecimento da temperatura dos oceanos, provocado pelas alterações climáticas, os Tubarões-brancos estão a ter cada vez mais dificuldade em perder esse calor adicional que geram, o que se traduz forçosamente por uma necessidade cada vez maior em mergulhar mais fundo ou deslocar-se para regiões cada vez mais frias, ou seja, tem um forte impacto na sua distribuição geográfica.

Esta maior dificuldade em arrefecer pode inclusivamente ter influência na forma como nadam e caçam, uma vez que "podem ter de nadar mais devagar, e isso pode ser o mais problemático para eles porque depois perdem a vantagem que tinham sobre os outros peixes", defende Nuno Queiroz.

Os cientistas portugueses marcaram Anequins nos Açores, uma espécie da mesma família do Tubarão-branco, colocando-lhes transmissores equipados com sensores que medem a temperatura da água, a profundidade e a temperatura corporal de cada indivíduo, e recolheram dados durante um ano.

Créditos: Imagem 1 - wgme.com ; Imagem 2 - conscious-explorers.com ; Imagem 3 - Neil Hammerschlag (neil4sharks.org)

TUBARÕES DE PORTUGALCaçãoÉ provavelmente a espécie de tubarão mais falada nos lares portugueses, principalmente à mesa d...
23/04/2026

TUBARÕES DE PORTUGAL
Cação

É provavelmente a espécie de tubarão mais falada nos lares portugueses, principalmente à mesa devido a uma famosa sopa da gastronomia alentejana, mas é também aquela que se calhar mais confusão causa no que toca à sua verdadeira identidade. Falamos do Cação, Galeorhinus galeus, frequentemente chamado de Perna-de-moça.

A confusão começa logo por não se saber ao certo que espécie é, verdadeiramente, o Cação, uma vez que ao longo de toda a costa portuguesa se atribui esta designação a várias espécies diferentes. Há mesmo quem considere o Cação um tipo de peixe diferente dos tubarões!

O Cação é um tubarão de pequeno porte, raramente ultrapassando os 1,8 metros de comprimento e os 40kg de peso. A sua fisionomia tem todas as características dos seus parentes maiores, nomeadamente o corpo alongado, um nariz pontiagudo, cinco guelras, uma barbatana dorsal mais desenvolvida e outra mais pequena sendo ambas de forma triangular, duas barbatanas peitorais triangulares e maiores que a dorsal dianteira, um par de barbatanas pélvicas, uma barbatana a**l e uma cauda assimétrica. Apresenta uma coloração cinzenta escura na parte superior do seu corpo e esbranquiçada ao longo de toda a parte inferior.

Trata-se de uma espécie que habita essencialmente águas costeiras, embora possa aventurar-se pelo mar aberto, alimentando-se preferencialmente de pequenos peixes, cefalópodes e crustáceos que encontram nos fundos sobre os quais vivem a maior parte da sua vida. Atingem a maturidade sexual quando alcançam cerca de 1,50 metros os machos e 1,70 metros as fêmeas, o que corresponde aos 12-17 anos nos machos e 13-15 anos nas fêmeas, estimando-se que tenham uma esperança média de vida de 55 anos.

No Arquipélago dos Açores é uma das duas espécies que se reproduz na região, sendo muito abundantes os juvenis e recém-nascidos na costa norte da Ilha do Faial.

Em termos de conservação, o Cação está classificado como uma espécie "Vulnerável" pela IUCN, enfrentando como principais ameaças a sobrepesca, representando um valor comercial relativamente elevado nalguns países.

Créditos: Imagens 1, 2 e 4 de Doug Perrine ; Imagem 3 de Gerald Nowak

TUBARÕES DE PORTUGALTubarão-marteloEste é, muito provavelmente, o tubarão mais facilmente reconhecido em qualquer parte ...
23/03/2026

TUBARÕES DE PORTUGAL
Tubarão-martelo

Este é, muito provavelmente, o tubarão mais facilmente reconhecido em qualquer parte do Mundo devido à forma da sua cabeça, que não deixa qualquer margem para dúvidas – falamos do Tubarão-martelo.

O Tubarão-martelo que ocorre em Portugal é da espécie Spyhrna zygaena, regularmente designado apenas como Martelo ou, no Açores, como Cornuda, e esta é na verdade o segundo maior membro da família, imediatamente atrás do impressionante Tubarão-martelo-gigante (Sphyrna mokarran), que ocorre nos trópicos.

Pode atingir um comprimento máximo de 5 metros e pesar até 400Kg, embora o tamanho médio dos adultos varie entre os 2,5 e os 3,5 metros. É um animal que vive nas regiões temperadas do planeta, onde realiza migrações bastante longas pelo mar aberto. Trata-se de um predador bastante activo que inclui na sua dieta uma grande variedade de outros animais, tais como peixes pelágicos, raias, cefalópodes como lulas e polvos, e outros tubarões de menores dimensões, incluindo juvenis da sua própria espécie.

Trata-se de uma espécie vivípara, o que significa que as fêmeas dão à luz entre 20 e 50 crias completamente formadas e autónomas, capazes de caçarem mal saem das suas progenitoras. No Arquipélago dos Açores, onde esta espécie é particularmente abundante, as fêmeas vêm ter as suas crias em zonas menos profundas e mais abrigadas perto da costa, como enseadas ou baías, sendo que os recém-nascidos se mantêm nestes locais – designados de berçários – ao longo dos primeiros 4 anos, após os quais seguem para o alto mar onde viverão a maior parte da sua vida. Um dos berçários já identificados pela comunidade científica é a costa norte da Ilha do Faial, desde a Ponta da Ribeirinha até ao Capelinhos, sendo muito frequentes os avistamentos destes juvenis, inclusive em zonas balneares.

Ao nível da conservação, o Tubarão-martelo-suave (numa tradução literária do seu nome em latim) é considerado pelo IUCN como espécie Vulnerável, sendo pescado acidentalmente ou intencionalmente em números crescentes nas águas que banham o continente africano, a América do Sul e o Sudeste Asiático.

Créditos: Robert Priester (imagem 1) e GoSharkAzores (imagem 2)

TUBARÕES DE PORTUGALTintureira ou Tubarão-azulÉ um dos tubarões mais bonitos e elegantes, e, muito provavelmente, a espé...
14/03/2026

TUBARÕES DE PORTUGAL
Tintureira ou Tubarão-azul

É um dos tubarões mais bonitos e elegantes, e, muito provavelmente, a espécie mais conhecida em Portugal, sendo também uma das mais abundantes em todo o Mundo, estando presente nas zonas temperadas e tropicais dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico. Hoje falamos da Tintureira, ou Tubarão-azul (Prionace glauca).

Atingindo um comprimento máximo de praticamente 4 metros e pesando até 200Kg, a Tintureira é um tubarão com uma forma bastante alongada, destacando-se, como características mais marcantes, as longas barbatanas peitorais, o focinho muito comprido e o dorso azul cobalto, do qual advém a sua designação de Tubarão-azul.

A Tintureira é uma espécie puramente pelágica, isto é, vive no alto-mar, onde realiza migrações extremamente longas geralmente muito afastado das zonas costeiras. A sua alimentação consiste essencialmente em pequenos peixes pelágicos e lulas, embora possa caçar presas de maior porte, e no habitat natural enfrenta vários predadores, tais como tubarões de maior porte, orcas e leões-marinhos, nas regiões em que estes existem.

É uma espécie vivípara, o que significa que as fêmeas dão à luz entre 25 e 100 crias perfeitamente formadas, A maturidade sexual acontece entre os 4 e os 6 anos de idade, e o período de gestação das fêmeas estende-se de 9 a 12 meses.

Nas águas nacionais, a Tintureira encontra-se ao longo de toda a costa continental e também nos arquipélagos, sendo que nos Açores se tornou a estrela principal das actividades de mergulho com tubarões que têm lugar ao largo das ilhas do Faial e do Pico. Estas actividades permitem desmistificar a imagem de “máquinas assassinas” que pontualmente ainda se tenta “vender” destes predadores essenciais para o equilíbrio do ecossistema marinho, atraindo cada vez mais participantes ano após ano.

Em termos de conservação, a Tintureira encontra-se identificada como espécie “Quase Ameaçada” pela IUCN, sendo que representa praticamente 90% do total de espécies de tubarões pescadas acidentalmente em todo o Mundo, sobretudo pelas embarcações de palangre.

Créditos:

TUBARÕES DE PORTUGALAnequimHoje falamos do Anequim (Isurus oxyrhinchus), o único tubarão capaz de ir atrás de autênticos...
09/03/2026

TUBARÕES DE PORTUGAL
Anequim

Hoje falamos do Anequim (Isurus oxyrhinchus), o único tubarão capaz de ir atrás de autênticos velocistas do alto mar, como atuns ou espadartes, pois este é o tubarão mais rápido de todos e um dos maiores predadores das águas nacionais, sendo avistado tanto ao longo da costa continental como nos arquipélagos.

Atingindo mais de 4 metros de comprimento e um peso que pode ser superior a 600Kg, o Anequim impõe a sua presença quando surge no imenso azul. Trata-se de um tubarão bastante robusto, uma característica que foi buscar ao seu parente próximo, o Tubarão-branco, da família dos Lamnídeos. Não é só a sua robustez que o coloca no topo da cadeia alimentar do oceano, a sua incrível velocidade, como referimos, também o distingue de todos os outros tubarões. Em perseguição, foi registada a velocidade de 74Km/h, uma marca que só é superada por algumas das suas presas! Porém, e porque a captura de atuns e espadartes não é tarefa fácil, a dieta mais comum do Anequim consiste maioritariamente em presas mais simples, tais como lulas, cavalas ou anchovas, havendo registos de ataques a outros tubarões, a golfinhos, tartarugas marinhas e aves marinhas. Geralmente, o Anequim ataca de baixo para cima a alta velocidade, desferindo golpes enormes nas suas presas logo no primeiro ataque, projectando-se frequentemente fora de água.

O Anequim é dos poucos tubarões endotérmicos, ou seja, que conseguem regular a temperatura do seu corpo de modo a permanecer acima do ambiente em que nada, uma característica mais comum em mamíferos e aves. São também ovovivíparos, o que significa que os embriões eclodem e desenvolvem-se no interior do útero das progenitoras, que os dão à luz ao fim de um período de gestação de 15 a 18 meses já completamente formados e independentes. A maturidade sexual acontece nestes tubarões só perto dos 30 anos de vida, o que os torna numa espécie extremamente vulnerável.

Do ponto de vista da sua conservação, o Anequim está considerado pelo IUCN como sendo uma espécie Ameaçada, estando a sua pesca proibida no Atlântico Norte, uma medida que entrou em vigor no ano de 2022.

Créditos: Ana Besugo

TUBARÕES DE PORTUGALTubarão-fradeCruzando lentamente toda a costa portuguesa, por vezes aproximando-se bastante do litor...
28/02/2026

TUBARÕES DE PORTUGAL
Tubarão-frade

Cruzando lentamente toda a costa portuguesa, por vezes aproximando-se bastante do litoral, hoje falamos do segundo maior tubarão do Mundo, mais um gigante gentil que enriquece a nossa vida marinha – o Tubarão-frade ou Tubarão-peregrino.

O Tubarão-frade ou Tubarão-peregrino (Cetorhinus maximus) tem uma dieta à base de plâncton e pequenos organismos que vivem na coluna de água, os quais captura fazendo passar grandes quantidades de água pelas suas impressionantes fendas branquiais, retendo o alimento no interior. Este tubarão estima-se que consiga filtrar o equivalente a 5.000 toneladas de água por hora!

Podendo atingir um comprimento máximo de 12 metros e pesar mais de 5.000kg, o tamanho médio dos espécimes encontrados varia entre os 6,5 e os 8 metros. Estes tubarões existem essencialmente nos mares do norte em todo o Mundo, o que significa que preferem as águas frias, sendo nestas que encontram maiores concentrações de alimento.

De acordo com uma investigação coordenada no ano de 2007 pelo cientista Mauvis Gore, pertencente ao Departamento de Agricultura, Florestas e Pescas da ilha de Man, no Reino Unido, um Tubarão-frade fêmea equipado com um transmissor satélite forneceu vários dados surpreendentes. Esta fêmea, baptizada de Tracy, foi inicialmente marcada ao largo da Irlanda, abandonou a plataforma continental, passou a norte dos Açores e alcançou a costa da Terra Nova, no Canadá, uma extraordinária distância de 9.589km que percorreu em apenas 82 dias! Ao longo dessa jornada épica e que se desconhecia que a espécie seria capaz de realizar, o animal deslocou-se preferencialmente em profundidades entre os 200 e os 1.000 metros, tendo feito algumas incursões abaixo desta cota, sendo a maior profundidade registada a de 1.264 metros!

Em termos de conservação, esta espécie é considerada pelo IUCN como Ameaçada, estando os maiores riscos que corre associados à pesca comercial e à pesca acessória por embarcações de arraste.

Créditos: Nuno Sá
Fonte: https://www.nationalgeographic.pt/meio-ambiente/tubarao-frade-um-turista-acidental-nos-acores_2272

OS TUBARÕES DE PORTUGAL Tubarão-baleiaA espécie designa-se pelo nome científico Rhincodon typus, e trata-se de um coloss...
22/02/2026

OS TUBARÕES DE PORTUGAL
Tubarão-baleia

A espécie designa-se pelo nome científico Rhincodon typus, e trata-se de um colosso dos mares, com um comprimento máximo que pode atingir os 20 metros e um peso de mais de 20 toneladas. Habita o mar aberto das regiões tropicais e subtropicais do planeta.

Como principais características, o Tubarão-baleia apresenta um padrão de pintas, riscas e manchas claras sobre o tom mais escuro do dorso que permite à comunidade científica identificar cada indivíduo, dado que esse padrão, tal como as impressões digitais nos humanos, não se repete. Outras características únicas são a pele até 15cm de espessura, a longevidade até 130 anos, a posição da boca na parte frontal da cabeça, as cerca de 300 fileiras de dentes minúsculos que possui, a dieta à base de plâncton e pequenos peixes, e o facto de ser uma espécie ovovivípara, podendo dar à luz até 300 crias totalmente formadas.

Nas águas nacionais, o Tubarão-baleia ocorre apenas nos Açores, essencialmente em dois locais, a Baixa do Ambrósio (ao largo da Ilha da Santa Maria) e o Banco Pricesa Alice (cerca de de 45 milhas a sul das ilhas do Faial e do Pico), havendo um único registo nas águas continentais, em 2011, tendo um exemplar entrado numa armação de atum ao largo da costa de Tavira, no Sotavento Algarvio.

Em termos de conservação, o Tubarão-baleia está classificado na IUCN como espécie ameaçada, sobretudo devido à pesca pelas suas barbatanas e pela carne, apreciada nos mercados asiáticos. Alguns aquários públicos no Japão e na China têm insistido na exibição destes animais em cativeiro. Fora destes países, os únicos exemplares correntemente em exibição encontram-se no Georgia Aquarium, em Atlanta (EUA), onde existem apenas dois machos depois de outros quatro animais terem morrido desde a inauguração daquele que foi, durante muito tempo, o maior aquário do Mundo. Todos os animais que foram transportados para esta instituição foram adquiridos em Taiwan dentro das quotas de pesca anuais desse país para a espécie, um país que entretanto aboliu a comercialização destes animais em 2007.

Créditos: Nuno Vasco Rodrigues (imagem 1), Nuno Sá (imagem 2) e Paul Fernandez (imagem 3)

RAIAS INSPIRAM ROBÔS AQUÁTICOS MAIS INTELIGENTESNa natureza, as raias dividem-se em dois grandes grupos: pelágicas, como...
16/02/2026

RAIAS INSPIRAM ROBÔS AQUÁTICOS MAIS INTELIGENTES

Na natureza, as raias dividem-se em dois grandes grupos: pelágicas, como as jamantas, que planam muito acima do fundo do oceano, e bentónicas, como as raias, que nadam rente ao leito marinho. Os seus estilos de natação reflectem os seus habitats. As raias pelágicas batem as barbatanas num movimento suave, semelhante ao de um pássaro, enquanto que as raias bentónicas ondulam acompanhando o movimento das ondas.

Yuanhang Zhu, professor assistente de engenharia mecânica na Universidade da Califórnia, em Riverside, suspeitava que estas distinções não eram apenas estéticas. Ele e os seus colegas acreditavam que as variações estavam ligadas à estabilidade da natação e, por extensão, à sobrevivência. Para explorar esta hipótese, Zhu e os seus colaboradores construíram uma barbatana robótica que imita o movimento das raias, e o que descobriram surpreendeu-os!

Perto do fundo do mar, as raias sofreram sustentação negativa, ou seja, foram puxadas para baixo. Este efeito é o oposto do que as aves experimentam quando voam de forma estável junto ao solo. Esta diferença, acreditam os investigadores, deve-se à forma dinâmica como as raias oscilam as barbatanas, um fenómeno que descrevem como um “efeito de solo instável”.

“Em vez de ganharem sustentação extra junto ao solo, as raias foram puxadas para baixo. Mas a natureza parece já ter resolvido o problema.” De facto, as raias reais nadam com uma ligeira inclinação para cima. Quando os investigadores ajustaram o ângulo da barbatana do robô em apenas alguns graus, a sustentação negativa desapareceu. “É uma pequena mudança com um grande efeito”, disse Zhu.

“Normalmente, os robôs criados pelo homem não conseguem nadar no meio do oceano e manobrar com facilidade perto da superfície”, disse Zhu. “Mas, observando como as raias se ajustam entre ondulação e oscilação, compreendemos agora como é possível.”

Fonte: https://news.ucr.edu/articles/2026/01/22/stingrays-inspire-smarter-ocean-robots
Créditos: Nuno Vasco Rodrigues

A IMPORTÂNCIA DOS CANHÕES SUBMARINOS PARA A TINTUREIRAUm estudo publicado há um ano pela cientista Noélia Ríos, investig...
13/02/2026

A IMPORTÂNCIA DOS CANHÕES SUBMARINOS PARA A TINTUREIRA

Um estudo publicado há um ano pela cientista Noélia Ríos, investigadora do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, revela padrões de comportamento da Tintureira ou Tubarão-azul (Prionace glauca) em função do impacto que o ruído de barcos tem nesta espécie.

Esta investigadora e a equipa que a acompanhou colocaram sistemas de câmaras remotas com isco ao largo da costa do Parque Natural da Arrábida, na zona do Canhão de Lisboa, com o intuito de observar e caracterizar alterações comportamentais desta espécie provocadas pelo ruído de embarcações. As câmaras colocadas conseguiram registar os comportamentos de 79 indivíduos desta espécie, revelando padrões distintos entre juvenis e adultos consoante a estação do ano e a distância à costa.

A investigação revelou que tubarões juvenis foram avistados mais frequentemente em águas menos profundas e durante a Primavera, o que coincide com a época de reprodução da espécie, reforçando, assim, a enorme importância da área ao largo do Parque Natural da Arrábida como potencial zona de berçário. O estudo revelou também que, na presença de embarcações, os tubarões-azuis alteraram alguns comportamentos, sugerindo que pode existir um efeito oculto do ruído das mesmas sobre a eficiência na procura e captura de alimento, abrindo caminho a mais estudos que confirmem essa hipótese.

Estas observações levam os investigadores a defender de forma cada vez mais veemente a necessidade de olhar para os canhões submarinos como zonas a proteger e preservar, assegurando, assim, que este predador de topo da cadeia alimentar dos oceanos continua a desempenhar o seu papel crucial para o equilíbrio e a saúde do ecossistema nestes locais.

Fonte: https://anacao.sapo.pt/estudo-sobre-o-tubarao-azul-sublinha-a-importancia-da-protecao-e-da-preservacao-dos-canhoes-submarinos/

Créditos: Nuno Vasco Rodrigues

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