07/10/2026
GRONELÂNDIA PONDERA ABATER TUBARÕES PARA RESOLVER PROBLEMAS DE PESCA
Aparentemente, existe um problema na Gronelândia relacionado com aquela que é uma das mais misteriosas espécies para a comunidade científica internacional — o Tubarão-da-Gronelândia (Somniosus microcephalus). Nalgumas zonas desta região administrada pela Dinamarca, surgiu um conflito de interesses entre pescadores e cientistas derivado do facto de os primeiros se queixarem de que um alegado aumento do número destes tubarões tem causado fortes prejuízos na sua actividade comercial, não só porque estes caçam as mesmas espécies de elevado valor comercial que aqueles pescam (linguados e bacalhaus), mas porque têm também destruído várias linhas de pesca.
Perante este cenário, a autarquia de Avannaata aprovou um plano para abater 1000 Tubarões-da-Gronelândia mediante uma recompensa financeira singela de apenas 40€ por cada animal abatido, respondendo assim ao apelo da sua comunidade piscatória, a qual tem referido prejuízos diários na ordem dos 4.000€. Este plano, no entanto, foi reprovado pelo governo por poder ter contornos ilegais, embora haja registo de outras acções similares num passado não muito distante que foram aprovadas.
Este plano levantou uma onda de protestos por parte de organizações como a Oceans North Kalaallit Nunaat (ONKN), que salientou que o Tubarão-da-Gronelândia, que pode viver mais de 400 anos, tem um crescimento extraordinariamente lento, estimando-se que a reprodução não ocorre antes de atingir os 150 anos de idade, o que significa que demoraria imenso tempo até a população local recuperar de algo deste género.
Esta situação prova que ainda prevalece nos dias que correm a ideia de que os tubarões são os "maus da fita", e que são concorrência para os pescadores. Acreditamos piamente que o problema se deve ao facto, isso sim, de existirem cada vez mais barcos de pesca no mar, que competem entre si por algo que claramente já não chega para todos.
Fonte: https://www.theguardian.com/.../to-cull-or-not-to-cull...,
Créditos: Foto 2 - Juan Vilata/Alamy