27/08/2026
SOLIDARIEDADE COM O NEPAL E O TIBETE
Embassy of Nepal, Lisbon
O Grupo de Apoio ao Tibete - Portugal manifesta a sua profunda consternação e solidariedade para com o povo do Nepal e do Tibete, bem como todas as pessoas afetadas pela devastadora avalanche e consequentes inundações que atingiram a região de , provocando já, pelo menos, 165 vítimas mortais, sendo que este número poderá, infelizmente, aumentar nos próximos dias.
As imagens de satélite permitem, agora, compreender a dimensão do colapso ocorrido na face norte do Langtang Lirung, uma montanha de 7.245 metros. A avalanche bloqueou temporariamente um curso de água alimentado pelas chuvas das monções, provocando posteriormente uma enorme onda de lama e detritos que desceu pelo vale, percorrendo cerca de 1000 metros, e atingindo infraestruturas, pontes, estradas e instalações de produção e distribuição de energia.
Especialistas continuam a analisar a relação entre o sismo registado na região e o deslizamento de grandes massas de neve, gelo e rocha. Mas esta tragédia evidencia, uma vez mais, uma realidade que não podemos ignorar: as alterações climáticas estão a tornar as regiões montanhosas dos Himalaias cada vez mais vulneráveis a fenómenos extremos.
O aquecimento global está a provocar o recuo dos glaciares, o degelo do permafrost e a formação e expansão de lagos glaciares. Estas alterações podem destabilizar encostas, aumentando o risco de avalanches, deslizamentos e súbitas inundações de origem glaciar — fenómenos que podem atravessar fronteiras e afetar comunidades inteiras a jusante.
O Grupo de Apoio ao Tibete já participou em campanhas internacionais de sensibilização para este problema, alertando para o facto de o Tibete estar a aquecer cerca de duas vezes mais rapidamente do que a média global. O que acontece no Planalto Tibetano e nos Himalaias não é uma questão distante ou exclusivamente regional: as alterações do clima nesta região têm consequências profundas para milhões de pessoas e para os grandes rios da Ásia. E a destruição ambiental empreendida pela China ocupante contribui, também e de uma forma extremamente negativa, para tal.
Esta nova tragédia demonstra a urgência de reforçar a investigação científica, os sistemas de monitorização e alerta precoce e a capacidade de prevenção e resposta das comunidades montanhosas. Demonstra também a necessidade de uma ação climática internacional muito mais determinada, particularmente em defesa dos países e populações mais vulneráveis, que frequentemente sofrem algumas das consequências mais graves de uma crise para a qual contribuíram muito menos. Demonstra a necessidade de não abandonar o povo tibetano que vive, há décadas, sob o repressivo jugo chinês, a vários níveis: político, cultural, religioso, linguístico, e também ambiental.
Neste momento de dor, expressamos as nossas mais sentidas condolências a todas as famílias que perderam os seus entes queridos, bem como a todas as comunidades afetadas por esta catástrofe.
Manifestamos, igualmente, o nosso profundo reconhecimento a todos os profissionais e voluntários envolvidos nas operações de busca e salvamento e fazemos votos para que os esforços de resgate tenham o maior sucesso possível e permitam encontrar e salvar o maior número de pessoas e animais.
A nossa solidariedade está com o povo do Nepal, com o povo do Tibete, com todas as comunidades dos Himalaias, pessoas e animais, afetadas por esta tragédia em (Nepal) e (Tibete).