31/01/2025
MOZART E O PODER DA MÚSICA
No passado dia 27 de janeiro, comemorou-se o aniversário de nascimento, em Salzburg, Áustria, daquele que, para mim, é o maior génio musical da humanidade, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791).
Com cinco anos, Mozart escreveu um concerto para cravo, “Minueto e Trio em Sol Maior”, hoje catalogado no índice Koechel, como o n.º 1 e, no ano seguinte, começou a dar recitais, organizados pelo pai, em Munique e Viena, onde chegou a tocar para a imperatriz Maria Tereza, no palácio de Schoenbrunn, seguindo-se depois Bruxelas, Paris e Londres, sempre com salões lotados. Nessa altura compôs as suas primeiras obras, sonatas para violino e cravo. Entre 1770 e 1773, Mozart viajou por toda a Itália. De volta a Salzburgo, Mozart já era dono de uma volumosa obra e foi promovido a Mestre de Capela, embora onde quer que atuasse, fosse obrigado a fazer as refeições junto aos criados.
Entre 1781 e 1786, passou os seus anos mais produtivos, compondo várias óperas importantes como o “O Rapto de Serralho” (1782), “As Bodas de Fígaro” (1786), sonatas para piano, músicas de câmara, em especial os seis quartetos de cordas e diversos concertos para piano. Em 1782, casou-se com Constanze Weber, com quem teve dois filhos. Com ela viveu sempre uma vida de penúria e dificuldades, nunca tinha dinheiro para nada, a tal ponto que, no Inverno, dançavam para se aquecerem. A partir de 1786, mesmo com o sucesso de suas obras, a sua popularidade começou a declinar, tendo enfrentado problemas financeiros e de saúde, atenuados a partir de 1787, quando o imperador José II lhe concedeu uma pensão anual. Neste mesmo ano, estreou a ópera “Don Giovanni”.
No ano de 1791, compôs a sua última a ópera, “A Flauta Mágica” que estreou, estava ele já muito doente e, segundo alguns dos seus biógrafos, acompanhava na cama, as suas árias, como se as estivesse a ouvir e a ver. Em dezembro de 1784, Mozart havia sido iniciado na Maçonaria, pelo que esta ópera, retrata também, do ponto de vista simbólico, uma iniciação ritualística, na medida em que se caracteriza pela ascensão gradual das trevas e da ignorância, à luz do conhecimento, mediante a apologia do bom e do belo, na natureza e no homem.
O elemento principal do primeiro ato desta obra é o amor, o ideal maçónico imemorial, o amor tríplice, o amor a si próprio, ao Criador e ao próximo que tem de ser descoberto e cultivado. Para que tal possa acontecer e este tríplice amor se possa fundir num só, torna-se necessário ambientar a vontade à Iniciação, quando se revela a morte mística, para dar lugar ao renascimento esotérico e ao surgimento de um novo homem munido de um amor divino e iniciático.
Da Flauta Mágica, disse Beethoven, ser “a ópera alemã por excelência,” não só pela música divina e pela original utilização da língua alemã, mas principalmente, por ser uma ardente defesa dos princípios do iluminismo e dos ideais maçónicos. Quem, sendo ou não maçom, tiver visto o filme Amadeus, de Milos Forman, tido o privilégio de assistir ao vivo a esta ópera ou visto o filme de 1985, realizado por Ingmar Bergman, sobre esta obra-prima, não poderá deixar de sentir entrar dentro de si, sem pedir licença, uma enorme alegria e uma forte emoção, por se ver ao espelho numa experiência mística, filosófica e musical verdadeiramente incomparável e inesquecível.
A Flauta Mágica é um apaixonado canto à Fraternidade e ao Amor entre os homens, numa exaltação do Poder da Música, como, quase no final da peça, cantam dois homens: “Graças ao poder da música atravessaremos felizes a sombria noite da morte”. E sim, graças ao poder da música, Mozart continua vivo entre nós, com a sua música a ajudar-nos a atravessar, felizes, os nossos dias de vida até chegarmos à sombria noite da morte.
Nos seus últimos dias de vida, escreveu a missa fúnebre "Réquiem", uma encomenda, mas que ele escreveu como se fosse para a sua morte. Quando morreu, aos 35 anos, em Viena, no dia 5 de dezembro de 1791, o seu corpo foi velado na catedral de Viena, sem nenhuma p***a e enterrado, em cova não demarcada, no cemitério da Igreja de São Marx. A viúva quase não teve dinheiro para o enterrar.