13/10/2026
MPPM LEVA DESTRUIÇÃO DO PATRIMÓNIO DE GAZA À ARTE PELA PALESTINA
A iniciativa Arte pela Palestina teve a sua sexta edição entre 8 e 11 de Outubro com eventos na Casa do Comum e na Casa Palestina. Tal como desde o início, o MPPM associou-se à iniciativa mostrando a exposição «Gaza. Genocídio Cultural» e promovendo uma conversa animada por Santigo Macias sob o tem «Da Via Maris ao deserto: destruição do património em Gaza».
A guerra que Israel está a impor em Gaza, para além do seu insuportável custo em vidas humanas e destruição de infra-estruturas essenciais, está também a envolver um ataque sistemático e deliberado ao património cultural palestino com vista à sua erradicação. Israel está a cometer um genocídio cultural.
Os alvos são não só o património material — locais de culto, edifícios históricos, sítios arqueológicos, museus e bibliotecas, edifícios culturais e académicos, centros de documentação — mas também o património imaterial — a memória, os costumes, as tradições, as crenças e os valores.
Para esta exposição seleccionámos 25 locais de algum modo representativos da diversidade temporal, funcional e geográfica do património destruído.
Merecem destaque quatro aspectos notados nesta exposição: A riqueza da história do povo que habita a Palestina desde tempos imemoriais; a resiliência deste povo que, mal a guerra deu tréguas, ainda que precárias, começou a vasculhar as ruínas procurando salvar tudo o que pudesse ser salvo; a pujança e riqueza da vida artística e cultural em Gaza cortada cerce com o assassinato de artistas e intelectuais e a destruição de centros culturais; a criminosa perversidade do ocupante que, quando os bombardeamentos cirúrgicos não produziam o efeito desejado, avançava com as retroescavadoras para arrasar o que restava.
No domingo, 11 de Outubro, Santiago Macias veio à conversa sobre a destruição de património em Gaza. Apresentado por Carlos Almeida, diz Santiago Macias: «Um Povo sem Passado não tem futuro. O genocídio em curso em Gaza tem sido acompanhado de perto pela sistemática destruição de Património Histórico e Arqueológico. Pela simples razão que a partir de uma lógica de arrasamento total será possível construir o que se entender. Fisicamente e em termos de narrativa.
»No século VI, em Gaza, ateliers de mosaístas trabalhavam ao mesmo tempo para igrejas e para sinagogas. O que hoje se destrói não são só vestígios arqueológicos ou patrimoniais “islâmicos”. Mais do que isso, é a memória de um Povo, nas suas diferentes vertentes, que se quer apagar.»
Santiago Augusto Ferreira Macias é doutorado em História e Professor Auxiliar na Universidade de Lisboa. É director do Panteão Nacional desde Abril de 2021. Foi responsável científico pelo projecto “Intervenção arqueológica no Castelo de Moura” (1989/1990 e desde 2002) e foi co-director científico das escavações arqueológicas em Mértola, tendo sido membro da Direcção do Campo Arqueológico de Mértola entre 1988 e 1994 e entre 2004 e 2013. Foi responsável ou co-responsável por cerca de dezena e meia de exposições, com destaque para «Portugal Islâmico – os últimos sinais do Mediterrâneo», «Portugal e Marrocos – portas do Mediterrâneo», «Lusa – a matriz portuguesa» e «Guerreiros e Mártires».