26/08/2026
27 DE AGOSTO DE 1923
DIA QUE LEMBRAMOS…
JOÃO DIAS AFONSO
Dias Afonso, nascido a 27 de agosto, em Angra do Heroísmo (Sé), foi escritor, poeta, jornalista e investigador da etnografia e da baleação açoriana.
A Rua de Jesus, na casa onde nasceu e viveu, ostenta uma placa em sua homenagem, que foi descerrada, em 2014, por Álamo de Meneses.
Era filho de Joaquim Luís Afonso, comerciante e da professora do ensino primário, Maria da Glória Zulmira Dias Afonso.
Depois de concluir o ensino secundário no Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, aos 18 anos de idade matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, curso que não chegou a concluir.
Por motivo de doença, regressou à Terceira onde cumpriu serviço militar obrigatório, no Regimento de Guarnição nº. 1, como oficial miliciano de administração, sendo desmobilizado tenente no B.I.I. nº 17, então aquartelado no Castelo de São João Batista do Monte Brasil.
Foi técnico superior principal de bibliotecas e arquivos, diretor da Biblioteca Municipal de Angra do Heroísmo e depois funcionário superior da Biblioteca Pública e Arquivo da mesma cidade, funções que exerceu até se aposentar. Foi diretor interino da instituição por diversas vezes, como aconteceu no impedimento de Manuel Coelho Baptista de Lima, enquanto este foi presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.
Na instituição em que trabalhava, e noutros arquivos nacionais e estrangeiros, realizou investigação no âmbito da história dos Açores (Açores em novos papéis velhos”, ed. do Instituto Histórico da Ilha terceira, 1980), da etnografia histórica açoriana (“O traje nos Açores”, id. 1978, 2ª ed. 1987) e, em particular, sobre a história da baleação nos Açores, campo em que foi um dos grandes especialistas e pioneiro no estudo daquela atividade no arquipélago açoriano. Nos estudos sobre a caça à baleia realizou investigação e estágios nos EUA (Nova Inglaterra e Califórnia) e no Reino Unido.
Foi o principal mentor da organização etno-histórica do Museu dos Baleeiros, nas Lajes do Pico
Cobriu a Cimeira Nixon-Pompidou, em 1971.
Foi um dos principais mentores do processo que visava estabelecer ligações aéreas entre a Base das Lajes e Lisboa.
Participou em dezenas de congressos no país e estrangeiro e proferiu conferências em Universidades norte-americanas como Harvard, Brown, Arlington, Honolulu, etc.
Das suas várias obras e colaborações, salientamos Memória histórica da edif**ação dos Paços do Concelho de Angra do Heroísmo / Pedro de Merelim, Assunção Melo, João Dias Afonso ; coord. Assunção Melo ; pref. João Maria Mendes ; posf. Jácome de Bruges Bettencourt. - Angra do Heroísmo: Câmara Muncipal de Angra do Heroísmo, cop. 2016. - 567 p. e “Bibliografia Geral dos Açores – Sequência Açoriana do Dicionário Bibliográfico Português”, editada pela Secretaria Regional da Educação e Cultura.
O Centro de Conhecimento dos Açores (CCA) passou a disponibilizar, no Portal Cultura Açores, a sua obra cia “Bibliografia Geral dos Açores - Sequência Açoriana do Dicionário Bibliográfico Português”. Esta nova publicação digital, com informação inédita, pode ser acedida na secção “Bibliotecas Digitais/Biblioteca Monografias e Periódicos”, conteúdo desenvolvido pelo CCA em www.culturacores.azores.gov.pt/cca/..
Mais de 3 mil livros, fotografias e documentos pessoais de João Dias Afonso foram doados à Biblioteca Pública Luís da Silva Ribeiro. Esta doação foi feita pela sua filha, Maria João Afonso Galvão Telles, no cumprimento da vontade expressa de seu pai. O Fundo João Dias Afonso é constituído por 3 secções, nomeadamente: correspondência expedida e recebida; atividade intelectual e documentos privados.
Em agosto de 1997 f**a viúvo de D. Rahyra Leonissa da Silva Santos Afonso que foi professora da Escola do Magistério Primário de Angra do Heroísmo e foram pais da licenciada D. Maria João Santos Afonso Galvão Teles, casada com Carlos Henrique Archer Galvão Teles, funcionário superior da antiga Petrogal.
Deixamos aqui uma das suas poesias.
No Pego do Mar
Na ilha parada
o menino do mar,
que sou (e hei sido),
é vela salgada
num ar de redoma
– envolto e pesado¬ –
não passa de si!
Persiste quem é
o menino do mar
(que tenho de ser);
a nuvem que corre
desfaz-se, é perdida
no mar retraído
dum sonho incontido!
E o menino do mar
(que sempre serei)
ficou-se a olhar
e há-de morrer
pelo dom de saber
que o sonho-sem-onde
não força ou deslinda
o firme poder
de ser sem querer.
João Afonso,
“Enotesco”, Diário insular, Angra do Heroísmo, 1957.
Fotografias. João Afonso - História e Memória;