05/06/2026
Lily Neves | 1932 – 2026
Partiu esta manhã a bailarina e atriz Lily Neves. A artista que atravessou o panorama artístico português dos últimos setenta anos como poucos se podem orgulhar de o ter feito, com um corpo de trabalho diversificado e eclético, trabalhando em dança, teatro, cinema, televisão e rádio.
Lily Neves nasceu no distrito de Viseu. Quando frequentava o liceu, conheceu a coreógrafa Margarida de Abreu e inscreveu-se no Conservatório, no curso de Bailado e de Teatro. Aí conheceu outros colegas como os atores Armando Cortez, Ruy de Carvalho, Joaquim Rosa e a bailarina Ruth de Aragão. Em 1948 participa no 7º espetáculo essencialista do Teatro-Estúdio do Salitre em “Inês ou O Túmulo Imperfeito” com direção de Gino Saviotti. Em 1951 participa na opereta “As Três Valsas” que inaugura o Teatro Monumental, ao lado de Laura Alves e João Villaret. No Teatro Monumental viria também a participar em “O Homem Que Veio Para Jantar (1952), “A Fera Amansada” (1952), “As Mulheres de Quem Se Fala” (1953), “Não Vale a Pena Ser Mau - Teatro Monumental (1953), “Viva o Luxo!” (1953), “Ela Não Gostava do Patrão” (1953), “A Menina Feia” (1954), “E a Lua Viu Tudo” (1954), “Lua de Mel... Entre Três” (1954), “Aventuras do Príncipe Valente e do seu Escudeiro Perlimpote” (1954), “Bobosse” (1960). Em 1960 fez parte do elenco da primeira versão, representada em Portugal, da peça “A Ratoeira” de Agatha Christie, ao lado de João Villaret, Ruy de Carvalho, Fernanda de Sousa. Na década de 1950 trabalha sob a direção de Ribeirinho, em peças como “Rei Lear” (1955), “São João Baptista” (1956), “Conspiradora” (1956), “Noite de Reis” (1957), de Shakespeare, ”Comédia das verdades e das mentiras” (1957), “Um Dia de Vida” (1958), “Auto de Santo António” (1958), “O Tio Simplício” (1958), “O Pedido de Casamento” (1958), “Um Homem Só” (1959), “Um Serão nas Laranjeiras” (1959), “Um Homem Só” (1959) ou “Pássaros de Asas Cortadas” (1959), de Luiz Francisco Rebello. Faz várias comédias e revistas, como “Ó Zé Aperta o Laço” (Teatro Maria Vitória – 1955), “Cidade Maravilhosa” (Coliseu dos Recreios – 1955), “Fonte Luminosa” (Coliseu dos Recreios – 1956), “Cucurucucu (Teatro Variedades – 1960),
“Uma Bomba Chamada Etelvina” (Teatro Variedades – 1961), “A Linha da Sorte” (Teatro Variedades – 1962), “Aqui Há Fantasmas!” (Teatro Variedades – 1962), “Ena, Tantas!” (Teatro Variedades – 1963), “Golo do Porto” (Teatro Sá da Bandeira – 1963), “A Verdade é Só Uma (Teatro Variedades – 1964), “Zero, Zero, Zé! - Ordem P'ra Pagar” (Teatro Variedades – 1966), etc, ao lado de Irene Isidro, António Silva, Anita Guerreiro, Aida Baptista, José Viana, Florbela Queiroz, Maria Dulce, Manuela Maria. Participou ainda no Teatro da Estufa Fria em “Cama, Mesa e Roupa Lavada” (1965) e “As Meninas da Fonte da Bica” (1965). Em 1967 faz “A Nossa Cidade” com o Teatro Estúdio de Lisboa, de Luzia Maria Martins e Helena Félix. Durante 6 anos, é atriz na Companhia Teatral de Angola (pertencente a Vasco Morgado), sediada no Teatro Avenida de Luanda.
Passa depois a trabalhar com os Parodiantes de Lisboa, onde colabora durante cerca de 25 anos. Participa também em teatro radiofónico, como: Vamos ao Teatro – “Pássaros de Asas Cortadas” (1959), Tempo de Teatro – “Dá-se Alvíssaras” (1979), Tempo de Teatro – “Penélope” (1988), Tempo de Teatro – “Enfim Sós” (1989). Na televisão participa em “O Tio Simplício” (1958), “O Sapo e a Doninha” (1958), “Mariquita Terramoto” (1960), “Fim de Semana” (1960), “Zaragatas” (1961), “Aqui Há Fantasmas” (1962), “Enredo Galante” (1962), “Kean” (1962), “Sinos de Natal” (1962), “Um Quarto com Vista Para o Mar” (1963), “O Segredo da Abelha” (1963), “Comédia das Verdades e das Mentiras” (1963), “A TV Através dos Tempos” (1965), “A Coelhinha Confeiteira” (1965), “Um Homem de Recursos” (1965), “A Grande Aventura” (1966), “O Príncipe Que Aprendeu Tudo nos Livros” (1966), “Hora de Luz” (1967), “A Quinta do Dois” (1987) e "Matilha" (2023).
No cinema participa em “Os Três da Vida Airada” (1952) num notável número de dança ao lado de Eugénio Salvador, “O Cerro dos Enforcados” (1954) e “Derrapagem” (1974).
A Casa do Artista dedicou-lhe uma exposição com base no espólio que cedeu ao Centro de Documentação Carmen Dolores, intitulada "O Baú de Memórias de Lily Neves" (2023), na Galeria Raul Solnado.
Muito gratos pelo enorme legado que nos deixa. Será sempre recordada com grande carinho por todos nós. 🤍