28/07/2026
Nascemos – o Trovante e a Brigada – num mesmo tempo de lutar pela construção de um país justo. Um tempo de mobilização de jovens nas campanhas de alfabetização, no Serviço Cívico Estudantil (em que o Manel Faria e o João Nuno se envolveriam), de criação de grupos de música que quiseram acrescentar cantigas ao cancioneiro da longa resistência.
Naquele tempo nascia-se já com a intenção no nome: A Brigada traria consigo Victor Jara, o Trovante levaria a trova avante – em ambos os casos em atitude de comprometimento. Por isso nos fomos encontrando nos lugares de acção política e cultural naqueles dias de militância, de defesa da Reforma Agrária, de nascimento da Festa do Avante (na qual viríamos a ser, provavelmente, os grupos mais assíduos).
O Grupo Trovante revelou-se, desde as primeiras canções, uma admirável ponte entre dois tempos trovadores, depressa munido das ferramentas musicais (e poéticas) que trariam a sua música até hoje – com a mesma frescura, com a mesma pertinência, capaz de ressoar na nossa solidão ou em nós na multidão.
O Luís Represas era, naquele corpo musical colectivo, o perfeito porta-voz. Recordamos aquele primeiro momento de descoberta do timbre encantador, simultaneamente poderoso e terno, da linguagem musical que foi refinando, da ampliação do público admirador que também passámos a ser. Na Brigada guardaremos sempre a memória daqueles palcos precários mas entusiasmados que partilhámos e um cancioneiro que, por muitos autores que tenha tido, será sempre o cancioneiro da voz do Luís Represas.
Foto (da net)