14/06/2026
URAP condena o assassinato de três membros da Frente Polisário e defende autodeterminação do Saara Ocidental
A União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) condena o assassinato de três membros da Frente Polisário, entre os quais de Mohamed Abdelaziz, filho do antigo presidente da República Árabe Sarauí Democrática (RASD), numa ataque perpetrado por Marrocos no muro de separação no Saara Ocidental.
Segundo um comunicado da RASD, que informa que foram decretados três dias de luto nacional, a morte de Abdelaziz ocorre durante uma visita do enviado pessoal do secretário-geral das Nações Unidas para o Saara Ocidental, Staffan de Mistura, aos campos de refugiados saarauís, no âmbito de uma missão diplomática destinada a relançar os esforços de mediação no conflito.
Lehbib Mohamed Abdelaziz, de 37 anos, era filho de Mohamed Abdelaziz, líder histórico da Frente Polisário, que desempenhou funções como secretário-geral do movimento desde 1976 e presidiu à RASD entre 1992 e 2016, ano em que morreu, sendo sucedido por Brahim Ghali.
O Saara Ocidental, antiga colónia espanhola com vários recursos naturais, foi ocupado por Marrocos em 1975, desencadeando um conflito armado com a Frente Polisário que terminou com um cessar-fogo em 1991, negociado pelas Nações Unidas.
O acordo previa a realização de um referendo sobre a autodeterminação do território, mas divergências relacionadas com o recenseamento eleitoral e a elegibilidade de colonos marroquinos impediram até hoje a concretização da consulta.
Recentemente, o presidente saarauí, Brahim Ghali, enviou uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, defendendo que os ataques da Frente Polisário contra posições marroquinas constituem atos de legítima defesa face ao que classificou como a ruptura, por parte de Rabat, do cessar-fogo estabelecido em 1991, que tem levado à morte e detenção de muitos saarauís.
Nos últimos anos, a Frente Polisário sofreu diversos reveses diplomáticos, à medida que aumentou o apoio internacional ao plano de autonomia proposto por Marrocos para o território, incluindo por parte de Espanha França e Reino Unido, entre outros.
A posição de Portugal, que defendia o direito à autodeterminação do povo saaraui à luz das resoluções da ONU, sofreu alterações em Julho de 2025, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, a declarar que a proposta de Marrocos — que oferece uma forma de autonomia sob soberania marroquina — como “séria, credível e construtiva”. Embora tenha reiterado que qualquer acordo deve ser alcançado no quadro das Nações Unidas. Estas declarações levaram já ao agradecimento público do rei Mohammed VI de Marrocos.
A proposta é rejeitada pela RASD e pela ONU que continuam a defender a realização de um referendo de autodeterminação. A RASD defende que é Espanha, e não Marrocos, que mantém o estatuto de potência administrante do território.
Nesta ocasião, a URAP reafirma a sua solidariedade com o povo saarauí e a Frente Polisário, sua legítima representante, que lutam pelo seu direito a autodeterminação.