28/05/2026
"AUTOCOLANTES E A ICONOGRAFIA DA LIBERDADE
O 25 de Abril de 1974 foi uma revolução profunda. Pode-se sempre dizer que está na essência de uma revolução ser profunda, mas não é comum várias gerações de portugueses a viverem assim como um momento em que as suas vidas mudaram. Mudaram em quase tudo, em particular na sua liberdade, na liberdade sem medo. Por isso, o 25 de Abril abriu caminho a muitos actos, palavras, imagens e sons, impossíveis no dia imediatamente anterior, sem custos e riscos. As imagens são um dos melhores exemplos dessa nova paisagem dos portugueses. E os autocolantes são um dos elementos dessa nova iconografia da liberdade.
O que cada um dizia, na sua imagem e nas suas palavras, é “eu apoio”, “eu pertenço”, “eu luto por”, “eu desejo as coisas simples da felicidade terrestres”, “eu sei que são simples, mas difíceis”. Tudo num pequeno rectângulo de papel com cola, que posso colocar na minha roupa, no meu caderno, numa parede. A minha liberdade fala por via desse humilde pedaço de papel, da sua imagem e das suas palavras.
E como a democracia é o império da diferença, cada uma das vozes dos autocolantes não dá origem a uma cacofonia, mas a um coro.
O coro da liberdade.
José Pacheco Pereira"
Em exibição no MUDE, em Lisboa, até 30/08/2026