12/10/2026
📚 𝑨 𝑽𝑰𝑫𝑨 𝑫𝑶𝑺 𝑳𝑰𝑽𝑹𝑶𝑺, por Guilherme d'Oliveira Martins
Teve lugar na semana que agora termina no Centro de Estudos Anterianos em Vila do Conde a sessão de encerramento das comemorações do segundo centenário do nascimento de 𝐂𝐚𝐦𝐢𝐥𝐨 𝐂𝐚𝐬𝐭𝐞𝐥𝐨 𝐁𝐫𝐚𝐧𝐜𝐨. Publicamos hoje a intervenção de Guilherme d’Oliveira Martins.
Falar sobre Camilo Castelo Branco em Vila do Conde obriga-nos a lembrar o momento em que o romancista aqui esteve em 1870 e em que escreveu ao seu amigo António Feliciano de Castilho: “A minha saúde é péssima. Estou em Vila do Conde, ainda a fazer não sei o quê. Passo os dias na cama mastigar as batatas cozidas de Francisco Manuel do Nascimento, ajeitadas ao pudim das odes horacianas. Li há dias o ‘Camões’ pela quarta vez. Aquilo faz-me lembrar o bom ouro dos dobrões de D. João V”. Com o sólido conhecimento dos clássicos, Camilo referia-se a Filinto Elísio, o grande árcade, e a uma obra que o celebrizou. Foi então que Camilo soube da tragédia do seu amigo Vieira de Castro, num episódio tremendo, que o condenaria ao degredo.
Ao evocar Camilo na casa de Antero de Quental, homenageio, em primeiro lugar, um mestre da nossa cultura contemporânea que nos ensinou tudo sobre o génio de S. Miguel de Ceide. “Eis um homem que não precisa de apelido para ser identificado na vida e na literatura”. Falo de João Bigotte Chorão, que sentidamente homenageio. (...)
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