07/10/2026
Alberto José Caetano Pereira (1959-2026)
A Direção da Secção Regional de Lisboa e Vale do Tejo manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do Arquiteto Alberto José Caetano Pereira e envia sentidas condolências à família, amigos e colegas de profissão.
Aprovado na Ordem com o número 2217, em outubro de 1984, Alberto Caetano dedicou a sua vida à Arquitetura, ao ensino, às artes plásticas e à coleção de obras de arte.
A celebração das exéquias está marcada para hoje, quarta-feira, às 14h45, na Basílica da Estrela, em Lisboa e o velório decorre durante a manhã.
Chegou à Arquitetura por via da pintura, como escolha secundária para lidar com a ideia de que a pintura não era uma profissão que pudesse ter futuro. Licenciou-se em julho de 1984, pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa (FA.ULisboa). Com a precisão do desenho em Arquitetura, ganhou forma o rigor construtivo com que encarava a profissão.
Viria a ensinar na FA.ULisboa, formando várias gerações de profissionais entre 1992 e 2011. Sobre essa experiência, falou dos momentos desafiantes. “Aprendia-se muito com os alunos, apesar de ter havido momentos de frustração. Todos os dias era um novo desafio. Era estimulante ver a transformação. Até abril, todos os anos sentia uma enorme frustração, porque parecia que tudo o que tinha transmitido de conhecimentos, eles não tinham absorvido, se bem que muitos deles não sabiam porque se tinham inscrito no curso. Mas a partir de abril, eles pareciam florir como a Primavera." (Revista Artes & Letras #115, de janeiro de 2020).
No mesmo depoimento, salientou como maiores destaques os projetos que fez para o terraço do Lux e a remodelação interior, e a Loja da Atalaia, no Cais da Pedra. Teve um ateliê próprio em Lisboa desde 1990, dedicando-se à requalificação, projeto e design de vários espaços.
Foi um colecionador exímio, expressando nas aquisições as paixões da sua vida pelas obras de outros artistas. Muitos dos principais artistas portugueses, como António Carneiro, Pedro Cabrita Reis, Jorge Molder, Albuquerque Mendes, Jorge Martins, Ana Jotta, Gaëtan, Miguel Ângelo Rocha, Luísa Correia Pereira, Mário Cesariny ou Rui Chafes, estão representados na coleção que foi formando, submetida às afinidades artísticas e aos diálogos temáticos e formais mais do que propriamente para obter uma história dos movimentos artísticos ou uma cronologia da arte nacional.
Em março de 2026, resolveu doar ao Estado a sua coleção composta por mais de 360 obras de pintura, desenho, escultura, gravura e fotografia, tendo sido agraciado com a Medalha de Mérito Cultural pelo governo português.
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