22/10/2026
Um dos grandes mitos que continuamos a encontrar nas formações para profissionais e nas sessões de sensibilização é a ideia errada de que os homens que sofreram abusos se***is na infância se tornarão, mais tarde, abusadores de crianças.
Este mito não só é falso como contribui para perpetuar o silêncio dos sobreviventes. Muitos homens receiam que, ao partilharem a sua história, sejam julgados, vistos como potenciais abusadores ou associados ao próprio crime de que foram vítimas.
Na realidade, muitos destes homens desenvolvem uma preocupação acrescida com a proteção das crianças. Alguns descrevem-se como pais particularmente atentos e protetores, procurando evitar que os filhos e as filhas passem por experiências semelhantes às que viveram. É comum relatarem que impõem cuidados adicionais, como não permitir que as crianças durmam fora de casa ou participem em atividades que impliquem pernoitar noutro local.
É importante, contudo, não substituir um estereótipo por outro: ter sofrido violência sexual na infância não determina que alguém venha a abusar de crianças, nem define a forma como essa pessoa será enquanto pai ou cuidador.
Os sobreviventes merecem ser escutados sem preconceitos, julgamentos ou suspeitas infundadas. Desconstruir este mito é também uma forma de criar condições para que mais homens se sintam seguros para falar sobre o que viveram e procurar apoio.
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🟠 Não é mito.
🟠 Não é exagero.
🟠 Homens e rapazes também são vítimas de violência sexual.