12/10/2026
Foi com tristeza e profunda preocupação que lemos a notícia do Expresso: há tribunais a mandar internar crianças e jovens em hospitais por falta de respostas sociais. Não nos surpreende.
Há 98 anos que a Fundação Maria Droste acolhe crianças e jovens, e conhecemos por dentro o colapso a que estamos a assistir no sistema de promoção e proteção. As raparigas que nos chegam trazem traumas profundos e necessidades cada vez mais complexas. Segundo os nossos dados dos últimos 10 anos, com mais de 500 casos, 97% necessitavam de acompanhamento pedopsiquiátrico. No Serviço Nacional de Saúde, uma primeira consulta pode demorar seis meses.
Três anos depois da regulamentação que deveria requalif**ar as casas de acolhimento, o processo continua por concluir. Manter uma casa aberta 24 horas por dia, 365 dias por ano, com equipas preparadas, é uma batalha difícil, também do ponto de vista financeiro.
Defendemos o acolhimento familiar, as medidas em meio natural de vida e a autonomia, sempre que são a resposta adequada. Mas não à custa de fechar casas de acolhimento.
Pedimos recursos financeiros ajustados, condições para nos especializarmos e uma resposta concertada entre a Saúde, a Justiça, os tribunais e as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens.
Estas crianças e jovens não podem esperar. O problema é de todos. A resposta também tem de ser.
Texto completo de Marisa Martins, diretora da Fundação Maria Droste, no link da bio.⬆️
# direitosdascriancas