19/10/2026
A Associação 21|26 enviou ao Ministério das Infra-estruturas e Habitação um pedido complementar de esclarecimentos, no âmbito da Proposta de Lei n.º 103/XVII/1.ª, dando conhecimento do mesmo, a todos os grupos parlamentares.
Defendemos que o Direito à Habitação, consagrado no artigo 65.º da CRP de 1976, não significa a atribuição gratuíta de uma casa a todos os cidadãos.
Significa, sim, que devem existir condições reais para que todas as pessoas possam aceder a uma habitação adequada, sem comprometer a sua subsistência.
De que serve trabalhar se o rendimento não chega para arrendar ou comprar uma habitação e, simultaneamente, assegurar alimentação, saúde, transportes e educação, entre outros?
É ao Estado que cabe assumir as suas responsabilidades na regulamentação, fiscalização e execução de políticas públicas capazes de responder a esta realidade.
No pedido complementar, exigimos esclarecimentos sobre:
▪️ A compatibilidade entre salários, rendimentos e custos habitacionais;
▪️ Os instrumentos de regulação do mercado imobiliário e de prevenção de práticas especulativas e abusivas;
▪️ A recuperação e utilização do património habitacional público devoluto;
▪️ A construção de habitação economicamente acessível e o ordenamento do território;
▪️ A protecção dos direitos legítimos dos proprietários, arrendatários e cidadãos que procuram adquirir habitação, assegurando condições de acesso económicas comportáveis.
▪️ As metas, os prazos e os resultados concretos das políticas públicas.
A habitação pode constituir uma actividade económica legítima, seja através do arrendamento, da construção ou da compra e venda de imóveis. Contudo, os valores praticados, tanto nas rendas como nos preços de aquisição, não podem ser analisados, sem conexão entre os rendimentos reais dos cidadãos e a necessidade de assegurar condições de vida dignas.
Não pretendemos colocar proprietários contra arrendatários, nem compradores em confronto. Pretendemos que o Estado assuma as suas responsabilidades na regulamentação e fiscalização do mercado habitacional, promovendo condições de acesso à habitação, tanto para arrendamento como para aquisição, ao mesmo tempo que previne práticas especulativas e abusivas.
📄 Para que todos os cidadãos possam conhecer as questões que colocámos ao Governo, vamos disponibilizar o pedido complementar de esclarecimentos, na íntegra, através do link https://associacao21-26.pt/mobilizacao-civica
O Direito à Habitação não pode existir apenas no texto da Constituição. Tem de encontrar correspondência nas condições económicas reais que permitem a cada pessoa ter um tecto e viver com dignidade.
A participação cívica não termina na indignação.