16/01/2024
Utilizadas sobretudo para apaladar a comida, mas também para mezinhas terapêuticas e fins cosméticos, as especiarias eram muito apreciadas na Europa pré-renascentista. Porém, estavam ap***s acessíveis a classes privilegiadas (senhores e alta burguesia), que se dispunham a pagar quantias exorbitantes por uma ínfima porção destas cobiçadas mercadorias. A sua raridade e carestia no Ocidente tornava-as um luxo e um negócio altamente lucrativo. Foi em busca de especiarias que a armada portuguesa comandada por Vasco da Gama (1469-1524) se lançou à descoberta do caminho marítimo para a Índia (julh.1497 a set. 1499).
Ao longo de todo o século XVI, o comércio de especiarias tornou-se o principal móbil da economia do Império Português, suplantando em rentabilidade o tráfico de escravos e ouro. A pimenta-preta era então a especiaria mais preciosa, provindo dela gordos lucros para a Coroa portuguesa. Mais que um tempero ou condimento alimentar, a pimenta era uma moeda corrente, um meio de troca. Tanto assim era que muitos testamentos deixavam em herança avultadas quantidades de especiarias, sendo a pimenta utilizada como garantia de investimentos ou pagamento de bens e serviços.
Sobre a história fascinante das especiarias – em particular a pimenta – vejam-se, no Portal ROSSIO, as centenas de Cartas, Alvarás, Provisões, Mandados e Minutas emitidas no tempo de D. Manuel I, o rei Venturoso (1469-1521), a respeito deste precioso condimento da culinária e da cultura portuguesa. Bom proveito!
+ info:
Portal ROSSIO: https://rossio.pt/
ANTT/ Livro.DGLAB - "Minuta de carta do rei D. Manuel I para Afonso de Albuquerque, governador da Índia, sobre a carga da pimenta e mais especiarias" [ant. 1515?], Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Ref: PT/TT/CART/876/9, Link: https://t.ly/HnzAS