13/01/2026
Gostamos de terminar com palavras de amizade e esperança para todos, por isso descobrimos um texto poético na página Mala’ estórias, da escritora e nossa voluntária Suzana D’ Eça, o qual publicamos.
Que fique no aconchego do nosso coração, o Natal
Fiquem bem 🙌🌟
Dói-me desmanchar o Natal.
Custa-me a azáfama natalícia que se prolonga para janeiro, logo o primeiro mês do ano entrado entre foguetes e a pressa dos dias, mas gosto das jarras vaidosamente natalícias e da árvore cintilante ✨ e dos presépios que aquecem a minha sala e me aconchegam a vida.
A minha sala no Natal f**a “glamorosa”e nesta beleza e nela escondo o mundo tantas vezes feio, perigoso e injusto.
O Natal tem sempre a magia de nos fazer acreditar outra vez e outra vez na beleza e na esperança, e eu espelho o que há de bom em mim em cada bola e em cada luz da árvore de Natal e sinto colo nos presépios que habitam o Natal da minha sala.
Não quero abandonar a Luz do Natal e não quero desmanchar o Natal. Quero decorar a minha vida de Natal e quero que o Natal perdure em mim.
Tenho receio de desmanchar o Natal, como se na caixa da árvore e dos enfeites e presépios se guardasse também o segredo de ser luz, de ser Natal, até à próxima vez. Como se fosse embora com a caixa a onde se guarda o Natal, toda a luz e toda a esperança e a velha caixa de cartão fosse uma caixa de Pandora, arrumada e esquecida na arrecadação até ao próximo dezembro.
Não quero que o Natal se guarde, se arrume e se aparte de mim. É tão difícil ser Natal todos os dias.
Temo que se desmanchar o Natal, o Natal se desmanche em mim.
Quero acreditar que é possível ser Natal todos os dias, mas é tão difícil de acreditar.
Vou acreditar um dia, atrás de um dia, como se subisse uma escada 🪜 até ao próximo Natal . Subir a escada do Natal até lá chegar outra vez. 🎄
Transformar o meu coração na caixa do Natal, para a transportar comigo todos os dias e assim todos os dias transportar o Natal comigo.
Será que consigo ?
Dói-me “desmanchar o Natal” não quero abandonar o espírito natalício em que todos os dias, todos nos esforçamos para ser melhores e mais solidários.
Dói-me desmanchar o Natal e por isso talvez não o desmanche, quero luzes a cintilar ⭐️ como estrelas todos os dias e estrelas a cintilar todos os dias como luzes de Natal e quero o aconchego do presépio que se fez Natal em mim.
Talvez o segredo seja transformar a caixa de papelão a onde se guarda o Natal, no nosso coração.
Talvez este ano não desmanche o Natal e talvez o guarde cá dentro, como um embrião numa co**ha , prestes a abrir”
Suzana DEça . Ilustração de Lisa Aisato