09/06/2026
Agostinho Braima Jaura ( Quecutó Jaura): Uma vida dedicada a São Domingos.
Nascido a 30 de outubro de 1957, Agostinho Braima Jaura é filho de Sissau Jaura, descendente de uma ilustre linhagem de grandes caçadores oriundos de Gabu. Pelo lado materno, herda a força e a tradição de Ailkaina Manga, natural de Culadjé, inserido na família Elob-Buguió, "Djorson" de Semar Manga de Culadjé.
Os primeiros estudos foram na Escola Egas Moniz — atualmente chamada Albino Sousa Nanque — onde fez amigos como Clara Baptista, Honorina de Carvalho, Angelina Mendes e Mamdu Uri Djaló. Em 1968, concluiu o quarto ano.
Terminados os estudos, trabalhou como estagiário e secretário no centro de saúde de São Domingos. Ainda nesse ano, foi acolhido pelo capitão graduado António Alberto Joyce Fons, da Cavalaria do Exército Português, que o tratou como um filho dentro do quartel. O capitão levou-o para Portugal em 1968, estabelecendo-se em Loulé, na Campina de Cima, para continuar os estudos.
Regressou à Guiné-Bissau em 1979, por vontade da família paterna. Imediatamente, fundou a Associação dos Filhos de São Domingos, ao lado de Sadja Cassamá, Rui Jandi, Niculau de Carvalho, João Vaz (Tute), M***a Camara, Rosalino Mendes e outros. No mesmo espírito comunitário, criou o primeiro grupo teatral da localidade.
Mas foi o futebol que mais o entusiasmou. Com jovens como João Vaz Vaz (Tute), Abulei Dabó (Culétch), Suleimane Cassama (gazela), M***a Camara, Alamuta Baldé (Muta) e Rosalino Mendes, Aida Sanhá (esposa do falecido Sousa Sambú) nasceu o Clube de Futebol Tigre de Fronteira que venha ser legalizado formalmente por Mama Waly, Talata Baldé (Baba) e outros. O nome foi escolhido entre várias sugestões — Forombay, Correntes e, por proposta de João Vaz (Tute), Tigre de Fronteira.
Alamuta (Muta) foi o primeiro roupeiro e Rosalino Mendes desenhou o primeiro logótipo à mão.
Para ajudar o clube, Agostinho assumiu a loja da empresa ANIS no lugar do primo Sousa Sambú, que partira para Bula por razões de estudo. Com o pequeno salário, conseguiu garantir as despesas básicas do time. Nos primeiros tempos, o Tigre de Fronteira venceu várias vezes o atual Casa Sports, do Senegal.
Em 1986, partiu para Abidjan, na Costa do Marfim, com o apoio de Guamené Além e do presidente do clube Simples Jerju. Tornou-se guarda-redes do África Sports. Aí sofreu uma lesão grave ao colidir com o internacional nigeriano Rachide Yakine. Passou ainda pelo Port Autonomne de Dakar, por um breve período.
Regressou à Guiné em 1990 e dedicou-se ao comércio com o primo Abudo Wali em Bissau. Nessa altura, começou a interagir com os jovens do Cupelum e, mais tarde, em Bolama. Em 1991, já em Canchungo, fundou com Bobó e Armando Lata o Hafia Clube de Catacumba.
Em 1994, voltou a São Domingos a pedido de João Vaz (Tute), que lhe garantiu alojamento num terreno da mãe, Tia Mokolô. Teve então uma ideia brilhante: expandir a associação criada em 1979 para todo o setor de São Domingos. Ele e Dr. Suleimane Cassama Percorrem a pé tabanca após tabanca até ao Bulol e com membros ativos da Associação como: Etchen Sambu, Niculau De Carvalho e outros organizaram o primeiro festival cultural em Armé.
No ano seguinte, 1995, participou na fundação da Rádio Comunitária Kassumay. Durante a guerra de 7 de junho de 1998, a sua experiência na rádio Kassumay tornou-o uma das pedras fundamentais da Rádio Voz da Junta Militar.
Em 1996, formou-se em Portugal, na Rádio Nova Alentejo, com um curso intensivo de jornalismo. Em 1997, foi eleito presidente da Rede Comunitária da Guiné-Bissau e também presidente da Rede Comunitária dos PALOP, tendo participado numa conferência no Nepal. Trabalhou ainda com a ONG NADEL como animador comunitário.
Desde 2003, exerce com dedicação o cargo de conselheiro do Administrador de São Domingos, acumulando funções sem nunca abandonar o serviço à sua terra.
Hoje, Agostinho Braima Jaura — também conhecido como Quecutó Djaura — é uma figura emblemática da sociedade de São Domingos. Desde a juventude, entregou a sua vida à causa do desenvolvimento do setor, deixando um legado profundo nas áreas associativa, desportiva, cultural, radiofónica e social.
Lisboa, 09/06/2026
Por: António Pedro Sousa Sambú