Âmago, Ser Visível

  • Home
  • Âmago, Ser Visível

Âmago, Ser Visível A Âmago, Ser Visível tem como missão sensibilizar e informar a comunidade sobre deficiências invisíveis e neurodivergência.

Falamos muito de inclusão (ou da falta dela) quando o tema é o ensino e as escolas. Mas, na prática, no dia a dia, quant...
27/03/2026

Falamos muito de inclusão (ou da falta dela) quando o tema é o ensino e as escolas.
Mas, na prática, no dia a dia, quantas vezes a dificuldade continua a ser colocada do lado da criança?

A criança que "não consegue".
Que "não acompanha".
Que "reage mal".
Que "não está preparada".

E raramente há espaço para inverter as perguntas:
O que falhou no contexto?
O que não foi ajustado?
O que podia ter sido diferente?

A adaptação continua a ser, muitas vezes, unilateral.

E quando isto se repete, traz consequências.
Não só na aprendizagem, mas na forma como a criança se vê.
No que começa a acreditar sobre si própria.

Abril está à porta e voltamos a falar de consciencialização, mas continuamos a falhar no básico.
Porque esta continua a ser a realidade de, demasiadas, crianças.
Todos os dias.

Talvez a verdadeira questão seja esta:
Estamos a incluir... ou apenas a pedir que a criança se "adapte melhor"?
É isto a inclusão?

A escola é de todos.Mas ainda não é para todos.Porque a inclusão não é apenas uma palavra que soa bem no meio de uma fra...
22/10/2025

A escola é de todos.
Mas ainda não é para todos.

Porque a inclusão não é apenas uma palavra que soa bem no meio de uma frase. Não pode ser um termo que permanece esquecido em decretos e documentos, nem um rótulo estrategicamente colocado na porta de uma escola.

A verdadeira inclusão dá trabalho.
Exige uma escuta ativa, flexibilidade, quebra de ciclos, disponibilidade e vontade de perceber o que cada criança precisa para aprender, participar e, acima de tudo, pertencer.

Ainda falta tempo, formação e recursos.
Mas falta, também, a consciência de que a inclusão beneficia todos nós e não apenas quem tem um diagnóstico.

Uma escola verdadeiramente inclusiva, não ensina apenas letras e números.
Ensina empatia, modela com respeito e mostra, todos os dias,
que há espaço e lugar para cada forma de ser e aprender.

E é aí que a escola deixa de ser só de todos,
para finalmente ser para todos.

As crianças neurodivergentes (e não só) passam o ano inteiro a adaptar-se a um mundo que cisma em não querer mudar. A en...
07/08/2025

As crianças neurodivergentes (e não só) passam o ano inteiro a adaptar-se a um mundo que cisma em não querer mudar.
A encaixar-se em rotinas que não foram feitas para elas.
A tentar acompanhar um jogo que muda de regras a meio.
A tolerar luzes, cheiros e barulhos que aos outros passam despercebidos.
A usar toda a sua energia para tentar estar "quieto" quando o corpo só pede movimento.
A tentarem coordenar gestos que parecem simples para todos os outros.

Já pensaste o quão cansativo e exigente é?

Nas férias, o mínimo que podemos fazer é deixá-las descansar de tudo isso.
Menos correção. Mais compreensão.
Mais espaço para serem quem são e como são.
Mais adultos dispostos a aprender, a acolher e a incluir.

Porque a inclusão não acontece só na escola, nem é um tema que lhe pertença apenas a ela.
A inclusão é universal.
Acontece na praia, no parque, no avião, no restaurante, nas brincadeiras com os primos e amigos, na piscina ou nos hotéis.

A inclusão f**a. Não tira férias.
Ou, pelo menos, assim deveria ser.

Estamos sempre a corrigir as crianças.Dizemos como devem ser, o que devem fazer, o que podem sentir. Dizemos "não dói", ...
01/06/2025

Estamos sempre a corrigir as crianças.
Dizemos como devem ser, o que devem fazer, o que podem sentir. Dizemos "não dói", "já passou", "não precisas de chorar". Decidimos que os pratos têm que f**ar vazios a todas as refeições, que não há espaço para gostos ou escolhas.

Não ouvimos, não perguntamos, não temos disponibilidade, não percebemos que nas crianças, tal como nos adultos, também há espaço para o cansaço.

Dizemos "não grites!" a gritar; "espera a tua vez" enquanto interrompemos; queremos respeito mas nem sempre respeitamos; esquecemos que somos o modelo, mesmo quando não queremos; apontamos o dedo, mas raramente olhamos para nós em primeiro lugar.

Esperamos autonomia e confiança mas passamos a vida a não dar espaço, a dizer "não consegues", "eu faço, é mais rápido". Não há tempo para vestir ou comer sozinho, chamar o elevador ou terminar o raciocínio. Não damos tempo para falar, fazer, experimentar, praticar, mas depois esperamos independência, resiliência e segurança.

Corrigimos tanto, que nos esquecemos de relacionar, de lembrar que todos os comportamento são comunicação e que se não estivermos verdadeiramente disponíveis, essa comunicação, pura e simplesmente, não acontece.

Quando estamos mais preocupados em corrigir do que perceber, esquecemos a base: a relação. E sem relação, não há escuta, não há segurança ou espaço para crescer.

✨ Neste Dia da Criança, lembramos que:
Todas as crianças têm direito a serem crianças (não mini adultos).
Têm direito a uma infância onde possam brincar, explorar, questionar, errar, onde possam ter tempo, espaço e voz.

Todas têm direito a ser respeitadas, a errar sem medo, a aprender no seu tempo e a permitir-se sentir, sem lugar para punição.

Todas têm direito a crescer sem violência, física ou emocional.
Todas têm direito a ser ouvidas, a ser vistas, à liberdade, à presença, ao cuidado, à segurança, aos limites e à consistência.

A infância não é sobre correção.
É sobre relação.
É sobre direitos.
É sobre a infância.

E é também sobre nós, adultos.
Sobre a criança que fomos e sobre o que fazemos com o lugar que agora ocupamos.
É sobre a infância que permitimos existir.

Porque a infância não se repete.

Foi no podcast "The Imperfects" que Hugh Van Cuylenburg partilhou uma carta, escrita por si, a todos os pais atípicos."I...
17/03/2025

Foi no podcast "The Imperfects" que Hugh Van Cuylenburg partilhou uma carta, escrita por si, a todos os pais atípicos.

"It's not the child, it's the world" e não podia estar mais certo. O problema não está nas crianças, mas num mundo que não está preparado para acolher a diferença.

➡️ Não é a criança que "faz birras do nada", mas sim um mundo que a sobrecarrega com demasiados estímulos.
➡️ Não é a criança que "não se esforça para socializar e falar", mas sim um mundo que continua a conceber apenas uma forma de comunicação e onde espera que todos se encaixem.
➡️ Não é a criança que "tem manias", mas sim um mundo que não percebe a importância e a segurança das rotinas, da previsibilidade e consistência.
➡️ Não é a criança que "não sabe falar de outra coisa", mas sim um mundo que não compreende o conforto e o entusiasmo de mergulhar a fundo num tema que nos interessa.

Na verdade, aquilo que queremos que saibas é que, enquanto sociedade, não precisas de saber o que isto é, não precisas de vivenciar tudo isto, só precisas de ser empático, de respeitar.

A quem passa, e ainda hoje o dizia a outra mãe atípica, sabemos os medos, o cansaço, a ginástica diária, as preocupações, a dinâmica,… Mas também o orgulho, as conquistas, as alegrias nas pequenas coisas (e nas grandes também).

Como diz o Hugh na sua carta para todos nós, os nossos filhos são incríveis! Também hoje lembrava à minha filha que são as diferenças que nos tornam únicos.

Foram e são elas, as crianças, que todos os dias nos mostram uma forma de ver o mundo que provavelmente não sabíamos possível. São elas que nos ensinam a ser resilientes, a não desistir, que nos ensinam que existem outras formas de comunicação e que até no silêncio ela existe. São elas que nos ensinam que o amor não tem barreiras e que ele está presente em tudo aquilo que fazemos.

A ti, pai, mãe, cuidador, lembra-te que és incrível! Olha para todo o caminho percorrido até aqui. E nos dias menos bons, porque os há, quando te sentires em baixo e profundamente sozinho, lembra-te: não estás! Nunca.

Seguimos juntos. Aqui ninguém f**a para trás 💛

Obrigada, Hugh, por esta carta que todos precisamos de ler e partilhar com o mundo.

Address


Alerts

Be the first to know and let us send you an email when Âmago, Ser Visível posts news and promotions. Your email address will not be used for any other purpose, and you can unsubscribe at any time.

  • Want your organization to be the top-listed Non Profit Organization?

Share