29/05/2026
Há mudanças que representam evolução. Mas há mudanças que, se não forem acompanhadas de reflexão, podem levar-nos a perder aquilo que nos tornou relevantes.
Em Rotary e particularmente em Rotary Portugal, também sentimos essa mudança. Procuramos ser mais atuais, mais liberais, mais práticos e isso é importante. Mas modernizar não pode significar descaracterizar.
Por exemplo:O protocolo rotário nunca foi apenas uma formalidade. É uma linguagem comum de respeito, reconhecimento e pertença. A identidade de Rotary nunca foi apenas um logótipo ou uma marca. É um conjunto de valores, de princípios e de uma forma própria de servir.
Preocupa quando começamos a valorizar mais o imediato do que futuro, mais a presença do que a participação, mais a atividade do que o propósito.
E preocupa ainda mais quando o companheirismo, que sempre foi uma das maiores forças de Rotary, começa a ser posto em causa, porque projetos podem unir pessoas por um momento, mas é o companheirismo que mantém os clubes vivos ao longo do tempo.
Ser moderno não implica abandonar tradições. Ser atual não exige perder identidade.
Talvez este seja o momento de recordar que Rotary não existe apenas pelo que faz, existe também pela forma como faz: com ética, com respeito, com regras, com ligação humana e com sentido de pertença.
O futuro de Rotary não será garantido apenas pela capacidade de atrair novos sócios ou criar novos projetos. Será garantido pela capacidade de continuar a transmitir aquilo que nos distingue: os valores, o companheirismo, o respeito pelas tradições e o sentido de pertença.
Porque um clube pode sobreviver sem protocolo. Pode até sobreviver algum tempo sem identidade. Mas dificilmente sobreviverá sem espírito rotário.
Porque, no dia em que deixarmos de cultivar o companheirismo, de valorizar os nossos princípios e de viver Rotary para além das reuniões, poderemos continuar a ter clubes…mas corremos o risco de deixar de ter ROTARY.
Duarte Besteiro | RC Gaia Sul
Governador Distrito Rotário 1970, Ano 2023-24