Cais 27 Zona de Intervenção Cultural Segundo João Amaral em 1893, já não existiria cais de Povos, depois de coberto pelos lodos do Tejo.

Durante o período entre os séculos XVI a XVIII, a zona do cais de Povos conheceu um significativo desenvolvimento urbano com a construção de inúmeras casas de habitação, igreja da Misericórdia e hospital, no qual formariam um largo já desaparecido. O terramoto de 1755 foi o responsável pela ruína destas construções, mas o assoreamento do cais ditou a decadência deste local, outrora bem dinâmico, q

ue, foi progressivamente perdendo importância até à sua desativação total em meados do século XIX. Os portos fluviais de Vila Franca de Xira e de Alhandra, não foram tão afetados por este processo, continuando a revelar uma importante atividade portuária que só se extinguiria na década de 50 do século XX, com a evolução dos transportes rodoviários e a construção da ponte de Vila Franca de Xira. Testemunho da importância adquirida por este porto nos finais da Idade Média, foi a construção e apetrechamento, em 1487, em Povos e Vila Franca de Xira, de uma armada com cerca de 30 navios para uma expedição militar ao Norte de África, bem como a preparação da frota que levaria Bartolomeu Dias a transpor o Cabo da Boa Esperança. A escolha do cais de Povos para a construção do Celeiro do Infantado, em 1718, assim como a criação da Real Fábrica dos Atanados, em 1729, são indicadores de uma franca expansão e desenvolvimento desta zona ribeirinha. A inegável relevância que o porto de Povos teve até ao século XVIII e seu posterior e total desaparecimento levam a que abordemos com algum pormenor os últimos tempos da sua vida. Isto permitirá, por outro, estabelecer algumas associações entre a progressiva perda de importância local da vila e a desativação do cais. O primeiro ponto a ressaltar, pela íntima ligação ao porto de Povos, é o historial da Real Fábrica de Atanados de Povos, criada em 1729, por iniciativa do industrial João Mendes de Faria. Primeira fábrica de curtume de couros do país, esta unidade industrial – cujos vestígios são ainda hoje bem visíveis na denominada Quinta da Fábrica – aproveitou uma localização geográfica estratégica, a cerca de 1 km do cais de Povos, onde os couros eram embarcados para Lisboa, daí seguindo para outros pontos do país e exportados, nomeadamente para Itália. Mas se na primeira metade do século XVIII a proximidade do porto de Povos foi determinante para a instalação e sucesso da fábrica de curtumes, já no final do mesmo século a desativação do cais era argumento apresentado para justificar o definhamento desta unidade industrial. Em relatório elaborado em 1802 pelo Juiz de Fora da Vila de Povos, a pedido da Junta de Comércio, este facto é apontado como João Ferreira da Silva Amaral, nascido em VFX em 1773, mas com ascendência ligada a Povos, conheceu bem a vila e dela faz referência pormenorizada em Ofertas históricas relativas à Povoação de Vila Franca de Xira para Instrução dos Vindouros. Em 1856, ao escrever, já com 84 anos, as Ofertas Históricas, afirma que “Os acrescidos do Tejo inutilizaram o seu cais” (de Povos), de que carece a vila, e a utilidade daquele passou para Vila Franca. Lino de Macedo na sua obra de 1893 – Antiguidades do Moderno Concelho de Vila Franca de Xira, cita Amaral, teria escrito, “ A Vila de Povos possuía sobre o Tejo um cais e escada de cantaria (…) “ situação em 1851- Em 1893 já não existia tal cais, que foi coberto com os lodos do Tejo.

Endereço

Rua Cais De Povos Nº27
Vila Franca De Xira
2600

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