14/11/2025
"Fotografia / Lugar do corpo"
Fotografar negativos fotográficos dos anos 50 e 60, retocados a lápis, nos quais exploro o sagrado e o social para criar um novo lugar do corpo.
A fotografia transcende o mero registo do real — ela suspende a realidade no tempo e confere-lhe uma nova dimensão, extraordinária, onde o corpo deixa de estar preso ao instante e passa a existir num espaço simbólico e intemporal.
A representação do corpo humano — e o uso dos lugares do corpo como metáforas — está profundamente enraizada na cultura, na arte e na linguagem. Desde as pinturas rupestres até às selfies contemporâneas, o ser humano sente uma necessidade constante de se representar, de dar forma visível à sua identidade e à sua existência.
O corpo, tal como a fotografia, é um lugar de memória, de transformação e de continuidade. Mesmo quando o corpo físico desaparece, ele persiste através da imagem, do arquivo e da imaginação. A fotografia torna-se o espaço onde o corpo sobrevive — onde se reconfigura e renasce em novos contextos e gerações.
Cada nova imagem, cada novo “lugar”, representa uma renovação do corpo no território do conhecimento e da memória.
Fotografar estes negativos foi, assim, um gesto de reencontro com o passado — uma forma de reinscrever o corpo e a sua simbologia num novo tempo e num novo olhar.
Lucília Monteiro será uma das oradoras da quarta edição do RE.VER.
Ao todo, o programa conta com seis painéis, a projeção de um filme e uma exposição, a decorrer nos dias 29 e 30 de novembro, na Sala Experimental do Teatro Sá de Miranda.
A inscrição é gratuita, mas obrigatória.
Consulta o programa completo através do link na bio.