05/02/2026
Portugal está a viver tempestades sem precedentes.
Os rios transbordaram, o vento e o mar tornaram-se violentos, e paisagens que conhecemos de cor foram transformadas em poucas horas.
Hoje, os nossos primeiros pensamentos vão para as pessoas que perderam a vida, para os feridos, e para todas as famílias que enfrentam o medo, a perda e a incerteza. Lamentamos também os animais, selvagens e domésticos, apanhados pelas cheias e deslizamentos, e a flora e os habitats danificados ou destruídos por forças muito para além do seu controlo. A natureza também está ferida.
Em momentos como este, os números perdem importância. O que permanece são pessoas a ajudar pessoas, vizinhos a cuidar uns dos outros, equipas de socorro a trabalhar sem descanso, e gestos silenciosos de solidariedade que nos lembram quem somos.
Se se sente sobrecarregado, com medo ou exausto, saiba que isso é uma reação natural. Estes acontecimentos abalam o nosso sentido de segurança. Viva uma hora de cada vez. Mantenha-se informado através dos canais oficiais, mas permita-se também momentos de descanso. Peça ajuda. Aceite ajuda. Ofereça-a sempre que puder.
As tempestades passam. As águas recuam. A recuperação leva tempo, mas acontece através da comunidade, do cuidado e da compaixão. Portugal já enfrentou dificuldades antes e voltará a fazê-lo, não através da negação, mas através da união.
A quem está de luto, não está sozinho.
A quem ajuda, obrigado.
A todos os seres vivos afetados: que a recuperação seja suave e que saibamos proteger a vida, humana e mais-do-que-humana, com mais sabedoria nos dias que virão.
Fiquem em segurança. Cuidem uns dos outros.
Portugal is living through unprecedented storms.
Rivers have broken their bounds, winds and seas have turned violent, and landscapes we know by heart have been transformed in a matter of hours.
Today, our first thoughts are with those who have lost their lives, with the injured, and with all the families facing fear, loss, and uncertainty. We also mourn the animals, wild and domestic, caught in floods and landslides, and the flora and habitats damaged or destroyed by forces far beyond their control. Nature, too, is bearing wounds.
In moments like this, statistics fade. What remains are people helping people, neighbours checking on one another, rescuers working without pause, and quiet acts of solidarity that remind us who we are.
If you are feeling overwhelmed, afraid, or exhausted, know that this is a natural response. These events shake our sense of safety. Take things one hour at a time. Stay informed through official channels, but also allow yourself moments of rest. Reach out. Accept help. Offer it where you can.
Storms pass. Waters recede. Healing takes time, but it comes through community, care, and compassion. Portugal has endured hardship before, and it will endure again, not through denial, but through togetherness.
To those grieving, you are not alone.
To those helping, thank you.
To all living beings affected, may recovery be gentle, and may we learn how to protect life, human and more-than-human, more wisely in the days ahead.
Stay safe. Hold on to each other.