18/08/2026
Comemorações do Dia Mundial da Fotografia
19 de agosto
É com enorme satisfação e, sobretudo, com um profundo sentido de responsabilidade que hoje vos dirijo estas palavras enquanto Presidente da ANAFA, neste dia tão especial para todos aqueles que fazem da fotografia uma forma de expressão, de conhecimento, de memória e de vida.
Hoje celebramos o Dia Mundial da Fotografia.
Mas, na realidade, não celebramos apenas uma técnica.
Celebramos uma linguagem.
Celebramos a capacidade extraordinária que uma imagem tem de parar o tempo, de preservar uma memória, de provocar uma emoção, de denunciar uma realidade, de contar uma história ou simplesmente de nos fazer olhar novamente para aquilo que julgávamos já conhecer.
A fotografia acompanha-nos há quase dois séculos.
Mudaram as câmaras, mudaram os processos, mudaram os suportes e mudou profundamente a forma como produzimos e partilhamos imagens.
Passámos da película ao digital.
Do laboratório ao computador.
Da fotografia impressa às redes sociais.
E hoje atravessamos uma nova transformação, marcada pela inteligência artificial e por tecnologias que desafiam constantemente aquilo que entendemos por imagem fotográfica.
Mas há algo que permanece.
O olhar.
Porque nenhuma tecnologia substitui a capacidade humana de observar, de escolher e de interpretar.
Uma câmara pode registar uma imagem.
Mas é o fotógrafo que decide onde olhar, quando fotografar e porquê fotografar.
E é precisamente aí que reside a importância da fotografia.
Fotografar não é apenas carregar num botão.
É fazer escolhas.
É interpretar o mundo.
É construir uma narrativa.
É, muitas vezes, tomar uma posição.
Enquanto associação dedicada à fotografia, a ANAFA tem também essa responsabilidade: não apenas promover a fotografia, mas contribuir para a sua valorização enquanto manifestação artística, cultural e social.
Temos a responsabilidade de criar oportunidades.
De aproximar fotógrafos.
De promover exposições.
De apoiar novos autores.
De levar a fotografia a diferentes públicos e espaços.
E, sobretudo, de criar condições para que a fotografia continue viva, diversa e acessível.
A fotografia pertence a todos.
Pertence ao profissional e ao amador.
Ao fotógrafo de rua e ao fotógrafo de estúdio.
Ao artista que procura construir uma obra e à pessoa que simplesmente quer guardar uma memória.
Todos partilhamos a mesma essência:
a vontade de olhar e de registar.
E talvez nunca tenha sido tão importante aprender a olhar como nos dias de hoje.
Vivemos rodeados de imagens.
Milhares de fotografias são produzidas a cada segundo.
Publicamos, partilhamos, consumimos e esquecemos imagens a uma velocidade impressionante.
Por isso, paradoxalmente, num mundo com cada vez mais fotografias, precisamos cada vez mais de fotógrafos que saibam ver.
Precisamos de imagens que tenham intenção.
Que tenham pensamento.
Que tenham emoção.
Que tenham verdade.
E precisamos também de preservar a nossa memória fotográfica.
Porque uma fotografia não é apenas aquilo que vemos hoje.
É também aquilo que alguém, no futuro, poderá compreender através dela.
Cada fotografia pode tornar-se um documento do nosso tempo.
Um testemunho de uma pessoa, de uma comunidade, de uma cidade, de uma geração.
É por isso que defender e promover a fotografia é também defender a nossa memória coletiva.
Hoje quero deixar também uma palavra especial a todos os fotógrafos que, muitas vezes sem reconhecimento, continuam a fotografar, a estudar, a experimentar, a ensinar e a partilhar.
Aos que estão a começar, digo-vos: não tenham medo de procurar o vosso próprio olhar.
Não tentem apenas fazer fotografias bonitas.
Procurem fazer fotografias que tenham algo para dizer.
Aos fotógrafos com mais experiência, deixo outro desafio: continuem a transmitir conhecimento.
Porque aquilo que sabemos só ganha verdadeiro significado quando é partilhado com os outros.
E a todos aqueles que, de alguma forma, trabalham pela fotografia — professores, artistas, curadores, investigadores, colecionadores, instituições, associações e todos os que tornam possíveis exposições e projetos fotográficos — deixo o meu reconhecimento.
A fotografia precisa de todos nós.
Enquanto Presidente da ANAFA, quero reafirmar o nosso compromisso com a promoção da fotografia, com os fotógrafos e com a criação de novos espaços de encontro, reflexão e divulgação.
Queremos continuar a construir uma comunidade fotográfica mais forte.
Mais participativa.
Mais aberta.
E mais preparada para enfrentar os desafios que o futuro nos coloca.
Porque o futuro da fotografia não será definido apenas pela tecnologia.
Será definido pela forma como continuarmos a olhar para o mundo.
E enquanto houver alguém disposto a parar, observar e carregar no botão para preservar um instante...
a fotografia continuará viva.
Neste Dia Mundial da Fotografia, celebremos aquilo que nos une.
Celebremos as imagens que já fizemos.
As histórias que já contamos.
As memórias que preservámos.
Mas, sobretudo, celebremos todas as fotografias que ainda estão por fazer.
Em nome da ANAFA, quero desejar a todos os fotógrafos, associados, artistas, parceiros, amigos e amantes da fotografia um excelente Dia Mundial da Fotografia.
Que nunca nos falte inspiração.
Que nunca nos falte curiosidade.
Que nunca nos falte vontade de aprender.
E, acima de tudo...
que nunca deixemos de olhar.
Muito obrigado.
Viva a Fotografia.
Viva os Fotógrafos.
Viva a ANAFA.