28/09/2026
A CPCJ de Setúbal esteve na Casa d’Avenida, em Setúbal, na sexta feira, 25 de setembro, para a apresentação do Livro de Colorir o Bairro, uma iniciativa artística e comunitária desenvolvida pelo projeto TT – Teia Trampolim – E9G, integrado no Programa Escolhas, do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), e gerido pela SEIES – Sociedade de Estudos e Intervenção em Engenharia Social.
O projeto nasce de uma ideia tão simples quanto poderosa: olhar para o bairro através dos olhos de quem nele vive.
A comunidade é convidada a fotografar lugares, espaços, pormenores e elementos que fazem parte do quotidiano do bairro. Depois, nas sessões de Tecnologias de Informação e Comunicação do projeto, são os próprios jovens que trabalham essas imagens e as transformam digitalmente em desenhos, criando os contornos que irão integrar um livro de colorir coletivo, construído a partir da identidade do território e dos olhares de quem o habita.
É muito mais do que um livro.
É uma forma de participação. É uma oportunidade para desenvolver competências digitais e criativas. É uma maneira de valorizar o território e de fortalecer o sentimento de pertença. E é, sobretudo, uma forma de dizer às crianças e aos jovens que o seu olhar sobre o mundo importa.
O Programa Escolhas, na sua 9.ª geração, assenta precisamente numa intervenção de proximidade, desenvolvida a partir das necessidades concretas dos territórios, promovendo a inclusão social, a igualdade de oportunidades, a participação, a cidadania, as artes, a cultura, o desenvolvimento de competências e a coesão das comunidades.
É neste ponto que iniciativas como esta merecem a nossa atenção enquanto comunidade.
Na prevenção, nem tudo acontece dentro de um gabinete, numa escola ou perante uma situação de perigo já identificada. Prevenir é também criar contextos onde as crianças e os jovens possam participar, criar, aprender, relacionar-se, desenvolver competências e sentir que pertencem ao lugar onde vivem.
A arte pode ser um espaço de expressão.
A tecnologia pode ser uma ferramenta de capacitação.
A comunidade pode ser um lugar de proteção.
E é por isso que a CPCJ de Setúbal deixa o apelo à continuidade e ao nascimento de mais projetos desta natureza: projetos que cheguem aos territórios, que envolvam as comunidades, que deem voz às crianças e aos jovens e que criem oportunidades onde tantas vezes existem apenas dificuldades.
Precisamos de mais projetos que aproximem pessoas, que valorizem os bairros e que permitam às crianças e aos jovens descobrir que também podem transformar aquilo que os rodeia.
Porque, quando uma comunidade é convidada a olhar para o lugar onde vive, a fotografá-lo, a recriá-lo e a dar-lhe cor, está também a ser convidada a participar na construção da sua própria identidade.
E isso também é prevenção. Também é inclusão. Também é cidadania.