07/03/2026
Memórias do Lobito e da Catumbela
Sejam bem-vindos, amigos de outrora,
a mais um reencontro de memória acesa,
onde o tempo regressa sem demora
e a saudade se transforma em beleza.
Desde mil novecentos e setenta e oito
que esta chama se mantém acesa,
ligando-nos para sempre ao Lobito
e à doce Catumbela, nossa certeza.
Recordamos o mar de azul profundo,
as praias de areia dourada ao sol,
onde a infância parecia sem fim no mundo
e o vento trazia sonhos em arrebol.
Havia ruas cheias de vida e alegria,
risos leves nas tardes sem pressa,
flamingos nos mangais em harmonia
e o primeiro amor que o coração confessa.
Trazemos connosco essas lembranças,
tesouros guardados no tempo vivido,
raízes firmes, esperanças e andanças
que moldaram o caminho seguido.
Depois chegou o tempo da partida,
na antevéspera de uma nova nação,
mas trouxemos coragem para a vida
e esperança firme no coração.
Celebramos também quem nos guiou,
mestres de saber e de humanidade,
cada palavra que nos ensinaram ficou
gravada em nós com eternidade.
A todos eles deixamos gratidão sincera,
pela mão firme, pelo exemplo dado,
pela luz que ainda hoje persevera
no rumo de cada passo traçado.
E lembramos, em silêncio e saudade,
os que já partiram para além do olhar;
vivem connosco na eternidade
das memórias que jamais irão cessar.
Que este encontro renove a amizade,
que fortaleça a esperança e a união,
pois enquanto existir esta saudade
Angola viverá em cada coração.
Tó Costa