03/06/2026
Bom dia ! Temos mesmo que partilhar convosco, seguidores e seguidoras desta caravana digital, a conversa à sombra dos choupos, na sexta-feira de manhã, moderada pela Susana Madeira. O que aconteceu, o que mudou e o que já começou a crescer entre as pessoas e as instituições que integram a Rede de Arte Comunitária de Santa Maria da Feira? No meio de tanto fazer, também é preciso parar para escutar o que ficou a vibrar.
A Susana iniciou este encontro com a ideia de que estar em rede é ir "contra uma maré muito forte porque a vida não está preparada para trabalharmos em rede, todos estão nas suas casas, nas suas gavetas, nas suas instituições com agendas pesadas, e então é um desafio gigante sermos desafiadas para fazer de outra forma". E nesta contramaré, o que se está a fazer demora tempo e exige disponibilidade para fazer diferente. "Desde Fevereiro, esta rede já deu corpo a 15 trocas entre 10 instituições e mobilizou cerca de 274 pessoas".
Lembrou também que esta rede é feita de gente que acredita que a arte é participação, relação, transformação, um salto de fé. E lembrou as palavras de quem vos conta tudo nesta caravana digital: "a arte é também um espaço que se cruza com o cuidado, a integridade e a vida em comum".
Na roda estavam Inês Pinho e Manuel Magalhães, da Casa dos Choupos; Luzia Pais e Elísio Ventura, da Associação Bem-Estar de Lamas; Sónia Martins e Alice Gomes, da Associação do Centro Social de Escapães; Sandra Leite e Veríssimo Lima Santos, do Centro Social de Arrifana; Cátia Silva e Maria Pinheiro, do Centro Social de Paços de Brandão e a Martha Almeida e Sergio Valente da Associação Ser+Pessoa. Cada dupla trouxe a sua experiência, as suas perguntas, os seus ganhos e também as suas dificuldades.
A Cátia Silva falou da forma como a rede a desafiou a sair fora da caixa e a pensar actividades que não ficassem presas ao habitual. E a Maria Pinheiro reforçou a importância de abrir a instituição a outras pessoas, outros gostos e outras formas de estar.
A Luzia Pais sublinhou o quanto esta experiência foi libertadora, tanto para si como para o grupo com quem trabalha. E o Elísio Ventura, com a serenidade de quem já viveu muito, partilhou que sentiu-se bem, divertiu-se e ficou contente por conhecer mais um lugar e mais pessoas.
A Sónia Martins falou da partilha e de como estas trocas permitem reinventar práticas e criar novas ligações. A Alice Gomes reforçou a vontade de continuar.
A Sandra Leite valorizou a importância destes encontros para criar pontes entre instituições e participantes. E o Veríssimo Lima Santos deixou claro que esta rede merece continuidade, porque aproxima pessoas, reforça laços e faz crescer o sentimento de pertença.
A Martha Almeida partilhou que trabalhar em rede permite recriar ferramentas de trabalho e perceber que há pessoas, noutras instituições, a viver desafios próximos dos seus. Falou também dos obstáculos, como a falta de recursos humanos e a dificuldade de transportar para este contexto propostas que, no dia a dia, estão mais ligadas ao bem-estar físico e à estimulação cognitiva. O Sérgio Valente lembrou como é importante visitar outras casas, conhecer outras pessoas e experimentar outras formas de fazer.
Para a Inês Pinho, o maior benefício desta rede é criar contextos para voltarmos a estar juntos, alargar horizontes e imaginar melhores cenários para as nossas vidas. O Manuel Magalhães (Totona) acrescentou que "tal como um choupo faz nascer folhas, pássaros, ninhos e futuros ninhos, também esta rede faz crescer vida". E disse uma frase que ficou a voar sobre todos: “nós aqui sentados, conseguimos voar sem sair do lugar.”
No remate final, a Susana referiu que o desafio agora é continuar a germinar. Regar, podar, por ao sol, consolidar a rede que já existe, criar novos intercâmbios de voos e contaminar outras casas. Lembrou Agostinho da Silva e deixou-nos uma ideia bonita e brava, "não nascemos apenas para trabalhar, nascemos para criar". E ficou a certeza de que a Rede de Arte Comunitária de Santa Maria da Feira pertence a todas as pessoas e entidades que decidiram juntar-se e fazer acontecer.
Quem se junta?
Seguimos!
E vamos contando tudo por aqui porque vamos contando com vocês também 💛