19/08/2024
Publico esta reflexão de alguém que vive em Samora Correia há 23 anos mas ainda não se sente Samora.
Todos os que vierem por bem são bem vindos e acrescentam valor.
Eu nasci nesta terra mas não sou mais samorense que aqueles que nascendo noutro local escolheram esta terra para viver.
Autora
SPG
Quero-vos deixar uma reflexão..
(publico em anónimo, de forma a que alguém invisível, consiga tocar nos vossos corações)
Sou alentejana com muito orgulho e Vivo com orgulho em Samora, freguesia, há 23 anos e nunca critiquei publicamente contra as “nossas” tradições..
Vou escrever com linguagem o mais simples, tal como eu sou..
Este ano, o meu agregado familiar contribuiu com 0€ quer para as Festas do Porto Alto, quer para as festas de Samora:
- 0€ quermesse
- 0€ peditório
- 0€ para artesãos, tascas, e afins (fui 1h Porto Ato, com minha filha aos carrinhos choque)
Bem como contribui com 0€ para as tasquinhas.
Perdi alguma coisa?
Perdi sim:
- convívio, visualização das tradições da terra que tenho carinho e escolhi viver
- perdi e perderam a minha contribuição para as festas da terra que escolhi para viver
- perdi e perderam as tascas, os artesãos locais e outros afins que se encontram nas festas porque não contribui, nem os amigos que me costumam acompanhar
Agora deixo-vos para pensar 2 interrogações:
- Quando alguém manifesta publicamente alguma insatisfação, o que vejo é arrogância e agressividade: “… ponham-se daqui a nadar, vão para a vossa terra, voltem par onde vieram..). É a forma amável de tratar seres humanos que contribuem para o desenvolvimento de uma freguesia/cidade?
- vejo senhoras com idade de serem minhas mães (podia enumerar pelo menos 3), com comentários xenófobos, que incentivam à violência(quer verbal ou física) atrás de um telemóvel/computador. Gostavam que fizessem o mesmo aos vossos filhos?
E agora reflitam, pensem:
- Se tal como eu (que me revoltei com estes comentários dos filhos de Samora), o que fiz este ano (não contribuindo com nada), todos os forasteiros, deixem de contribuir para as festas, deixem de comprar nas lojas locais, deixem de frequentar os restaurantes, deixem de contribuir para as atividades?
As comissões de festas terão cada vez menos dinheiro para nos proporcionar uns bons dias de festividade, os restaurantes e lojas e pequenas empresas terão de fechar as portas..
E agora?
Quando alguém “forasteiro e não só (que tenho visto manifestação de quem cá nasceu e tem aqui suas raízes), se manifesta por exemplo contra o exagero de foguetes, não terá essa pessoa o direito e dever de o fazer?
Como sabem o Código do trabalho, sofreu alterações ao longo dos anos e, nos anos 40 o mesmo não existia… As pessoas que indicam que sempre foi assim nesta terra, e usufruem do Código Trabalho e só trabalham 8 horas, contra as 12/14h que trabalhavam nos anos 40?
As leis, as mentalidades, os costumes não terão de se ajustar à realidade da sociedade?
Há 40/60 anos a maioria das pessoas(homens) não trabalham nos dias das festas(julgo).. Era a maioria os homens que trabalhavam no campo e com horários..
Hoje, quer o homem quer a mulher trabalha, para fazer face às inúmeras dificuldades que enfrentam todos os dias…há horários a cumprir e trabalhos desgastantes…
Antigamente não havia a população que há hoje, bem como os animais domésticos, o que origina que haja muitos mais na rua a fugir a colocarem-se em perigo, bem como para os condutores que atravessam e circulam nesta cidade....
Peço o favor (com o intuito de chegar aos vossos corações), não se coloquem atrás de um teclado, a destilar ódio…Aquele(a) a quem vocês “enxovalham” num minuto, no minuto seguinte pode ser aquele que vos salva a vida, que vos estende a mão..
Para o bem-estar de todos, por vezes têm de existir ajustes na vida, respeitem-se uns aos outros…
Deixo-vos um abracinho
SPG