13/09/2026
Este discurso não é um discurso fácil, é um discurso exigente. Não é fácil perdoar setenta vezes sete, não é fácil! Não é fácil dar mais uma oportunidade depois de todas as que nós demos, não é fácil! E, contudo, não podemos fechar a porta, porque, se fechamos a porta, somos nós que morremos; se deixamos de acreditar, somos nós que perdemos a nossa vida, somos nós que perdemos a nossa esperança…
Nós só conseguimos perdoar quando conseguimos perceber que a dor que o outro provocou em nós é menor que a dor que ele transporta, que o faz ferir os outros daquela maneira. A dor que ele nos provoca é menor do que a dor que o habita. Quando percebemos isso, nós somos capazes de perdoar. Custa-te perdoar? Entrega a Deus, deixa ser Ele a gerir. Custa-te uma coisa do teu passado? Entrega a Deus, deixa ser Ele a gerir e não penses mais nisso.
É contemplando Cristo de braços abertos e pregado na Cruz, é contemplando esta impotência de Jesus que nós aprendemos o que é o amor, e que aprendemos o que é o perdão, e que aprendemos o que é abraçar a própria fragilidade como caminho para o amor, como caminho para a esperança.
Vamos pedir ao Senhor que nos encha de fé! Encha-nos de fé n’Ele, no que Ele pode fazer em nós, no milagre quotidiano que Deus está disposto a fazer em nós! Mas que tenhamos fé uns nos outros, tenhamos fé na pessoa humana que se abeira de nós, que a olhemos com fé, com confiança, porque isso faz a diferença.
Uma coisa é olhar o outro com duas pedras na mão, na defensiva; outra coisa é olhar o outro e escutar o outro de coração aberto. Quando fazemos isso, ganhamos sempre, ganhamos sempre…
©JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA. // homilia / Cardeal José Tolentino de Mendonça