14/06/2026
A propósito da notícia sobre a passagem pedonal junto à estação de metro de Francos, no Porto, importa deixar algumas notas.
Compreende-se o desconforto dos moradores e utilizadores daquele espaço. É legítimo querer ruas e espaços públicos seguros e dignos.
No entanto, quando a cobertura mediática se centra quase exclusivamente na sensação de medo e no incómodo causado pela presença de pessoas em situação de consumo, corre-se o risco de reforçar o estigma e de reduzir estas pessoas a um problema de ordem pública.
F**a praticamente ausente o enquadramento essencial: estamos a falar de pessoas com dependências, muitas vezes associadas a situações de vulnerabilidade profunda, como ausência de apoio, problemas de saúde mental ou exclusão social.
A experiência demonstra que respostas centradas apenas na dispersão ou repressão não resolvem o problema, apenas o deslocam.
É fundamental reforçar abordagens integradas que incluam acompanhamento em saúde, equipas de redução de riscos, apoio social e reinserção. Só assim se protege simultaneamente a comunidade e a dignidade das pessoas envolvidas.
Este é um problema complexo, que exige soluções consistentes e humanas, não apenas visibilidade mediática ou respostas imediatas de curto prazo.
Jornal de Notícias
Link da notícia: https://www.jn.pt/pais/artigo/francos-ha-criancas-a-atravessar-diariamente-um-tunel-que-e-uma-sala-de-chuto/18094950?fbclid=IwZnRzaASbY-ZleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZAo2NjI4NTY4Mzc5AAEex5FpFhgHaASl0fBStDivgPsXGCdVhg_wJ6Au1JnntSBdROp9N4HyALLPE6M_aem_3fDr5p3kZ1vwNEv-yOSjEw