03/04/2025
A minha intenção não era voltar a falar da série Adolescência. Mas, por uma última vez, voltarei a ela. Tudo porque sinto que, em muitos contextos diferentes, se tem falado dos perigos da internet em relação aos adolescentes. E isso é bom! Mas, muito depressa, se passou a falar deles como se fossem sexistas, violentos e “bullys”. E isso é mau!
Os adolescentes são excelentes miúdos! Atentos e gratos em reação às pessoas de quem gostam e que eles admiram. Leais, na forma como se relacionam com todas as pessoas que respeitam. E, sobretudo, boas pessoas! É por isso que abraçam causas sociais muito antes dos adultos acordarem para elas. E se indignam, se for preciso, quando vão atrás daquilo em que acreditam.
É claro que não é mesmo nada fácil ser adolescente! Porque a cabeça, o corpo e tudo o resto à volta deles muda a uma velocidade vertiginosa. E nós exigimos e exigimos, mesmo quando não lhes damos todo o tempo a que têm direito para serem adolescentes. E, apesar de sabermos muitas coisas acerca deles, há sempre um bocadinho e mais outro que nos foge por entre os dedos e nos leva a vivê-los de forma mais assustada do que era suposto.
O que me preocupa é que haja quem se aproveite duma série para afirmar que eles são maus como se, ao pé dos adolescentes, fôssemos exemplares. Como se representassem o degrau-abaixo daquilo que nós somos. E isso não é verdade!
Parem de os ver como se eles fossem perigosos, explosivos e rudes!! Eles são, muitas vezes, miúdos inseguros e assustados. E, por causa disso, um tudo-nada rezingões. E esperam tanto de nós que, por mais que lhes possamos dar muito, se sentem, algumas vezes, tristonhos e desamparados. São miúdos que, por vezes, murmuram mais do que falam com os pontos nos is. E são um bocadinho parvos, sim, às vezes, porque têm de vencer uma força enorme que os convida a conterem-se antes de falarem, apesar de se sentirem desapontados ou melindrados com algumas das nossas distracções.
Mas os adolescentes acreditam em nós! Aliás, eles precisam - muito!! - de acreditar em nós. Mas será que nós acreditamos tanto assim neles? Às vezes, sinto que não. Mas só saímos a perder!