Associação Porto de Baião

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17/06/2026

Quando a burguesia endinheirada comprava títulos de nobreza, e
alguma fidalguia falida vendia o orgulho que já não podia sustentar…

Ou, uma das leituras possíveis, da ironia "eciana" do “encontro arranjado por Maria Mendonça, prima do herói da “Ilustre Casa de Ramires”, com a filha do carniceiro de Ovar, a bela Ana de Lucena…

Em Cárquere.

Ou ainda, depois de Mafalda, Egas e Afonso, as referências literárias que, em Resende, Baião e Cinfães, têm uma das maiores fontes de inspiração e concentração da obra queirosiana.

Ou, sobretudo, o divertimento do nosso Grupo de Teatro - ainda no grau zero – no passeio, na ida e regresso de comboio, por Terras de Resende – Parte V

***

🚂 E foi assim, que o nosso passeio divertido, logo pelas sete da manhã, apanhou de surpresa passageiros e turistas nas plataformas da Estação de Campanhã, no interregional com destino à Régua e Pocinho.

A Estrela da improvisada companhia que dava logo mais nas vistas era a já referida Ana de Lucena que, para dar maior ênfase à busca de um título nobre para a sua família, não hesitou em ir buscar uma cabeleira das que se usavam cem anos antes, no século XVIII.

As Apresentações, iniciais e breves, já dentro da carruagem, esperaram pela Estação de Ermesinde, onde veio ao nosso encontro o Gonçalo Ramires, sempre aproveitando todos os minutos para continuar a escrever o romance “que Eça lhe encomendou dentro do seu próprio romance”: A Torre de Dom Ramires.

🚂🚃 E foi, também assim, que os nossos companheiros de viagem, além da figura do jovem Fundador educado nas Terras que, desta vez, levámos como destino, por essa figura tutelar da Região e do Condado Portucalense que havia de ser um país, conheceram, também, a casamenteira, prima de Gonçalo, e o seu amigo, o capelão da Torre.

O bondoso e bonacheirão padre Soeiro.

Uma espécie de “anti – Amaro”.

🚂🚃🚃 A demonstrar que o autor desse monumento que são “Os Maias”, também com a primeira geração de Resende, não era contra os padres, mas apenas contra o clericalismo de alguns que se portavam mal.

Não f**ando sem dizer que, ali um pouco mais em cima, na sua primeira paróquia (Feirão, de Resende), no alto do Montemuro, Amaro até nem se portou assim muito mal…

O padre Soeiro, porém, sempre bem recebido na torre de Gonçalo Ramires e dos seus antepassados, estudava e dominava arquivos e linhagens, e muito ajudou a resolver conflitos, a preparar escrituras, e informar Gonçalo para as suas pretensões literárias e políticas.

🚂🚃🚃🚃🚃 E o mais que se poderá dizer em breves apontamentos que as quatro dezenas de participantes nos vão sugerindo, conforme as imagens que vão chegando

14/06/2026

De como o menino Infante, adolescente e jovem Afonso, perdeu o bigode e não ficou, por isso, menos guerreiro… 😊

Nos passos de Egas, Afonso, Mafalda e Eça – IV

Desta vez, em Cárquere.

Que foi, por razões diversas, um dos lugares míticos da visita dos Associados e Amigos da Associação Porto de Baião.

👑 Sem prejuízo de todo o muito que se pode dizer sobre a Igreja do Mosteiro, tal como se apresenta atualmente, e da sua evolução histórica, arquitectónica e decorativa, vejam-se as magníf**as pinturas a fresco e o modo engenhoso como podemos surpreender-nos ao observá-las, ou a história da “Senhora Branca”, ou ainda a janela românica do Panteão do Resendes.

Ou a torre imponente, e a janela românica onde a história e a lenda se cruzam, atravessando ténues fronteiras.

Os figurantes Egas Moniz e o jovem Afonso tiveram aqui a primazia como referência desta primeira parte, sobre Cárquere.

Pormenores de ordem organizativa levaram a transferir este ponto, como um dos focos principais da nossa visita, para a parte de tarde.

Deste entretanto, perdeu o jovem Infante, o seu bigode. O que tornou ainda mais engraçada a sua função ilustrativa.

👑👑 E tudo isto, ao lado dessa figura maior, de referência da Fundação da nossa nacionalidade, Egas Moniz, o “Aio”, Senhor das Terras de Ribadouro e educador do Infante, no traquejo das armas e das regras da nobreza, que o fariam cumprir, futuramente, a missão de Fundador e Conquistador do novo Reino de Portugal.

Ninguém vai esquecer, assim, o cenário ancestral da igreja de Cárquere e os vestígios do que resta do Mosteiro que, juntamente com Guimarães, se confunde com o próprio berço de Portugal.

Foi ali que o jovem Afonso Henriques cresceu sob a tutela firme de Egas Moniz, o Aio, que moldou o caráter do futuro Rei, e plantou as sementes da Fundação da Nacionalidade.

👑👑👑 Diz a lenda que o jovem Príncipe nascera com as pernas tolhidas, uma enfermidade que desafiava o destino da pátria nascente.

Diante do desespero, a Virgem Maria terá aparecido a Egas Moniz numa visão, ordenando-lhe que construísse uma igreja em Cárquere e ali depositasse o menino.

No altar que os visitantes podem ver, espreitando por detrás do atual retábulo-mor.

O milagre operou-se: as pernas de Afonso Henriques endireitaram-se, permitindo-lhe empunhar vigorosamente a espada e sonhar com um Portugal independente.

👑👑👑👑 Como testemunha eterna deste milagre e desta forte interrelação, surge a “Senhora de Cárquere” uma pequenina e raríssima imagem de marfim (com 2,9 cm de altura), secreta e religiosamente guardada com devoção, ao longo dos séculos.

Replicada, agora, por cima do altar-mor, e numa outra imagem destinada à procissão da sua festa.

Esta peça histórica e sagrada simboliza o elo místico entre a fé, a dedicação inabalável de Egas Moniz e o destino heráldico de Afonso Henriques, eternizando Cárquere como o lugar onde o sonho da independência ganhou força e “pernas para andar”.

12/06/2026

Ó da barca!
À barca, à barca, senhores!

Nos passos de Egas, Afonso, Mafalda, e Eça - III

Pela ordem dos "passos" do Passeio, às Terras de Resende, uma primeira breve nota, sobre a nossa primeira Rainha.

​Lembrando que, na Idade Média, as margens do rio Douro não eram apenas fronteiras naturais, mas pontos cruciais de ligação, comércio e peregrinação. É neste cenário que a figura da Rainha Dona Mafalda se destaca, deixando uma marca indelével na identidade de Aregos através de uma profunda obra de assistência social e devoção:

​A Albergaria, a Barca de Passagem, e a Capela de Santa Madalena.

​✅️ Numa época em que as pontes escasseavam, a travessia do rio Douro em Aregos era - já desde o tempo do Império Romano - uma passagem estratégica. Para garantir a mobilidade de viajantes, mercadores e peregrinos, instituiu-se a famosa barca de passagem. Sob a proteção e o incentivo da consorte de Afonso Henriques, conhecida pela sua extrema generosidade e visão de apoio aos caminhantes, esta barca tornou-se o elo vital entre as duas margens, permitindo que o rio deixasse de ser um obstáculo intransponível.

​✅️✅️ Contudo, a travessia era apenas metade da jornada. Ciente das dificuldades enfrentadas por quem viajava a pé, muitas vezes sem recursos, a rainha promoveu a criação de uma albergaria em Aregos.
​Esta albergaria tinha uma missão clara: acolher os viajantes, dar-lhes pouso seguro e, muito especialmente, servir os mais pobres e desvalidos, também nos tratamentos termais. Num tempo de grandes provações, este espaço funcionava como um porto de abrigo onde a caridade cristã se materializava em teto, comida e descanso.

​✅️✅️✅️ A Capela de Santa Madalena e o Amparo Espiritual
​A par do conforto do corpo, cuidava-se também do espírito. Junto a este complexo de assistência, erguia-se a Capela de Santa Madalena. A escolha da invocação, que alguns locais preferem trocar pela de Santa Luzia, não era ao acaso; Santa Madalena, associada à penitência e à redenção, oferecia o conforto espiritual necessário aos que enfrentavam as incertezas do caminho. Era ali, antes ou depois de enfrentar as águas do Douro, que os peregrinos e os habitantes elevavam as suas preces.
​Um Legado Imperecível.

​Hoje, evocar a memória de Dona Mafalda em Aregos é recordar um tempo em que a solidariedade moldava o território. A travessia do Douro, a barca, a albergaria dos pobres e a Capela de Santa Madalena, tudo espelhava a compaixão e a utilidade pública, demonstrando que, para a nobre rainha, o poder e a fé andavam de mãos dadas no serviço aos mais necessitados...
Mas não fique sem dizer que a ilustração "teatral", com a nossa "figurante" - exímia tocadora e soprano do grupo de cavaquinhos da Associação , também no comboio, na barca, e no piquenique que haveria de reforçar o alimento da alma e do corpo - ajudou muito à retenção destas "memórias" na nossa "memória".

Como aquelas e aqueles outros, de que adiante se falará.
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O historiador Joaquim Correia Duarte, membro da Academia Portuguesa de História, constitui a principal fonte do que, de forma divertida, todos foram ouvindo.

07/06/2026

Nos passos de Egas, Afonso, Mafalda e Eça – I

Apontamentos de mais uma iniciativa da Associação Porto de Baião.
Neste caso, por terras de Resende.

Entre cerejais e cavacas…

À semelhança do que tem vindo a ser feito na outra margem, na região, e noutros locais do país, nomeadamente na área da AMP, foi ontem mais um dia bem passado, com quatro dezenas de associados e amigos.

Sem prejuízo de outras notas mais sistematizadas, à medida que alguns registos dos participantes nos vão chegando, f**a, desde já, um fragmento ilustrativo da “leveza do que foi um dos primeiros quatro momentos mais importantes do passeio.

A maior parte dos nossos amigos já se tinha divertido à brava entre Campanhã e a Estação de Aregos (Tormes) onde se reuniram outros amigos vindos de Baião e de Vila Real.

30/05/2026

E os Amigos são mesmo assim: "nunca se esquecem dos seus Amigos!

Encontro Anual dos Associados e Amigos de Baião - Segunda Parte - VII

27/05/2026

E porque "nem só de pão vive o homem",
mas também... 😊

Encontro Anual de Baionenses e Amigos.

Parte III

24/05/2026

Encontro de Baionenses e Amigos de Baiâo.

Segunda Parte - V

As "Ilhas de Bruma" estarão sempre na lembrança da nossa Associação.

Foi a primeira vez que o Grupo de Cavaquinhos, "iniciantes e amadores" ousou corresponder a um convite para ajudar numa causa de natureza cultural, social e humana.

Muito em breve, e por razões algo semelhantes e diferentes, esta espécie de hino dos Açores vai integrar novamente o repertório de outra iniciativa.

21/05/2026

Que, em Baião não há poetas?

Que dizer, então, da obra de Ribeiro Dias (Viariz, Valadares) que, em 1948, foi galardoado com o mais alto Prémio Nacional, oficial, com o nome de Antero de Quental?

Nada mesmo do que o mesmo Prémio com que foi distinguido o maior poeta português contemporâneo: Fernando Pessoa!

Este foi, por isso, o nosso "momento de Poesia".

Grande Encontro dos Baionenses e Amigos, Porto de Baião - Parte II

Um Sonho das Espumas*

Hoje acordou o sonho que sonhamos ...

Árvores com a seiva entumecendo os ramos
E abrindo as folhas verdes,
sorviam as essências da ‘Natura’,
com os sabor da Graça e da quimera.

Sorviam luz e altura,
sorviam a Primavera .

Hoje acordou o vago sentimento,
já meio adormecido, lá no fundo.

E eu quis vaguear disperso, ir nas asas do vento,
para abranger o Mundo.

Quis imergir na essência indefinida
e murmurar no cântico das águas,
ser onda de alegria em que se fundem mágoas,
ser a nuvem de sonho, em que floresce a vida.

Quis, num raio de sol, beijar as folhas,
ser perfume da Terra, embriagando os céus
e as sombras do arvoredo, em que Virgílio passa.

Quis ver a onda viva, é indefinida Graça,
em que fulgura Deus.

Ribeiro Dias, A SEIVA DO MISTÉRIO, cap, II, Um Sonho das Espumas, poema nº 6, 1948

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*juntando uma referência, como já acontecera na Celebração, aos nossos Associados e Amigos que já partiram.

19/05/2026

Silêncio que se vai cantar um "Fado Açoriano"!

Encontro Anual de Baionenses e Amigos de Baião.

Segunda Parte - III

E sim, os "Olhos Negros" devem ser ouvidos "com devoção e silêncio" que, embora interpretados pelas "vozes amadoras" dos nossos amigos de São João de Ovil, @ Bartolomeu Pereira e de Gestaçô, José Ferraz, encantaram todos os participantes.

E o mais que se dirá, com outros números do "repertório" que vamos construindo, do "Cancioneiro dos Açores" que já contribuiram para uma causa nobre dos nosss amigos da CASA DOS AÇORES DO NORTE, e de que, mais adiante, se há-de voltar a falar...

(a seguir...)

Endereço

R. Eng. Ferreira Dias 924, 3. O , E41, Porto
Porto
4100-246

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