Fundação Marques da Silva

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Fundação Marques da Silva A Fundação Marques da Silva é uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos, instituída pela Universidade do Porto.

Acolhe documentação de Arquitetura e promove o seu estudo, debate e divulgação.

Laura Soutinho (1941-2026)Hoje é um dia triste como sempre são os dias em que se dá a notícia de uma despedida. Laura So...
29/10/2026

Laura Soutinho (1941-2026)

Hoje é um dia triste como sempre são os dias em que se dá a notícia de uma despedida. Laura Soutinho foi a grande companheira de vida de Alcino Soutinho e a mãe das suas duas filhas. Partilhou as lutas que foram as de uma geração, a do grupo de amigos a que sempre se manteve fiel, mas foi uma mulher de voz própria, com uma personalidade que não deixava ninguém indiferente. E se a elegância e a beleza eram uma sua condição natural, foi na Arte que encontrou o seu território de ação, deixando a sua marca sobretudo no meio cultural e artístico do Porto, em particular a partir da Cooperativa Árvore, onde assinou a curadoria de múltiplas exposições.

A Fundação Marques da Silva é o território comum dos arquitetos que formam o corpo vivo que são os seus arquivos, mas é igualmente o território daqueles em quem nela confiaram, aqui depositando memórias que eram também suas. Aqui se encontra o acervo de Alcino Soutinho, por vontade de Laura Soutinho e das suas filhas. Aqui se presta hoje uma sentida homenagem a quem ajudou a fazer este caminho e dele sempre continuará a fazer parte. À sua família, e em especial à Andrea e à Cláudia, deixamos os nossos sentimentos. «Os olhos de Laura Soutinho», que foram título de um belo texto de Valter Hugo Mãe, não serão esquecidos.

O velório terá lugar no Tanatório de Matosinhos entre as 20h00 e as 22h00 de hoje. Será retomado amanhã, dia 30 de outubro, a partir das 10h30, seguindo-se o funeral às 14h45 e a cremação, às 15h30.

Em dia de aniversário de Fernão Simões de Carvalho: a moradia no Restelo que foi Menção Honrosa do Prémio Valmor em 1978...
27/10/2026

Em dia de aniversário de Fernão Simões de Carvalho: a moradia no Restelo que foi Menção Honrosa do Prémio Valmor em 1978

Há casas cuja beleza começa no projeto. Assim o diz Eugénio de Andrade e assim é o caso desta Moradia que Fernão Simões de Carvalho começou a projetar em 1970 para o n.º 6-6A da rua que nesse preciso ano viria a receber o nome de João Bastos, no bairro residencial do Restelo, da freguesia de Belém, em Lisboa.

Simões de Carvalho, por esses anos, mantinha ainda uma ativa relação profissional com o território de Luanda, mas voltara para Portugal, em 1967, para chefiar o Gabinete Técnico da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa, função que manteria até 1975, em paralelo com o exercício da atividade liberal.

O projeto para construção desta moradia unifamiliar, apesar da natureza precisa do programa que segue (ou propõe), não respondia aos desejos de um cliente privado específico, mas resultou sim da encomenda de uma empresa do ramo da construção e investimento imobiliário, ativa em Portugal e em Angola, a Francisco Simão Portugal, S.A.R.L. Com uma volumetria assente num jogo de contrastes entre linhas retas e ortogonais com um corpo curvo, quase cilíndrico, e elementos escultóricos que subtilmente diluiam a resposta a funcionalidades como escoamento de águas ou encombrimento de equipamentos técnicos, a casa assumia, nas suas fachadas, a plasticidade do betão à vista, ritmada por uma textura ripada em madeira, solução que voltará a aplicar, por exemplo, na casa que para si projetará mais tarde em Queijas. Foi desenhada para responder a futuros habitantes de um alto nível económico, estendendo-se por três pisos: o rés-do-chão, para recepção e escritório; o piso intermédio, para as áreas de convívio social; e o piso superior, destinado aos quartos, ou seja, a zona de acesso privado. Foi igualmente prevista uma zona aberta de circulação automóvel que simultaneamente estabelecia a divisão com a área de serviços domésticos.

Assim, Simões de Carvalho concebeu um objeto arquitetónico alinhado com a linguagem moderna a que sempre se manteve fiel, de claras ressonâncias corbusianas no jogo de luz, proporção e forma dos espaços projetados.

Em 1978, o Júri do Prémio Valmor atribuiu-lhe uma menção honrosa. Coube ao arquiteto Cândido Palma de Melo justificar a distinção desta habitação, a par do projeto vencedor (o conjunto habitacional da rua Maria Veleda,de Fernando Silva) e da outra menção honrosa atribuída (o edifício de escritórios da rua Dr. António Cândido, de Ressano Garcia), invocando a sua simplicidade formal, a racionalidade e a pureza do traça arquitetónico de uma moradia "que tem muita força e é um exemplo de aplicação de materiais modernos". A Fundação Marques da Silva preserva apenas os desenhos do Anteprojeto, mas este foi um dos casos de estudo de Ivan Santos, na sua dissertação de Mestrado, Fernão Lopes Simões de Carvalho: Angola, Portugal e o betão aparente, onde se pode encontrar outros registos que os complementam.

Fernão Simões de Carvalho, que recentemente nos deixou, nasceu em Luanda, a 27 de outubro de 1929.

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Homenagem a Alexandre Alves Costa e Sergio FernandezFoi no passado sábado, no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbr...
26/10/2026

Homenagem a Alexandre Alves Costa e Sergio Fernandez

Foi no passado sábado, no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, a homenagem da CCDR Centro e do Património Cultural, I.P. aos arquitetos Alexandre Alves Costa e de Sergio Fernandez.

Um gesto de reconhecimento pelo contributo excecional deste dois arquitetos, que doaram os seus acervos à Fundação Marques da Silva, para a «valorização do património cultural, para o ensino da arquitetura e para a construção de uma cultura arquitetónica profundamente ligada à história, ao território e à identidade coletiva».

A iniciativa integrou o ciclo “Património ao Centro - Construções de uma Identidade”.

Manuel Mendes, «Continuidade que insiste através da mudança»ciclo «Últimas Aulas»28 de outubro, 18h, FAUP[apoio à divulg...
23/10/2026

Manuel Mendes, «Continuidade que insiste através da mudança»
ciclo «Últimas Aulas»
28 de outubro, 18h, FAUP
[apoio à divulgação]

Na próxima quarta-feira, será a vez de 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥 𝐌𝐞𝐧𝐝𝐞𝐬, Professor e Arquiteto que assina a investigação, organização, edição e notas do projeto editorial 𝘍𝘦𝘳𝘯𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘛á𝘷𝘰𝘳𝘢 . 𝘈𝘴 𝘙𝘢í𝘻𝘦𝘴 𝘦 𝘰𝘴 𝘍𝘳𝘶𝘵𝘰𝘴 . 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢 𝘥𝘦𝘴𝘦𝘯𝘩𝘰 𝘰𝘣𝘳𝘢, a publicar pela Fundação Marques da Silva em parceria com a FAUP e a UPorto.Press, proferir a sua «última aula»:

"Sublinho escola. Escola que nos marcou no quotidiano e na 𝘤𝘢𝘶𝘴𝘢, na vivência e no estudo, nas práticas do projecto, investigação, escrita.
*
Aprendizagem libertadora formação aberta que (e)laboraram comprometidas nesse e por esse praticar de (in)fidelidade que dá corpo ao agir da vocação que espacializa temporalizando e temporaliza espacializando – criação, pensamento, conhecimento.
*
Aprendizagem libertadora formação aberta que, na (des)locação projectiva de um 𝘤𝘰𝘮𝘶𝘮 que formou escola, cultivaram uma atenção futurante – condição mínima de "distância" operativa, de comunicação e intervenção de 𝘱𝘳𝘰𝘫𝘦𝘤𝘵𝘰 crítico aos futuros de figurino.
*
Comum alimento do gesto político que faz da arquitectura voz, comunicação, casa, na medida em que 𝘥𝘦𝘴𝘦𝘯𝘩𝘰 é sedimento e distância, construção corporal e mental, histórica e cultural – vida, como propositiva e sinteticamente lhe chamava Fernando Távora com uma naturalidade desconcertante."
— Manuel Mendes

Continua assim o ciclo «Últimas Aulas», que tem vindo a ser promovido pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, ao longo de 2026.

A sessão terá lugar no Auditório Fernando Távora. entrada é livre, sujeita à lotação do espaço.

+ info: https://sigarra.up.pt/faup/pt/noticias_geral.ver_noticia?p_nr=95725

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OBRA E CIRCUNSTÂNCIA – A Herança Comum de Távora, Siza e Souto MouraO Centro Português de Fotografia (CPF) vai inaugurar...
21/10/2026

OBRA E CIRCUNSTÂNCIA – A Herança Comum de Távora, Siza e Souto Moura

O Centro Português de Fotografia (CPF) vai inaugurar no próximo dia 24 de outubro a exposição de fotografias de Alessandra Chemollo com Ivana Barbarito e Giovanni Chiaramonte.

Um ponto de chegada ao Porto, para uma exposição que já passou por muitos lugares, desde o momento em que se deu a conhecer ao público, em Veneza, na Ca’ Pesaro, em 2003, no mesmo dia da atribuição da Laurea Honoris Causa a Fernando Távora pela IUAV, e na presença dos três arquitectos sobre cujas obras recaem as imagens expostas.

Tendo por finalidade primeira as monografias publicadas pela Electa Mondadori, estas são fotografias que não só retratam arquitetura, como dialogam com as linhas de investigação que as acompanha.

A exposição abre as suas portas neste próximo sábado, às 16h, na Antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, sede do Centro Português de Fotografia. A entrada é livre.

+ info: https://cpf.pt/obra-e-circunstancia-a-heranca-comum-de-tavora-siza-e-souto-moura/

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O encerramento das exposições temporárias.. mas continua a haver boas razões para visitar a FundaçãoA despertar interess...
19/10/2026

O encerramento das exposições temporárias.. mas continua a haver boas razões para visitar a Fundação

A despertar interesse até ao último instante, encerraram, na passada sexta-feira, as duas exposições temporárias que este ano, desde março se deram a conhecer: no Palacete Lopes Martins, 𝘍𝘳𝘰𝘯𝘵𝘪𝘴𝘱𝘪𝘦𝘤𝘦 | 𝘗𝘳𝘦𝘤𝘪𝘱𝘪𝘤𝘦; e na Casa-Atelier José Marques da Silva, 𝘌 𝘚𝘦?...𝘤𝘰𝘯𝘴𝘵𝘦𝘭𝘢çõ𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘮𝘰𝘥𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘷𝘪𝘷𝘦𝘳 𝘰 𝘦𝘴𝘱𝘢ç𝘰 𝘶𝘳𝘣𝘢𝘯𝘰. Receberam visitantes ocasionais e até grupos focados nas temáticas abordadas, desde doutorandos do Departamento de Arquitectura da Universidade Autónoma de Lisboa, em complemento a consultas em arquivo, a mestrandos da Escola das Artes da Universidade Católica no Porto.

Mas os portões vão manter-se abertos, de segunda à sexta-feira, entre as 14h00 e as 17h30, para quem quiser visitar ou revisitar 𝘔𝘢𝘳𝘲𝘶𝘦𝘴 𝘥𝘢 𝘚𝘪𝘭𝘷𝘢: 𝘳𝘦𝘵𝘳𝘢𝘵𝘰 𝘥𝘦 𝘶𝘮 𝘢𝘳𝘲𝘶𝘪𝘵𝘦𝘤𝘵𝘰, no Palacete Lopes Martins, ou tão só passear pelos jardins.

+ info sobre a exposição permanente: https://fims.up.pt/index.php?cat=46

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Em dia de aniversário de José Marques da Silva: da monarquia à república, os Monumentos ao Infante D. HenriqueExiste no ...
18/10/2026

Em dia de aniversário de José Marques da Silva: da monarquia à república, os Monumentos ao Infante D. Henrique

Existe no acervo de José Marques da Silva uma curiosa fotografia, inserida no processo do Concurso para o 𝐌𝐨𝐧𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐚𝐨 𝐈𝐧𝐟𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐃. 𝐇𝐞𝐧𝐫𝐢𝐪𝐮𝐞, com Marques da Silva e a sua filha, Maria José na frente de uma carrinha de transporte, a assistir (ou coordenar) uma operação de recolha (ou descarregamento) de telas de grande dimensão, consonantes aliás com os requisitos do programa e a monumentalidade da obra que o Estado Novo se propunha construir no mítico promontório em Sagres. As restantes fotografias associadas a este projeto apresentado a concurso sob a divisa «novos mundos ao mundo», em 1934, captam apenas espaços interiores (do atelier de arquitetura e do atelier de escultura), sendo inclusivamente possível, numa delas, identificar David Moreira da Silva.

A fotografia em si não tem uma data ou local inscritos, porém, é certo que Marques da Silva se candidatou ao primeiro concurso lançado pela Presidência do Conselho em 1933 (apenas executado em 1934) daquela que viria a ser conhecida como a «saga de Sagres», com o lançamento de novos concursos (1936, 1954, 1988) sem qualquer tradução material. Como certo é que as telas finais, maquetas e gessos, dos projetos concorrentes, deveriam ser expostos no Pavilhão do Parque Eduardo VII, em Lisboa, o que explica o recurso a um veículo da transportadora Costa Ramos, a única concessionária da carreira de transportes rodoviários entre Porto e Lisboa.

Não era, contudo, nem a primeira vez que Marques da Silva se dedicava a esta tipologia projetual específica nem a primeira vez que se dedicava a esta temática ligada ao ciclo de expansão marítima de Portugal e ao desejo de homenagear o Infante, cujas comemorações do V centenário do nascimento tinham sido centradas no Porto, a sua cidade natal, em 1894.

É durante o seu período de formação em Paris, em finais do século XIX, que José Marques da Silva, em parceria com o escultor António Teixeira Lopes, começou a projetar monumentos. Apresentou-se então a dois concursos: em 1893, sob a divisa «Portugal», ao 𝐌𝐨𝐧𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐚 𝐀𝐟𝐨𝐧𝐬𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐥𝐛𝐮𝐪𝐮𝐞𝐫𝐪𝐮𝐞, a construir em Lisboa; em 1894, sob a divisa «Lusitânia», ao 𝐌𝐨𝐧𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐚𝐨 𝐈𝐧𝐟𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐃. 𝐇𝐞𝐧𝐫𝐢𝐪𝐮𝐞, a construir no Porto, no antigo Largo da Ribeira, depois rebatizado Praça do Infante D. Henrique, no âmbito das já referidas celebrações henriquinas. Em nenhum deles se sagrou vencedor, mas com eles terá certamente adquirido uma experiência que viria a tornar-se essencial para os que, regressado a Portugal e na qualidade de arquiteto diplomado pelo governo francês, posteriormente viria a projetar, cerca de uma dezena entre Porto, Lisboa, Barcelos, Guimarães, Mesão Frio e Sagres, maioritariamente construídos.

Merecem especial destaque três destes projetos, por terem tido a sua génese em concursos públicos e pelas repercussões públicas que desencadearam: em 1909, o 𝐌𝐨𝐧𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐚𝐨𝐬 𝐇𝐞𝐫ó𝐢𝐬 𝐝𝐚 𝐆𝐮𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐏𝐞𝐧𝐢𝐧𝐬𝐮𝐥𝐚𝐫, desenvolvido com o escultor Alves de Sousa, ostentando a divisa «Povo e Tropa» (projeto vencedor e uma referência urbana da cidade do Porto, finalizado somente em 1952); em 1914, o 𝐌𝐨𝐧𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐚𝐨 𝐌𝐚𝐫𝐪𝐮ê𝐬 𝐝𝐞 𝐏𝐨𝐦𝐛𝐚𝐥, também com Alves de Sousa, para Lisboa, sob a divisa «Cuidar dos Vivos» (o Júri, presidido por José Luís Monteiro, numa decisão altamente contestada por várias figuras públicas que defendiam a superioridade do seu projeto, entre elas António Arroyo, atribuiu-lhe o 2.º lugar); e em 1934 o já referido 𝐌𝐨𝐧𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐒𝐚𝐠𝐫𝐞𝐬, para o concurso que elegeria como vencedor o projeto do arquiteto Carlos Rebelo de Andrade e do escultor Rui Gameiro, e cujas peças das projetos concorrentes seguiram, em 1940, por decisão da Direção Geral da Fazenda Pública, para o Museu da Marinha, então em organização, o que também ajuda a explicar a ausência de maquetas, contrariamente aos anteriores projetos, no acervo hoje preservado na Fundação, com a exceção de uma pequena estatueta a figurar o Infante.

Quarenta anos distam entre as duas abordagens de Marques da Silva à figura do Infante D. Henrique. Ficaram ambas no papel, mas vale a pena confrontar o monumento proposto pelo jovem de 25 anos, destinado a um território urbano, e aquele que vai desenvolver enquanto arquiteto experiente de 65 anos, para ser perspetivado a partir do mar. Há evidentes diferenças que não decorrem somente do facto de obedecerem a propósitos e circunstâncias distintas. Percebe-se a passagem do tempo, mesmo sem apagar o gesto autoral. No entanto, um e outro, enquanto «monumentos escultóricos», tentam cumprir esse desejo de glorificação de uma memória coletivamente partilhada, que de acordo com os respetivos regimes políticos se pretendia firmar e deixar como legado para a posteridade através de uma grande edificação; e ambos foram pensados por Marques da Silva para além da sua função simbólica e metafórica, como «âncoras» visuais e físicas, catalisadoras e ordenadoras de novas centralidades no território a que se destinavam.

José Marques da Silva nasceu no Porto a 18 de outubro de 1869.

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Em dia de aniversário de Filipe Oliveira Dias: Conjunto Habitacional Monte de São João, o prazer de projetar um lugar pa...
16/10/2026

Em dia de aniversário de Filipe Oliveira Dias: Conjunto Habitacional Monte de São João, o prazer de projetar um lugar para se viver bem

«O Monte de S. João é um local para se viver bem.» Assim começou Filipe Oliveira Dias por apresentar este projeto de urbanização social promovido pelo Município do Porto, desenvolvido no seu atelier em parceria com Rui Almeida, no livro 15 𝘢𝘯𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘰𝘣𝘳𝘢 𝘱ú𝘣𝘭𝘪𝘤𝘢. Frase que encerra a crença norteadora dos seus autores de que a qualidade da arquitetura, enquanto direito de todos e condição propiciadora de vida, não deveria ser comprometida pela contenção de custos inerente a estes empreendimentos, até porque sempre defenderam que era no desenho de arquitetura que assentava a racionalidade e o conforto a sentir quotidiamente por cada uma das famílias que o iriam habitar.

A obra concluiu-se em 2004. A poucos dias da sua inauguração, em julho desse ano e mesmo antes de receber os primeiros moradores, a qualidade do projeto arquitetónico e a exemplar integração urbanística do bairro tinham sido já reconhecidas com a atribuição do Prémio do Instituto Nacional de Habitação, na categoria «Promoção Municipal». O processo remonta, contudo, aos anos 90 do século XX, altura em que a sua construção foi equacionada ao abrigo do Programa Especial de Realojamento (PER), lançado pelo Governo em 1993, com o intuito de erradicar barracas e construções precárias. Terá sido por então que a Empresa Municipal de Habitação decidiu intervir na zona localizada entre as as ruas do Monte de S. João e a Rua de São Veríssimo, junto à Quinta do Covelo e da entrada na Via de Cintura Interna.

Concluído o levantamento topográfico e tirando partido dos desníveis do terreno, desenvolveu-se o projeto de arquitetura para construção de 55 habitações, distribuídas por 3 blocos servidos por escadas, elevadores e galerias de transição entre espaços privados e áreas de uso comum, cuja disposição permitiu criar, em cotas diferenciadas, duas praças, com bancos, canteiros e iluminação própria. A nova urbanização social incluia ainda espaços comerciais, lugares de garagem cobertos, um espaço de associação de moradores, um de administração de condomínio e um ATL. Mais do que pensar num conjunto que se fecha sobre si próprio, os seus autores perseguiram a vontade de criar um tecido urbano convivial, disponível ao encontro e capaz de favorecer um sentido de comunidade. Também o jogo volumétrico obtido pela articulação dos 3 blocos, sublinhado pelo recurso a diferenciações de cor e textura dos materiais cerâmicos de revestimento das fachadas, tinha sido cuidadosamente pensado, de forma a proporcionar não só uma leitura dinâmica, como para reforçar a identidade e coerência visual do conjunto.

Não obstante a dimensão da obra projetada por Filipe Oliveira Dias, responsável pelo projeto e construção de importantes equipamentos públicos, entre outros, teatros, piscinas e edifícios dedicados ao ensino, este arquiteto sempre fez questão de incluir o Conjunto Habitacional Monte São João entre os trabalhos que mais valorizava. Hoje, continua a ser prova de que é possível investir na habitação social de forma controlada e sem abdicar de uma arquitetura pautada por critérios de exigência e de qualidade, a pensar nas pessoas, na comunidade, na cidade e na vida que nela decorre.

Filipe Oliveira Dias nasceu no Porto a 16 de outubro de 1963.

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𝗣𝗿𝗲́𝗺𝗶𝗼 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗔𝗿𝗾𝘂𝗶𝘁𝗲𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗝𝗼𝗮̃𝗼 𝗔́𝗹𝘃𝗮𝗿𝗼 𝗥𝗼𝗰𝗵𝗮Submissão de candidaturas até 31 de outubro(apoio à divulgação)O pra...
15/10/2026

𝗣𝗿𝗲́𝗺𝗶𝗼 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗔𝗿𝗾𝘂𝗶𝘁𝗲𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗝𝗼𝗮̃𝗼 𝗔́𝗹𝘃𝗮𝗿𝗼 𝗥𝗼𝗰𝗵𝗮
Submissão de candidaturas até 31 de outubro
(apoio à divulgação)

O prazo para apresentação de candidaturas à 3.ª edição deste Prémio aproxima-se do fim, mas até 31 deste mês ainda o pode fazer no portal: https://pma.joaoalvarorocha.pt/

A obra pode assumir qualquer forma, dimensão ou função. Mais do que o programa ou a escala da intervenção, o Prémio procura distinguir a excelência arquitetónica e urbanística e valorizar o impacto das obras após a sua concretização, reconhecendo a sua relevância social, cultural e territorial.

Promovido pela Câmara Municipal da Maia, o 𝗣𝗿𝗲́𝗺𝗶𝗼 𝗠𝘂𝗻𝗶𝗰𝗶𝗽𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗔𝗿𝗾𝘂𝗶𝘁𝗲𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗝𝗼𝗮̃𝗼 𝗔́𝗹𝘃𝗮𝗿𝗼 𝗥𝗼𝗰𝗵𝗮, de periodicidade bienal, é organizado pela APJAR – Associação Pró-Arquitetura João Álvaro Rocha, com o apoio da Ordem dos Arquitectos Secção Regional do Norte - OASRN.

Fotografia: Clínica obstétrica Dr.ª Delfina Leite (2000-2001), arq. João Álvaro Rocha.

Redesenhar edifícios de Marques da Silva para aprender com os seus projetos e interpretar os seus sistemas construtivosA...
14/10/2026

Redesenhar edifícios de Marques da Silva para aprender com os seus projetos e interpretar os seus sistemas construtivos

Arrancou ontem o trabalho de campo do projeto que os alunos de 2.º ano do Curso de Arquitectura da FAUP, no contexto da disciplina de Construção, vão, este ano, desenvolver sobre edifícios projetados ou intervencionados por José Marques da Silva na cidade do Porto. Um trabalho que decorre sob orientação dos docentes António Neves, Joaquim Teixeira, Hugo Natário e Sérgio Costa, e que conta com o apoio da Fundação Marques da Silva.

Por estes dias, cerca de 170 estudantes vão redesenhar pormenores construtivos, estudar e registar a sua passagem por um périplo de 11 espaços: as casas-sede da Fundação Marques da Silva, na Praça do Marquês, a Casa-Atelier José Marques da Silva e o Palacete Lopes Martins; a sede da atual Ordem dos Enfermeiros (moradia Augusto Leite da Guimarães); a Estação S. Bento; o auditório paroquial de Cedofeita (anterior nave da Igreja projetada por Marques da Silva); a Sala dos Retratos da Irmandade da Lapa; a sede do Sindicato Nacional dos Bancários (edifício-quarteirão do Conde de Vizela); o Teatro Nacional S. João; as Escolas Secundárias Alexandre Herculano e Rodrigues de Freitas; e Serralves.

Uma aprendizagem prática sobre sistemas estruturais e construtivos, a partir da ideia e da materialidade percetível em espaços interiores destes edifícios que tem ainda como ambição, poder extravasar o contexto académico para ser futuramente apresentada à comunidade.

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Endereço

Praça Do Marquês De Pombal, 30-44/Rua Latino Coelho, 444
Porto
4000-390

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 18:00
Terça-feira 09:00 - 18:00
Quarta-feira 09:00 - 18:00
Quinta-feira 09:00 - 18:00
Sexta-feira 09:00 - 18:00

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