Fundação Marques da Silva

Fundação Marques da Silva A Fundação Marques da Silva é uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos, instituída pela Universidade do Porto.

Acolhe documentação de Arquitetura e promove o seu estudo, debate e divulgação.

Em dia de aniversário de Fernando Távora: nas voltas do tempo«Távora chez Cavacas»  – recostado num sofá que o braço dei...
25/08/2026

Em dia de aniversário de Fernando Távora: nas voltas do tempo

«Távora chez Cavacas» – recostado num sofá que o braço deixa adivinhar, óculos na ponta do nariz, rugas marcadas na testa de um rosto de expressão algo enigmática, cabelo em desalinho. Na casa do casal de arquitetos Cecília e Rogério Cavaca, um desenho de Álvaro Siza a caneta de tinta sobre folha de papel, registo de um momento de descontraída convivialidade entre amigos. Um dos muitos que Siza foi fazendo ao longo dos anos e nas mais variadas circunstâncias de uma cultivada proximidade. Neste, um pormenor importante o distingue: a nota manuscrita de Távora, no seu verso – «Depois de jantarmos no Graam’s [sic] recolhemos a casa dos Cavacas. Siza, casal Cavaca, casal Távora. E o retrato surgiu como muitas vezes surgira. Mais um. Mas não de 1999 mas a 1991. Como estaremos em 99? F.T., 16.11.1991».

Reflexo do gesto compulsivo que se fecha na datação do desenho, Siza, como que denunciando uma indecisão última, aponta para um 9 em lugar do 1. Dir-se-ia que é na ambiguidade sugerida que Távora encontra a motivação para questionar o insondável devir do tempo, mostrando como apesar de tão comprometido com o seu presente, nessa irreprimível ânsia de o compreender e de sobre ele agir, não resiste a interrogar-se sobre o sentido existencial da(s) sua(s) vida(s). Um olhar de inquietação, de poética nostalgia, de sedutora curiosidade sobre o futuro?... Certo é que o desenho acabou por ser um dos escolhidos para constar da sua grande exposição retrospectiva, em 1993, no CCB: 𝘗𝘦𝘳𝘤𝘶𝘳𝘴𝘰, uma exposição nascida da permanência no tempo, da consistência do seu caminho. Inseriu-o no núcleo «III – A Figura», acompanhado de uma legenda que o datava de…1992. De novo apanhado nas voltas do tempo!

À expectativa do jogo lançado por Távora, em novembro de 1991, respondeu a passagem dos anos. Em 1993, proferirá ainda a sua Última Aula, na Universidade do Porto, mas continuará a ensinar, a projetar, a escrever, a expor, bem para além dessa data, cruzando mesmo o milénio. De igual forma, o casal Cavaca e Álvaro Siza mantiveram-se próximos e cúmplices.

Na idiossincrasia das três datas que o acompanham, o desenho continua aberto a novos olhares, a outras interrogações. Encontra-se agora na Fundação Marques da Silva.

Fernando Távora nasceu no Porto, a 25 de agosto de 1923.

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A Feira do Livro do Porto está de regresso aos Jardins do Palácio de Cristal e a Fundação Marques da Silva volta a estar...
21/08/2026

A Feira do Livro do Porto está de regresso aos Jardins do Palácio de Cristal e a Fundação Marques da Silva volta a estar presente. Não deixe de procurar, entre os 144 stands presentes na Avenida das Tílias, os vários títulos editados com a chancela desta Fundação, ou por ela apoiados, incluindo o mais recente lançamento da coleção de postais, que se pode encontrar no Pavilhão da Universidade do Porto.

Até 6 de setembro, é mais uma edição a não perder, com uma homenagem à poeta portuense Inês Lourenço e um Festival Literário associado.

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Uma «linha de costura» em dia mundial da fotografia «linha de costura» reúne fotografias e haikai que resultam da passag...
19/08/2026

Uma «linha de costura» em dia mundial da fotografia

«linha de costura» reúne fotografias e haikai que resultam da passagem pelos espaços da Fundação Marques da Silva de um grupo de pessoas unidas pelo gesto e pelo gosto de fotografar.

Uma nova publicação que se dá a conhecer hoje, dia mundial da fotografia.

A descobrir aqui: https://issuu.com/fundacaomarquesdasilva/docs/_linha_de_costura_

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Em dia de aniversário de Octávio Lixa Filgueiras: o IMPAR/GTIM e o Museu da Literatura que não chegou a acontecer no Por...
16/08/2026

Em dia de aniversário de Octávio Lixa Filgueiras: o IMPAR/GTIM e o Museu da Literatura que não chegou a acontecer no Porto

Em fevereiro de 1977, foi criado um Grupo de Trabalho Inter-Ministerial (GTIM) que, sob coordenação do Professor Arq.to Octávio Lixa Filgueiras, teria como objetivo mapear, em todo o território nacional, os Imóveis do Património Arquitectónico a Recuperar (IMPAR), delineando simultaneamente o respetivo programa de ações de promoção turístico-cultural e outras, desde que compatíveis com a índole e valia dos imóveis a proteger e/ou funcionalmente reconfigurar.

O despacho conjunto foi emitido pelo Ministério da Educação e Investigação Científica, pela Secretaria de Estado da Cultura, pelo ENATUR, pela Direcção-Geral de Turismo, pelo Ministério das Obras Públicas, pela Secretaria da Habitação, Urbanismo e Construção, e pela Secretaria de Estado da Administração Regional e Local. Entidades refletidas na composição da equipa formada, para além do seu coordenador, por Sérgio Palma Brito (ENATUR), Jorge Santos Costa (D-G do Turismo), Fernando Peres (MOP), Cabeça Padrão (MHUC) e Pedro Cid (SEARL), Posteriormente, mas ainda numa fase inicial do trabalho, foram agregados Bairrão Oleiro, pela sua reconhecida competência como arqueólogo, e José Pires Martins, para secretariar as sessões. Já o Trabalho de Campo, que decorreu entre março e agosto desse mesmo ano, igualmente sob coordenação de Octávio Lixa Filgueiras, contou com a colaboração dos arquitetos Manuel Fernandes de Sá e Nuno Guedes de Oliveira, e do desenhador Marco António Costa.

A nomeação de Octávio Lixa Filgueiras surge como um desdobramento natural do caminho que este arquiteto tinha vindo a percorrer: durante os anos 50, passara pela DGEMN e participara no Inquérito à Arquitectura Popular, sendo responsável pela Zona II (Trás-os Montes e Alto Douro); na década seguinte, na Escola Superior de Belas Artes do Porto, enquanto docente da cadeira de Arquitectura Analítica, implementara a inovadora experiência pedagógica dos «Inquéritos Urbanos»; e desde 1967 e até à extinção em 77 da Junta Nacional da Educação (JNE), fora vogal da secção do Património Arquitetónico/Urbanístico.

A atividade desenvolvida pelo GTIM encontra-se profusamente documentada no Arquivo Profissional de Octávio Lixa Filgueiras doado à Fundação Marques da Silva e vale a pena ser consultada, pois revela as várias facetas do que foi levado a cabo por esta equipa, desde a expectável componente operativa do trabalho (entre registos relativos à definição de modelos organizativos, metodologias aplicadas e ações realizadas), ao papel essencial de mediador que este Grupo desenvolveu, no que à defesa do património cultural lato sensu (edifícios, objetos, aglomerados, paisagem urbana…) dizia respeito, conectando os múltiplos organismos públicos (do poder central e municipal) e organismos privados (culturais, científicos e profissionais), sobretudo num período em que a extinção da JNE fizera recair sobre as autarquias competências que não só não tinham sido preparadas para assumir, como enfrentavam um desfasamento entre estruturas de decisão superiores e a legislação aplicável.

É nas cerca de duas centenas de casos inventariados pelo GTIM (em fichas descritivas individuais, acompanhadas de plantas, mapas de inserção urbana, levantamento fotográfico, cronologia de ações e propostas finais, agrupadas em função de 6 categorias: A - Turismo / B - Cultura / C - Serviços / D - Social / E - Ensino / F – outros) que se incluem os dossiers relativos a 9 imóveis no Porto, a cidade natal e de formação de Lixa Filgueiras: para fins Turísticos, o Palácio do Freixo, o Mercado Ferreira Borges, o Solar do Vinho do Porto e o Castelo de S. João Novo; na categoria B, fins culturais, a Alfândega do Porto, a Cadeia da Relação e o Edifício do Frigorífico do Peixe de Massarelos; por fim, na categoria C, destinados a Serviços, o Mosteiro de S. Bento da Vitória e o Castelo de São João da Foz. Hoje, quase 50 anos passados, com a exceção do Solar do Vinho do Porto, encerrado em 2012, todos (re)conquistaram uma forte presença urbana. Porém, se alguns não deixaram de cumprir o futuro então proposto, outros seguiram rumos bem diferentes. Refira-se, a título de exemplo, o edifício da Cadeia da Relação, onde se encontra atualmente instalado o Centro Português de Fotografia, ou o Mosteiro de São Bento da Vitória, agora partilhado pelo Arquivo Distrital do Porto e pelo Teatro Nacional São João, depois de nele ter estado a funcionar a Orquestra Nacional do Porto.

Em 1977, a Antiga Cadeia da Relação, desativada em 1974, poucos dias após o 25 de Abril, encontrava-se ainda parcialmente ocupada por algumas famílias desalojadas e a necessitar tanto de obras, quanto de um novo programa funcional. As suas características morfológicas (uma arquitetura de «natureza agressivo-repressiva») e localização (próxima da Universidade), levaram este Grupo de Trabalho a defender que este seria o lugar ideal para acolher o núcleo central de um Museu da Literatura. E mais: poderia até aproveitar-se o vizinho e muito degradado Mosteiro de S. Bento da Vitória, considerado inviável (por razões arquitetónicas e financeiras) como adaptação a Faculdade de Letras, para receber simultaneamente uma extensão desse Museu (a Biblioteca) e a sede a norte da Secretaria de Estado da Cultura. Desenhada com o aval do Delegado Regional, Rui Feijó, a proposta final de afetar a gestão conjunta destes dois imóveis à SEC, com o intuito de aí instalar o novo Museu no Porto, foi dirigida a David Mourão-Ferreira, figura tutelar deste organismo, ainda durante o mês de julho e chegou a estar inscrita no programa do governo. Seguiu assinada por Octávio Lixa Filgueiras (um arquiteto que também escrevia, com um livro de poesia publicado) e aí se defendia o pressuposto que a Cadeia representava uma eficaz metáfora do «contraponto entre as tentativas (os hábitos inquisitoriais de todas as épocas) para jugular o natural anseio de busca de novos e mais amplos ideários e a constante luta por uma emancipação das mentalidades e correlativas liberdades de expressão (…)» patente nas obras de muitos autores. Além disso, a nova estrutura museológica deveria ainda expandir-se em rede com outros espaços de celebração de figuras marcantes da literatura e do pensamento português como a Casa de Camilo, de António Sérgio, de Aquilino Ribeiro, de Raúl Brandão...

Ambos os edifícios vieram a ter a tão desejada intervenção e refuncionalização, em tempos diferenciados e acolhendo projetos culturais, mas a hipótese agregadora de criação do Museu da Literatura foi abandonada, da mesma forma que a futura DRCN encontrou outra morada. Aliás, Octávio Lixa Filgueiras, acabou por, entre 1978 e 1981, vir a integrar o Gabinete do Secretário de Estado da Cultura sendo-lhe atribuído o encargo de acompanhar a passagem da DRCN para a Casa de Ramalde. Não obstante o abandono dos planos propostos, é plausível avançar que terá sido este processo a desencadear a classificação direta pelo Estado da Igreja e do Mosteiro de S. Bento da Vitória, nesse mesmo ano de 1977* (a Cadeia, era Imóvel de Interesse Público desde 1933, pelo que já possuía um mecanismo de proteção). Já a cidade, por sua vez, por outras vias e modelos, não deixa de continuar a expressar a relevância da literatura na sua memória ou na sua atual dinâmica urbana. Basta ver o sucesso do formato da Feira do Livro que a Câmara Municipal tem vindo anualmente a organizar ou o impacto público de muitos outros projetos que têm vindo a acontecer, ligados ao universo literário.

Neste já longo destaque, não deixa de ser relevante sublinhar que Octávio Lixa Filgueiras fez questão de evocar, na apresentação do Relatório Final do GTIM, a memória de Francisco Keil do Amaral, «a quem teria muita honra em dedicar a parte havida em mais esta lança quebrada contra velas de moinhos...». E que, por essa altura, acompanhou a apresentação em Portugal da exposição do Conselho da Europa «Um Futuro para o Nosso Passado», entretanto acrescida de um núcleo dedicado ao património português, aquando da sua vinda a Lisboa, sob o patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Comissão Nacional do Ano do Património Arquitectónico Europeu; exposição essa que percorreu outros territórios do país, incluindo o Porto (no MNSR), e ajuda a contextualizar também a criação e o trabalho deste Grupo. Até ao final da sua vida, Lixa Filgueiras manteve-se um agente ativo na proteção do património, tendo exercido, de 1985 a 1993, as funções de membro do Conselho Consultivo do IPPC.

Octávio Lixa Filgueiras nasceu no Porto, a 16 de agosto de 1922.


* Pelo mesmo despacho (decreto n.º 129/77) serão igualmente classificados como Imóveis de Interesse Público, só no Porto, a Casa do Despacho da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, a Casa Dr. Domingos Barbosa (atual Museu de Guerra Junqueiro), a Casa da Prelada, a Casa de Ramalde, o Edifício do Frigorífico do Peixe, a Igreja da Misericórdia, a Igreja de Santo Ildefonso, a Igreja de S. João Baptista e o Palácio de S. João Baptista, na Foz, num gesto de reconhecimento de valor patrimonial a um espectro mais alargado de arquiteturas barrocas, incluindo algumas já modernas.

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Prémio Municipal de Arquitectura João Álvaro Rocha - 3.ª edição𝘈𝘣𝘦𝘳𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘥𝘦 𝘊𝘢𝘯𝘥𝘪𝘥𝘢𝘵𝘶𝘳𝘢𝘴 (apoio à divulgação)Até dia 31 d...
05/08/2026

Prémio Municipal de Arquitectura João Álvaro Rocha - 3.ª edição
𝘈𝘣𝘦𝘳𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘥𝘦 𝘊𝘢𝘯𝘥𝘪𝘥𝘢𝘵𝘶𝘳𝘢𝘴
(apoio à divulgação)

Até dia 31 de outubro de 2026, podem candidatar-se a este Prémio Edificações e Espaços Públicos construídos no Concelho da Maia entre 31 de outubro de 2016 e 31 de outubro de 2023.

As candidaturas podem ser apresentadas pelos arquitetos, proprietários ou construtores das obras e devem ser submetidas por via digital, através do portal https://pma.joaoalvarorocha.pt/, onde se encontra disponível toda a informação necessária à sua instrução.

O júri é presidido pelo Presidente da Câmara Municipal da Maia, Eng. António Domingos da Silva Tiago, e constituído pelos arquitetos José Mateus, em representação da APJAR – Associação Pró-Arquitectura João Álvaro Rocha, José Godinho, pela Ordem dos Arquitectos Secção Regional do Norte - OASRN; e Luís Filipe Ramalhão e Nuno Lopes, pela Câmara Municipal da Maia.

Este Prémio distingue-se por valorizar o período pós-construção, privilegiando a capacidade de resposta da obra aos propósitos que estiveram na origem da sua encomenda. Assim, para além das qualidades arquitetónica e urbanística, serão especialmente consideradas a sua função social, cultural, bem como a sua inserção urbana.

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A Fundação em tempo de férias de verãoHoje é o último dia para visitar as exposições e os jardins da Fundação Marques da...
31/07/2026

A Fundação em tempo de férias de verão

Hoje é o último dia para visitar as exposições e os jardins da Fundação Marques da Silva, antes do encerramento de agosto. Até ao dia 14 deste mês, apenas o Arquivo se manterá aberto para receber investigadores; na segunda quinzena, a Fundação entrará em pausa para férias de verão.

O regresso está marcado para o dia 1 de setembro. Entretanto, acompanhe-nos nas redes sociais, onde continuaremos a partilhar novidades.

Fotografia: © oficina.arte.descoberta

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 #04 | arranjo urbano do bairro do Lagarteiro: Projeto de execução, Planta de Pavimentos, maio de 1998Há bairros que se ...
29/07/2026

#04 | arranjo urbano do bairro do Lagarteiro: Projeto de execução, Planta de Pavimentos, maio de 1998

Há bairros que se transformam quando quem os desenha e pensa começa a ouvir quem os usa e habita.

Na exposição 𝘌 𝘚𝘦?... 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘵𝘦𝘭𝘢çõ𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘮𝘰𝘥𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘷𝘪𝘷𝘦𝘳 𝘰 𝘦𝘴𝘱𝘢ç𝘰 𝘶𝘳𝘣𝘢𝘯𝘰, no núcleo “Modos de Viver em Conjunto”, encontra-se a planta do Arranjo Urbano do Bairro do Lagarteiro, um projeto de Manuel Botelho, datado de 1997. Estamos perante uma peça que nos convida a olhar para o bairro como um espaço de experiência quotidiana e de convivência possível. Estava em causa reorganizar os espaços exteriores do bairro municipal, valorizando percursos pedonais, áreas de recreio e lugares de encontro, isto é criar relações de vizinhança, ao mesmo tempo que se procurava reduzir a presença dominante do automóvel.

Mais do que redesenhar vazios, a proposta pretendia criar uma paisagem urbana mais legível e mais generosa para quem a percorre a pé. Pequenos edifícios de apoio, zonas de lazer e uma estrutura mais clara dos interstícios existentes ajudariam a dar forma a um quotidiano mais próximo, mais aberto e mais partilhado entre gerações.

Ao observar esta planta, percebemos que o urbanismo também pode acontecer e defender a escala íntima: no modo como se atravessa um espaço, no lugar onde se pára, no desenho de uma zona de sombra ou de recreio. É nesse tipo de gesto que o projeto ganha força, porque não procura apenas organizar o bairro — procura imaginar uma forma mais amigável de o habitar, de o viver.

+ info: https://fims.up.pt/index.php?cat=5

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Exposição | 𝘈𝘯𝘵ó𝘯𝘪𝘰 𝘔𝘦𝘯é𝘳𝘦𝘴 - 𝘗𝘦𝘳𝘤𝘶𝘳𝘴𝘰𝘴 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘈𝘳𝘲𝘶𝘪𝘵𝘦𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘗𝘰𝘱𝘶𝘭𝘢𝘳 𝘯𝘰 𝘋𝘰𝘶𝘳𝘰28 de julho a 31 de agosto, CIMD, ArmamarInaugu...
28/07/2026

Exposição | 𝘈𝘯𝘵ó𝘯𝘪𝘰 𝘔𝘦𝘯é𝘳𝘦𝘴 - 𝘗𝘦𝘳𝘤𝘶𝘳𝘴𝘰𝘴 𝘱𝘦𝘭𝘢 𝘈𝘳𝘲𝘶𝘪𝘵𝘦𝘵𝘶𝘳𝘢 𝘗𝘰𝘱𝘶𝘭𝘢𝘳 𝘯𝘰 𝘋𝘰𝘶𝘳𝘰
28 de julho a 31 de agosto, CIMD, Armamar

Inaugura hoje, no CIMD (Centro Interpretativo da Mulher Duriense), esta exposição de fotografias de António Menéres, que mostra a riqueza da Arquitetura Popular duriense, a sua identidade, em íntima ligação à paisagem e aos modos de vida da região.

Ás 17h30, António Menéres, arquiteto que recentemente doou o seu acervo profissional à Fundação Marques da Silva, será também o convidado de mais uma sessão de Conversas à Terça, moderada por Fernando Seara, diretor do Museu do Douro. .

+ info: https://daodigital.pt/noticia.php?Armamar:_Centro_Interpretativo_mostra_exposi%C3%A7%C3%A3o_sobre_arquitetura_popular_do_Douro&id=13613

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 #03 | uma Torre para AveiroHá objetos que parecem guardar uma pergunta sobre o que poderia ter sido diferente, e há per...
22/07/2026

#03 | uma Torre para Aveiro

Há objetos que parecem guardar uma pergunta sobre o que poderia ter sido diferente, e há perguntas que continuam a ecoar muito para além do projeto, mesmo quando este ficou por concretizar.

Ao percorrer a exposição𝘌 𝘚𝘦?... 𝘤𝘰𝘯𝘴𝘵𝘦𝘭𝘢çõ𝘦𝘴 𝘥𝘦 𝘮𝘰𝘥𝘰𝘴 𝘥𝘦 𝘷𝘪𝘷𝘦𝘳 𝘰 𝘦𝘴𝘱𝘢ç𝘰 𝘶𝘳𝘣𝘢𝘯𝘰, no núcleo “Modos de Encenar a Cidade”, deparamo-nos com a reprodução de uma película fotográfica da maquete da torre projetada por Fernando Távora para o centro de Aveiro. É uma dessas peças que nos confrontam com a possibilidade de uma cidade diferente. Pensada entre 1962 e 1967, a proposta previa um edifício vertical, a incluir escritórios e hotel, capaz de marcar a paisagem urbana e de afirmar uma nova presença arquitetónica bem no coração da cidade. Mais do que um volume isolado, a torre surgia como um ícone urbano: um ponto de referência visível a partir da ria, do canal central e da malha urbana envolvente. Um catalisador do olhar e uma afirmação de uma centralidade simbólica.

Ao aproximarmo-nos dela, não vemos apenas um edifício que ficou suspenso na sua imaterialidade, vemos uma forma de ensaiar futuros, uma vontade de transformar Aveiro através da arquitetura, colocando em diálogo a modernidade, o território e um sentido de cidade.

+ info: https://fims.up.pt/index.php?cat=5

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Em dia de aniversário de António Cardoso: a centralidade da arte Poder-se-ia talvez dizer que o percurso de António Card...
21/07/2026

Em dia de aniversário de António Cardoso: a centralidade da arte

Poder-se-ia talvez dizer que o percurso de António Cardoso foi marcado por uma tranquila inquietação. Entre uma vida pessoal que teve nas raízes amarantinas, na família e nas viagens as suas âncoras, e uma vida pública marcada pela serena conquista de um crescente reconhecimento académico e da sua erudição nos meios sociais que frequentou, sempre se manteve, afinal, fiel a uma intrínseca sensibilidade artística, que acabou por se tornar o grande catalisador das suas ações, a força impulsionadora e congregadora de uma poliédrica produção. O fenómeno estético, analisado a partir de um ponto de vista histórico ou reflexivo, em contraponto ao que decorre da sua fruição e experiência prática permitiu-lhe cruzar sentidos, emoção e racionalidade, ou seja, perseguir uma compreensão global da arte e do seu poder de expressão.

A Arte e a Arquitetura constituíram a matéria privilegiada de estudo e de produção científica: seja na perspetiva analítica do historiador, seja na do leitor atento do seu tempo, aquele que observa, reflete e escreve sobre obras e artistas que acompanha, promove ou coleciona. E porque António Cardoso foi um pensador orientado para a ação e para o outro, tornou-se um pragmático e bem-sucedido mediador das matérias que abordou ou despertaram o seu interesse. Qualidades evidenciadas como professor ou comunicador, mas também como «fazedor», pois demonstrou ter a capacidade de concretizar ações de real impacto cívico: basta citar o papel desenvolvido na afirmação do Museu de Arte Moderna de Amarante – Amadeo de Souza Cardoso ou na criação da Fundação Marques da Silva.

Só que em António Cardoso conviveu não apenas o intelectual de carreira, mas o artista com uma irreprimível disponibilidade para a criação, refletida numa prolífica produção artística enquanto pintor. A pintura tornou-se uma forma permanente e urgente de expressão artística e pessoal, cuja aprendizagem e prática iniciou ainda nos anos 50, na Academia Alvarez, e nunca mais abandonou até ao fim dos seus dias. Ela tornou-se o espaço de materialização da sua íntima visão do mundo, uma visão sensorial, necessariamente intersectada pelas suas vivências e vasto conhecimento, moldada por uma compreensão e problematização do próprio processo, em constante movimento e biunívoca contaminação. Interpretá-la passa por equacionar este oscilar de papéis e perspetivas, o que delas transporta para esta faceta do seu trabalho e o que dele extrai no sentido inverso. A sua pintura foi-se transformando e procurando novos caminhos ao ritmo dessa dinâmica pessoal, mantendo-se sempre, de alguma maneira, conectada com a realidade que o cerca, com o que ia observando ou experimentando.

A opção de reproduzir uma sua obra da série Colagens e Reciclagens, de 2005, de cores vibrantes e formas geometrizadas, doada pelos seus filhos à Fundação Marques da Silva, para a coleção de postais lançada em abril passado, decorre do reconhecimento da Pintura como um dos gestos mais visíveis desta centralidade da arte na vida de António Cardoso. E como não deixaria ele de sorrir se pudesse ver como continua a instintivamente prender a atenção de quem com ela se encontra…

António Cardoso nasceu em Amarante a 21 de julho de 1932.

Créditos fotográficos: Celestes Pedro; Diana Vila Pouca

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