Stgssp Sindicato dos Trabalhadores das Grandes Superfícies, Armazéns e Serviços de Portugal

10/03/2026
08/01/2026
*Flexibilidade de horário de trabalho: o tempo que falta à natalidade*Por Ricardo Salabert, dirigente do Sindicato dos T...
10/12/2025

*Flexibilidade de horário de trabalho: o tempo que falta à natalidade*
Por Ricardo Salabert, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Grandes Superfícies, Armazéns e Serviços de Portugal – STGSSP

Na discussão do anteprojeto da reforma laboral, a Ministra do Trabalho tem despendido algum do seu tempo a explicar a sua posição sobre matérias de parentalidade, com particular foco nas questões da flexibilidade do horário de trabalho, o que tem sido acompanhado com particular entusiasmo por parte dos patrões. Ambos partilham a ideia que a flexibilidade de horários “prejudica as empresas”, esquecendo que é a rigidez do trabalho, essa sim, que está a destruir as famílias e, com elas, o futuro do país.

Num Portugal onde nascem cada vez menos crianças, o debate sobre a natalidade não pode continuar prisioneiro da lógica do lucro. O tempo — ou melhor, a falta dele — tornou-se o verdadeiro inimigo da vida familiar. Quando o Estado abdica de políticas que devolvam tempo às pessoas, abdica também da sua responsabilidade de garantir uma sociedade justa, sustentável e com futuro.

A maioria das famílias portuguesas vive encurralada entre o relógio de ponto e o trânsito diário, entre a pressão das metas e a culpa de não estar presente. Trabalha-se demasiado, ganha-se pouco e vive-se exausto. A chamada “rigidez laboral” não é sinónimo de eficiência — é o sintoma de uma economia que recusa adaptar-se à realidade do país.

Ao contrário do que o governo e o patronato afirmam, a flexibilidade de horário não tem de ser uma ameaça. Pode, e deve, ser uma ferramenta de equilíbrio e de dignidade, permitindo que os trabalhadores ajustem os seus horários para cuidar dos filhos, estudar ou simplesmente viver. Experiências internacionais demonstram que horários ajustáveis, semanas de trabalho mais curtas e regimes híbridos aumentam a produtividade, reduzem o absentismo e melhoram a saúde mental. Mas acima de tudo, criam as condições mínimas para que as pessoas possam ter filhos sem medo de ser penalizadas por isso.

O discurso segundo o qual a flexibilidade de horário “é má para as empresas” revela uma visão antiquada e desigual do trabalho. É a visão dos que normalizam salários baixos, precariedade e jornadas de trabalho intermináveis — e que depois se espantam com a baixa natalidade e o êxodo dos jovens. Exigem-se políticas que proponham o contrário: uma economia que sirva o país, e não o lucro de alguns. O tempo de trabalho deve ser redistribuído com justiça, garantindo o direito ao descanso, ao cuidado e à participação social. A flexibilidade, quando conquistada e não imposta, é um instrumento de emancipação.

A natalidade não se resolve apenas com cheques-bebé, campanhas panfletárias, ou a ideia, vendida como vanguardista, da jornada contínua, mas com políticas que devolvam tempo e segurança às famílias. Isso implica flexibilidade de horário garantida por lei, redução do tempo de trabalho sem perda salarial, licenças parentais alargadas pagas a 100% para ambos os progenitores e serviços públicos de proximidade. Rejeitar estas medidas em nome da competitividade é um erro político e moral.

Porque o Governo não quer reconhecer que sem tempo não há famílias, e sem famílias não há país, aderir à Greve Geral convocada para 11 de dezembro é um ato patriótico inequívoco e inevitável.

O STGSSP aderiu à Greve Geral convocada pela CGTP e UGT para amanhã, 11 de dezembro.Esta paralisação é uma resposta urge...
10/12/2025

O STGSSP aderiu à Greve Geral convocada pela CGTP e UGT para amanhã, 11 de dezembro.
Esta paralisação é uma resposta urgente e necessária contra o novo "Pacote Laboral" do Governo e a degradação contínua das condições de vida em Portugal.
Sabemos que, por esta altura do ano, muitas empresas utilizam os prémios de assiduidade/produtividade como arma para condicionar a adesão à greve. Estas atitudes são ilegais e, no caso improvável de se concretizarem essas ameaças, tomaremos ação contra a empresa com vista à devida reposição desses valores.

*O Contexto: Lucros Milionários vs. Empobrecimento de Quem Trabalha*

O STGSSP denuncia a profunda desigualdade que assola o país. Enquanto 20 grandes grupos económicos reportam lucros superiores a 30 milhões de euros por dia, metade dos trabalhadores portugueses sobrevive com um salário base bruto de apenas €940.
A situação é agravada por uma inflação acumulada de 35% nos bens alimentares nos últimos quatro anos, empurrando 20% das crianças para a pobreza devido aos baixos rendimentos das famílias.
O STGSSP sublinha que a riqueza gerada é suficiente para aumentos salariais imediatos, incluindo uma atualização do Salário Mínimo Nacional para €1000 já em janeiro de 2026.

*Os Motivos da Greve: Ataques aos Direitos*

O novo pacote legislativo, apresentado pelo Governo sob o pretexto de "modernização", representa na realidade um retrocesso histórico. O STGSSP destaca os pontos mais críticos que motivam esta greve:
● Precariedade Vitalícia: O Governo pretende permitir contratos a prazo para postos permanentes e aumentar a duração dos contratos a termo (de 2 para 3 anos) e incertos (de 4 para 5 anos), condenando os jovens e novos trabalhadores a uma instabilidade perpétua.
● Trabalho Gratuito e Desregulado: A imposição de bancos de horas que permitem jornadas de 10 horas diárias sem pagamento de horas extras, retirando rendimento essencial às famílias.
● Facilitação do Despedimento: A eliminação da obrigatoriedade de reintegração em casos de despedimento ilegal (bastando pagar indemnização) e a possibilidade de os
trabalhadores serem coagidos a "renunciar" a créditos salariais.
● Destruição da Contratação Coletiva: Facilita-se a caducidade dos acordos coletivos (ao fim de 4 anos) e retiram-se restrições ao outsourcing, permitindo despedir trabalhadores com direitos para contratar externos mais baratos.
● Ataque à Parentalidade e Greve: Mantêm-se obstáculos às licenças de amamentação e pretende-se impor serviços mínimos decretados por lei em setores como escolas e serviços sociais, numa tentativa de amordaçar o direito à greve.

Não podemos aceitar que, num país onde 54% dos jovens já têm vínculos precários, o Governo apresente leis que legalizem a instabilidade e o abuso patronal.

Esta Greve Geral não é apenas para travar este pacote legislativo nocivo, é para exigir uma vida digna. Se há 30 milhões de lucro por dia para os donos das grandes empresas, tem de haver salários justos para quem produz essa riqueza.

*O STGSSP apela a todos os trabalhadores que se juntem à luta no dia 11 de dezembro. É tempo de dizer basta à política de baixos salários e ao ataque aos nossos direitos.*

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