No ano 2005, um grupo de engenheiros do ISEP e da FEUP, com alguma experiência em projectos internacionais, nomeadamente nos países de língua portuguesa, decidiu juntar esforços no sentido de constituir uma entidade organizada e que envolvesse Instituições do Ensino Superior (IES), empresas e colegas de diferentes especialidades, formações e vocações. A ideia inicial foi constituir uma associação da sociedade civil, sem fins lucrativos que, uma vez formada e formalizada, deveria obter o estatuto de Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD).
Seguindo uma metodologia que incluiu reuniões, encontros e entrevistas com Entidades do sector público e privado e personalidades ligadas ao desenvolvimento e à cooperação internacional, todo o processo de constituição ocorreu a partir do ISEP, que desde o início mostrou abertura para acolher a E&O, na pessoa do então Presidente, Victor Santos. Ao ISEP juntar-se-ia a Escola Superior de Educação de Lisboa, (ESELx), a Federação Nacional dos Professores (FENPROF), as empresas OXYS – Consultores de Marketing e ECV – Consultores, bem como dezenas de Associados individuais, antropólogos, artistas plásticos, arquitectos, economistas, engenheiros, estudantes, médicos, professores, sociólogos, técnicos de marketing, técnicos de relações internacionais, técnicos de serviço social, distribuídos pelo país e estrangeiro, com especial incidência nas cidades do Porto e de Lisboa. A Sede social seria naturalmente no ISEP, tendo a ESELx disponibilizados instalações para a Delegação de Lisboa.
OS CONCEITOS E OS OBJECTIVOS
Segundo consta dos Estatutos, a Missão da E&O, é: “Melhorar a qualidade de vida das populações de países fragilizados, criando condições que permitam aumentar a sua autonomia através de projectos integrados de engenharia.”
E com objectivos muito concretos que incluem “...a concepção, execução e apoio a programas e projectos de cooperação e educação para o desenvolvimento e protecção e promoção dos direitos humanos.” E ainda, a intervenção nas áreas de ensino, educação e cultura, de assistência científica e técnica, de emprego e formação profissional, de protecção e defesa do ambiente, de desenvolvimento rural, de educação para o desenvolvimento, bem como da execução de todo o tipo de actividades que se destinem à promoção e melhoria das condições de vida das populações, na defesa do desenvolvimento ecologicamente sustentável e na luta contra a pobreza.
A E&O orienta a sua acção na procura de novas soluções para as necessidades sociais e com o objectivo de promover a resolução de problemas da exclusão social, da falta de qualidade de vida e da falta de participação cívica e democrática.
A PRIMEIRA OBRA (COM ENGENHO)
No final do ano 2006, a FENPROF contacta a E&O, para auscultar da possibilidade de ser utilizada uma verba proveniente da Campanha “Uma Escola para Timor-Leste”, do ano 2002. Assim, a FENPROF, na qualidade de Entidade Fundadora da E&O, viria a encarregar a E&O de gerir as verbas da campanha referida, orientando-as para o objectivo em causa. Após a deslocação de Alfredo Soares-Ferreira a Díli em Fevereiro de 2007 e do encontro com altos representantes do Governo local e da sociedade civil timorense, foi decidido aplicar a verba resultante da doação, na construção (ou adaptação) de edifício para lá funcionar um Centro Comunitário, centrando-se no sector do Desenvolvimento Comunitário, e trabalhando em distintos subsectores, como Saúde (Prevenção e Informação), Desenvolvimento Pessoal e Social (Educação Não Formal em Cultura, Artes, Desenvolvimento Sustentável), Formação Profissional (Informática) e ainda Democracia e Desenvolvimento Participativo (Assembleia Comunitária e um Balcão de Apoio aos Direitos). A proposta inicial para a construção do Centro Comunitário em Bidau-Massau foi posteriormente abandonada, devido a dificuldades relacionadas com a Associação local, por esta não se encontrar legalizada. Em meados de 2009, foi encontrado um Parceiro local credível, a ESTRELA da ESPERANÇA Foundation e viabilizado o início de todo o processo, com vista à construção do Centro Comunitário de Dili, agora na aldeia de Alto-Balide. A construção e reabilitação do novo edifício foram concluídas em Dezembro 2010, estando o Centro a funcionar em pleno, desde essa altura. O Projecto recebeu a designação de “La'o Hamutuk Ba Dame - Centro Comunitário de Alto Balide”.
A PRIMEIRA INTERVENÇÃO SOCIAL EM PORTUGAL
A partir de meados do ano 2007, a E&O teve participação directa em inúmeras realizações, no Bairro da Bela Vista em Setúbal, com base numa parceria estabelecida com o Centro Cultural Africano (CCA), uma Associação que se formou pela iniciativa de um conjunto de pessoas ligadas entre si pela cultura Africana e que se consolidou, desde 1996, como a Entidade que apoia as populações locais do Bairro, caracterizadas por uma mescla de etnias africanas e europeias. O trabalho do CCA centra-se no apoio social, apoio legal, acesso ao emprego e formação profissional e actividades culturais.
ANO 2008, 3 PROJECTOS APROVADOS PELA COOPERAÇÃO PORTUGUESA
“Ao Sul”, um projecto de intervenção para a sensibilização da opinião pública portuguesa para as realidades económicas, sociais, culturais e ambientais dos países em desenvolvimento, nomeadamente da Província de Malange em Angola, que englobou a concepção e a implementação de acções concertadas de Educação e Desenvolvimento, nas zonas Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo. O Projecto incluiu a elaboração de um documentário em Angola, designado “Viver Ao Sul”, com envolvimento activo das comunidades locais de Malange na sua concepção e realização. Foi apoiado e financiado pelo IPAD, entre 2008 e 2009.
E&O foi Parceiro no “ELAS, no Norte e no Sul: as Mulheres no Desenvolvimento”, um projecto destinado à capacitação e inclusão das mulheres, para sensibilizar a sociedade portuguesa para a necessidade de reconhecer e apoiar o papel das Mulheres no Desenvolvimento Global, nomeadamente no Sul, a capacitar mulheres rurais, artesãs e empresárias do Norte para analisar e intervir nos processos de desenvolvimento global. O Autor deste Projecto foi a AJPaz. Foi apoiado e financiado pelo IPAD, entre 2008 e 2010.
E&O foi Parceiro no "Lés-A-Lés, Solidariedade Glocal", um projecto que teve tem como principal finalidades sensibilizar e mobilizar as/os agentes locais de desenvolvimento para um consumo responsável e sustentável, reforçar modelos sustentáveis de desenvolvimento socioeconómico e alargar as práticas de Educação para o Desenvolvimento a territórios locais e rurais em Portugal. O Autor deste Projecto foi a AJPaz. Foi apoiado e financiado pelo IPAD, entre 2008 e 2010.
A PRIMEIRA INTERVENÇÃO GLOBAL EM QUE A E&O PARTICIPOU
“Teacher Quality in Lusophone Countries”, foi um Projecto da Escola Superior de Educação de Lisboa (ESELx), no âmbito da iniciativa “EDULINK: Programa de Cooperação ACP-EU para o Ensino Superior”. Foi o primeiro grande Projecto, em que a E&O participou, na qualidade de Entidade Associada. O Projecto teve como objectivo desenvolver uma rede de formadores, capaz de ministrar formação contínua a professores que se encontram inseridos no sistema educativo e que podem desempenhar o papel de peritos no desenvolvimento da educação básica ao nível regional. Foi financiado pela Comissão Europeia, e desenrolou-se durante 36 meses, entre os anos de 2009 e 2011, com base numa ampla Parceria, que envolveu a Escola Superior de Educação de Viana do Castelo (ESEVC), a Universidade de Cabo Verde (UNICV), a Escola de Formação de Professores e Educadores (EFOPE) de São Tomé e Príncipe, a Universidade Pedagógica de Maputo, a Universidade Nacional de Timor Lorosa’e (UNTL)e a Universidade de Helsínquia.
O PROTOCOLO COM O INSTITUTO POLITÉCNICO DO PORTO
O ISEP é o primeiro Fundador da E&O. Todavia, outras Unidades Orgânicas do P.PORTO foram aderindo à E&O, na qualidade de Associado, casos da ESTGF, ESE, ISCAP e ESTSP. Entretanto, a 17 Novembro do ano 2011, foi assinado um Protocolo de Colaboração entre a E&O e o (então) Politécnico do Porto, tendo como base o desenvolvimento de iniciativas e projectos conjuntos. No acto, a Senhora Presidente, Rosário Gambôa, salientou a importância deste acordo e afirmou o seu apoio “...às intervenções que possam ser feitas, com apoio do IPP, a nível da Educação e da Cooperação para o Desenvolvimento, dado que o IPP deve continuar a ser um motor de desenvolvimento educativo, social, cultural e económico. Por último, fez notar que, a partir da assinatura deste Protocolo, estão criadas condições para desenvolver actividades concretas, para projectos comuns, em áreas a identificar, como resultado de uma pesquisa comum.”
PROJECTO CONJUNTO COM P.PORTO APROVADO PELA COMISSÃO EUROPEIA
Em 2013, uma candidatura apresentada pelo Politécnico do Porto, com base num estudo e pesquisa da E&O, para um Projecto designado “Inter Gera Ação” [IGA], ganhou o 1º lugar do Concurso EUROPE FOR CITIZENS PROGRAMME, da Comissão Europeia. O Projecto IGA propôs-se criar uma rede de Cidadania, para promover a divulgação dos direitos da Europa e disseminar as melhores práticas, estimulando o diálogo e a interacção entre grupos de cidadãos e instituições europeias, para encontrar soluções para diversos tipos de exclusão social, no sentido da justiça social e de uma Europa mais sustentável. Envolveu intervenientes e especialistas diversos de IES, ONG, autoridades locais, estudantes, professores, investigadores e empresários. Esta foi a única proposta portuguesa aprovada naquele Concurso. A E&O, para além de liderar um processo que resultou na mobilização de várias dezenas de parceiros nacionais e internacionais, foi responsável pela elaboração da candidatura, tendo sido um dos Parceiros do Projecto. O Projecto IGA tem como outros Parceiros: 4 Escolas do IPP, Instituto Superior de Engenharia (ISEP), Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão (ESEIG), Escola Superior de Educação (ESE) e Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras (ESTGF), Nicolaus Copernicus University in Toruń (PL), Tandem Social SCCL (ES), AVEC Onlus (IT), Partners Albania, Center for Change and Conflict Management (AL), Ungarischer Schulverein (AT), Associação Nova Aurora Reabilitação e Reintegração Psicosocial (PT) e ΠΟΛΙΤΙΣΤΙΚΟ ΚΕΝΤΡΟ ΑΝΑΖΗΤΗΣΗ (CY).
E&O E GOVERNO DA GUINÉ-BISSAU ESTABELECEM MEMORANDO DE ENTENDIMENTO
Assinado em Bissau, República da Guiné-Bissau, a 22 de Janeiro 2015, um Memorando de Entendimento entre o Governo da República da Guiné-Bissau e a E&O. A preparação deste protocolo foi feita em 3 meses e foi fruto de um trabalho de pesquisa e reconhecimento de terrenos efectuado por Membros da E&O, sobretudo na área dos produtos do mar e do seu tratamento, para posterior consumo e distribuição, em condições de segurança alimentar adequadas. Sendo o peixe seco um dos produtos da dieta alimentar em África e tendo a Guiné-Bissau quantidade de peixe à disposição, impunha-se equacionar a sua secagem, utilizando tecnologias de engenharia e de saúde, inseridas num contexto apropriado. Esta foi uma das preocupações constantes do Memorando de Entendimento, que aborda ainda matérias ligadas à educação, formação e investigação, em estrita colaboração com o ISEP e outras Unidades Orgânicas do Instituto Politécnico do Porto. O Projecto “Micro-Agro-Indústrias Auto-Sustentáveis” [MAIAS], apresentado em Março 2016, ao Governo da Guiné-Bissau é um dos frutos deste protocolo e prevê o desenvolvimento e implantação de 2 Unidades Industriais, uma para secagem de peixe e outra para secagem de frutos e legumes, suportadas por energia solar, com tecnologia desenvolvida no ISEP e com a colaboração da Escola Superior de Saúde (ex-ESTSP.IPP) e da Escola Superior Agrária do IPVC.
OS PROJECTOS COM A JUNTA DE FREGUESIA DE PARANHOS
O Projecto “Capacitar para os Pequenos Ofícios”, que ganhou um Prémio CEPSA Ao Valor Social, em 2012 e que se propôs promover a inovação social, apoiando a inclusão social de mulheres desempregadas da Freguesia de Paranhos (Porto), fomentando a aquisição de competências, em contexto formal e não formal, visando o seu sucesso pessoal e profissional.
O Projecto “Cowork Social”, financiado pela Programa EEA Grants, e gerido pela Fundação Calouste Gulbenkian, entre 2015 e 2016, destinado a jovens dos 18 aos 35 anos, na Grande Área Metropolitana do Porto. Foi dinamizado no Porto e em S. João da Madeira. Uma parceria da E&O com a Junta de Freguesia de Paranhos, a Associação Ecos Urbanos, o Coworking de São João da Madeira e a empresa RH Positivo. Envolveu o planeamento, implementação e monitorização de um programa integrado, visando capacitar os jovens para desenvolver projectos empresariais de inovação social, através de um extenso período de incubação na Up! Unidade Empresarial de Paranhos e no Coworking S. João da Madeira.
O PROGRAMA DE FORMAÇÃO GPSI
A E&O concebeu um programa de formação, que consubstancia um Curso designado GPSI, Gestão de Projectos Sociais de Intervenção, cujo principal objectivo é “Sensibilizar a preparar técnicos intermédios e/ou superiores para a intervenção em apresentação, gestão e avaliação de Projectos Sociais.” Com 3 edições, realizadas desde o ano 2011, destinadas especialmente à preparação e capacitação de Formandos oriundos de organizações da sociedade civil de 5 países de língua portuguesa, Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe e Portugal. O Curso engloba conteúdos ligados especialmente à concepção, preparação e elaboração de candidaturas, ao ciclo de vida de um projecto e à monitorização e avaliação do projecto e enquadra-se numa perspectiva de intervenção social e comunitária e em casos de estudo identificados e tem uma duração de 2 semanas, num total de 60 horas de formação e actividades conexas. [...]
A ENGENHO & OBRA DE 2006 ATÉ HOJE
A Associação ENGENHO & OBRA (E&O) fez sempre de Portugal, e dos países de língua portuguesa um alvo de intervenção. Em termos de Cidadania e do incremento da Cooperação e da Educação para o Desenvolvimento. De Bissau ao Maputo, da Praia a Luanda, passando por S. Tomé, durante 12 anos desde 2006, a E&O tem desenvolvido estudos, trabalhos de reconhecimento, visitas, levantamento de necessidades concretas e desenvolvimento de intervenções e projectos, junto de pessoas e entidades diversas, como Organizações da Sociedade Civil (OSC), Actores não-Estatais e Autoridades Locais. A base das realizações da E&O é sempre a capacitação das pessoas, no sentido de promover e solidificar a sua autonomia. O estabelecimento de parcerias com diversos actores foi e continua a ser um sinal para o estabelecimento de redes de conhecimento que se constituem na aprendizagem ao logo da vida, numa perspectiva de Educação Permanente.
As intervenções e projectos da E&O pautam-se pela defesa do Desenvolvimento Sustentável, nas suas vertentes ambiental, económica e sociopolítica, sempre no sentido da melhoria da qualidade do ambiente, do equilíbrio na economia e pelo bem-estar social, através do aumento da qualidade de vida das populações. Obedecem a escolhas que passam pela conservação e gestão dos recursos naturais, pelo alerta sobre as alterações climáticas, pela preservação da saúde pública e com recurso a energias limpas (como é o caso da Energia Solar). Inscrevem-se no contexto actual da consecução dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, pela inclusão social e pela erradicação da pobreza.
Assim se procura passar do ENGENHO, na procura de soluções inovadoras com contributos multidisciplinares e de baixo custo, à OBRA que constitui a realização do projecto e sua apropriação pelas populações e seus representantes.
Assim é a ENGENHO & OBRA.