Redenção

Redenção Gosto muito de História
Mas não gosto da História que conheço
- Macedo Martins

Desejo o grande continente do sul.. mas quando angola não chega é como a américa que sonhoum desejo de muito tempoque ap...
01/04/2026

Desejo o grande continente do sul.. mas quando angola não chega
é como a américa que sonho
um desejo de muito tempo
que apenas consigo iludir e não esquecer
para lá do oceano da morte imagino-te
rasgo o meu intimo
a tentar descobrir onde estás
que é aonde quero existir
e de onde quero fugir
américa, no intimo da minha mente
és e sempre serás a ultima imagem da solidão
américa desejo-te sem me cansar
exausto com o sonho de a ti chegar
podia trocar áfrica por ásia se as conhecesse
mas se na europa está o berço da minha civilização
a américa é a minha ultima tentação
vou morrer pobre e só
preocupa-me a solidão não a pobreza
detestava a ansiedade
agora odeio a angustia
e é assim que me entretenho
passo o tempo a traçar linhas de países e continentes
os que conheço e os que imagino
sem conhecer o que o tempo me reserva
a minha ultima ilusão deseja-te
nada troque aquela imagem
que a morte de mim espera
com o que por ti anseio.. .
- M'Piper SalomonConstantin

A DESCIDA AO INFERNOContinuo a viajar pelo espaço e pelo tempojá cansado, retiro a seringa e a borracha do braço e deixo...
25/03/2026

A DESCIDA AO INFERNO
Continuo a viajar pelo espaço e pelo tempo
já cansado, retiro a seringa e a borracha do braço e deixo-me adormecer
acordo num absoluto deserto de areia vermelha, debaixo de um sol abrasador
devagar levanto-me, visto-me, calço-me, coloco os óculos de sol e ajusto o relógio ao pulso
estou pronto para percorrer os túneis basálticos que me esperam sob a areia vermelha
sinto a florescência a aumentar… ao avançar…
a temperatura desce…
mais luz e menos calor perturba-me os sentidos
sento-me numa poltrona de pedra preta
duas sereias aproximam-se para me satisfazerem desejos íntimos
secretos segredos que possuo há muito…
uma acende-me o cohiba e a outra gela-me o vodka…
muitos séculos depois ergo-me, para me voltar a sentar e agora disposto a ouvir conselhos
mas só sinto um cobertor, um cachecol e um empurrão para baixo
assim desço por lisas escadas de pedra… até ao inferno…
aqui o café é sempre quente e os ci****os não se pagam nem se apagam
as doenças venéreas não são sexualmente transmissíveis,
aqui não se vêm crianças com fome ou velhos sem teto,
nem sequer animais abandonados…
é só o frio…
só o frio…
por isso, as sereias, antes de me empurrarem cobriram-me com um cobertor e ofereceram-me um cachecol
sou um só espírito, mas muitos pecados acompanham-me
o purgatório era uma macia poltrona de basalto,
aonde eu fumava e bebia, com sereias
mas o inferno não é, nem escuro nem quente
é tão claro que cega todos os sentidos
totalmente branco e completamente gelado…
o vazio é tão grande que só recordo o desejo de esquecer
e jamais me lembro de o fazer.. .
- M'Piper SalomonConstantin

A bruxa acaricia o rosto do monarca e cospe-oparece-me ouvir o velho comunista rirmas os cavaleiros afogam o barulho com...
10/03/2026

A bruxa acaricia o rosto do monarca e cospe-o
parece-me ouvir o velho comunista rir
mas os cavaleiros afogam o barulho com um barulho maior
unidos demonstram o receio uns dos outros
cada receio anula o outro
e o velho comunista continua a rir
os velhos ícones morrem
e os novos nascem para desaparecer
uma fêmea afaga-se lentamente
o s**o é feito de forma rápida
seus filhos serão novas imagens sagradas
como a santa do manto da cruz
o gatilho dispara sozinho
mas o projétil na câmara não é uma bala
é algo enorme, algo de rocha e chama-se gárgula
é a mãe do meu filho do meio
o tesouro que nunca abracei
quis fazer um boneco num papel de prata
como fazia um policia em perigo iminente
o resultado parece o gárgula depois de beber absinto
fito de novo o rei que parece mais novo mas continua morto
mesmo assim levanta-se
felizmente usa uma máscara, guinevere também
os ombros e os seios estão nus
nu também está lancelot por trás
a olhar e lamentar a carne dum cavaleiro descarnado
a ambição ilude-o enquanto guinevere me fita
ela e artur enganam-me um com o outro
ele velho e ela virgem juram pela verdade
enquanto os cavalos caçam e comem cães vadios
anjos vestem de negro para enganar a cor
um pequeno cachorro pede-me ajuda, ignoro-o
felizmente escapa às montadas carnívoras
e eis que chega linus, o plebeu
forte como um carvalho
lúcido e resistente como poucos
ignora o medo mas sabe o que teme
sofre por outros quando podia esquivar-se
agora tenta proteger os canideos que lhe agradecem fugindo
mesmo assim continua o seu combate
percebo agora que estou às portas do inferno
vou, talvez, conhecer lama e lucieus
vou agora, verdadeiramente, ler o livro
sento-me confortavelmente defronte da lareira com chamas vermelho rubro
acaricio as capas de couro do artefacto
deleito-me, de novo, com o cheiro acre do perfume que me cerca
guinevere, que é sambala, senta-se no meu colo
o enorme peito nu perturba-me a leitura
aliás perturba-me completamente
e sem beber saboreio o hálito inexistente do vodka
sinto a rigidez de suas nádegas e coxas
sinto o amor que ela reserva a artur e lancelot
paixão é prazer e traição
as chamas da lareira alcançam o tapete
toda a sala arde e a chuva entra pelas janelas
a corte reúne-se numa távola angulada
observo mais e mais bobos dirigirem nobres a posar
as damas da corte são simples prostitutas que se exibem
e para isso pagam parte do dinheiro que recebem dos clientes...
tão ricos como estúpidos...
clérigos brincam...
e mentem para poderem continuar a brincar
uns e todos os outros afastam linus que resiste
sempre sozinho com ele próprio e um punhado de amigos
sempre só com a força que nasce da vontade e da honestidade
a chuva não é suficiente, as chamas propagam-se
toda camelot arde
sambala empurra-me e obriga-me a escapar
faz-me correr também sozinho
um corredor, portas atrás de portas
dentro de jaulas estão celas
e no interior estou só eu a fugir
e é lasabam que me faz parar
sento-me defronte de uma lareira com chamas violetas e azuis
abro o livro dos mortos, necronomicon
e vejo lucieus que se avizinha
“- lês-te as ultimas páginas?”- pergunta-me
“- não”- respondo-lhe
“- então continua”- grita-me com voz necrosada,
enquanto se enterra no solo em direção ao paraíso
perdura o seu cheiro e o perfume torna-se mais acre
lasabam agita-me e aponta para o chão manchado de sangue
deita-se e rebola-se no mesmo
e assim, estranhamente bela, levanta-se
sorri-me e caminha para fora do alcance da minha visão
e surge do livro um profeta empunhando uma espada com que escreve:
eu vários deuses adorei
e foi sempre esta lamina que ditou as suas leis
tenho a obediência do lama, a obediência que a força impõe
o respeito de lucieus
um respeito desconfiado, mas mesmo assim respeito
atravesso uma ponte totalmente inútil... para depois voltar para trás
os pregos das sandálias estão espetados nos meus pés
mas não sangro e sofro em silêncio
por isso desprezo os gritos e os lamentos dos que se queixam
assim ignoro-os como os ignoram as leis e as profecias que escrevo:
« se um recém-nascido chora de fome, é porque a mãe não lhe dá leite »
« uma mãe que não alimenta o filho, é porque não o ama... será castigada »
« se um não nascido não chora, é porque não têm motivo...
não haverá castigo nem absolvição »
« as terras secas terão água quando esta chegar »
« a acalmia depois duma catástrofe será seguida de outra »...
“- são estas as leis e profecias que os deuses me ditam e eu escrevo”- lamenta-se
a plateia veste de vermelho e branco
aplaudem o som alto do que escrevo... porque sou obrigado
os membros da galeria são zombies,
comem a carne dos vizinhos, mastigam os ossos
e regurgitam os cabelos loiros e rubros engolindo os pretos e cinza
a cortiça que é pele descasca-se da carne podre como se cozinhada estivesse
um homem, uma cabala, todos juntos numa cábula
cinco mortos fazem um pentagrama, os corpos encaixam
as bruxas existem, a de camelot beija artur e lancelot
os mitos estão vivos nos vossos sonhos
obedeço às leis, acredito nas profecias e nos espíritos sinistros das trevas
estes oferecem uma dor lenta e um paladar continuo do sofrimento eterno
um e outro corpo se levanta
e morgana ergue mais mortos com promessas de redenção
persival também se lhe recusa a taça
os corpos mortos levantam-se com fome
um a um a boca da irmã de artur alimenta
cada beijo de morgana é um bocado de língua mordida e mastigada
é uma seara que arde
é uma pagina perdida e tinta que se esfumou
“- sim conheço-os. por isso talho as profecias e leis com esta espada da lenda”
- baba-se com sangue, o profeta exibindo excalibur.
fecho com força o livro dos mortos e volto a recusar acreditar
viro uma página que não consigo rasgar
não posso devolver o cilindro porque aqui ninguém o aceita
o artefacto puxou a minha realidade para dentro e para fora das capas...
do livro da maldição
maldição porque infinita
infinita porque eterna
eterna porque é uma maldição...
e é uma maldição que está num livro
deito-me de novo
e de novo não adormeço.. .
- M'Piper SalomonConstantin

Perdi toda a sensibilidadeQuando fui batizado.Todo o meu corpo ardeuNo contacto coma a água bentaA igreja incendiouTodos...
05/03/2026

Perdi toda a sensibilidade
Quando fui batizado.
Todo o meu corpo ardeu
No contacto coma a água benta
A igreja incendiou
Todos os presentes incineraram
E eu saí pelo meu pé.. .
- M'Piper SalomonConstantin

Interlúdio.Começo a suspeitar que desejo a mortee receio a ideiamas não existem muitas saídasvivo no espaço vazio que me...
19/02/2026

Interlúdio.
Começo a suspeitar que desejo a morte
e receio a ideia
mas não existem muitas saídas
vivo no espaço vazio que me preenche
encontro-me do outro lado da satisfação
é impossível uma certeza maior que o fim
o meu objetivo pode-me dar tudo
mas este, receio eu, é incansável
pelo menos para mim
e eu não me contento com menos
vivo no receio de dizer disparates, provocar acidentes, fazer o mal
odeio-me pela indecisão que me torna ambíguo mesmo perante mim
e riu-me da insegurança que me deixa parecer calmo,
forte e correto
nas atitudes e decisões que nem sei como se tomam
como decidir se tomar toda a caixa de comprimidos
ou cortar os pulsos na banheira cheia de água quente
vou para casa tomar um comprimido e amanhã banho-me na água quente
todo o poder da destruição total manifesta-se até ao fim dos nossos dias
um cão moribundo pede-me de comer, forço-me a ignorá-lo
como desconheço as crianças que imploram o que necessitam
a carne preta dos mortos incomoda-me
porque não tem o direito de reclamar o que originalmente lhe pertenceu
todas as alunas se perdem, uma a uma se perdem
entre mesquinha imagem de pureza qualquer aluna se suja e se vende
todos nós nos rendemos ao ritmo da moda
a desgraça diverte-se ao vencer-nos
uma a uma todas as almas se perdem
todas as depressões se reestruturam com os remédios certos
e os mortos aliam-se aos não nascidos
os golfinhos continuam a transportar grifos
o desespero continua a chamar a morte.. .
- M'Piper SalomonConstantin

Cagliostro oferece-me um charuto, que eu acendo desconheço de onde surgiu um ou outro, mas não quero saber para acompanh...
14/02/2026

Cagliostro oferece-me um charuto, que eu acendo
desconheço de onde surgiu um ou outro, mas não quero saber
para acompanhar o tabaco peço café quente a Perséfone,
também não sei de onde ela surgiu, mas também não quero saber
levanto-me e com eles percorro o caminho destinado
cafeína numa mão, nicotina na outra
ando muito devagar para os acompanhar
Perséfone não é nova e Cagliostro é velho
os trevos desapareceram e agora caminhamos na areia, num mundo de cimento
a água é escassa mas os ácidos abundam
há falta de um, consumimos os dois... com limão
erguem-se agora as trevas para iluminar de preto roxo um mundo já escuro
este espaço é tão negro que cega com um raio de luz quem tem olhos
este espaço é tão vazio que esmaga quem tem sentidos
felizmente que o tempo parou há muitos dias, ou poucos minutos atrás
sei que tudo isto é verdade ao levantar-me
dos corpos caídos de Perséfone e Cagliostro...
um sob o outro e o outro sobre o primeiro
tento não os acordar da morte e afasto-me deles
penso no que perdi porque não vou mais ter,
recordo o que esqueci porque já não me lembro das memórias que tive,
ou das experiencias que vivi,
de novo concentro-me no fim do caminho
e não no caminho para o fim
como outros o fizeram,
talvez não percorressem este trilho...
e se o fizeram morreram.
espero que sós, que não tenham assassinado ninguém
passou o efeito do acido, Perséfone acorda-me outra vez
e outra vez jovem, com poucos séculos
diz-me que Cagliostro se foi embora
dá-me café quente, ovos escalfados e faz s**o comigo
toda a roupa da cama, o meu pijama e a lingerie que enverga é branco pérola
os lençóis que tapam todas as sete paredes são tão pretos como a pérola negra
vou incendiar tudo quando me for embora...
mas entretanto aprecio o s**o com Perséfone que ainda não terminou...
no fim mais café e ci****os, o ultimo uso para acender todo o linho e seda que encontro
detesto o preto e o branco e ainda mais desbotados os dois...
tudo arde, arde tudo, quando eu por fim caminho, sozinho, em direção ao meu, e todo o destino
segues-me até me abandonares, como sempre será...
não foi um momento, que já esqueci,
e tu não mo recordas, com razão para isso não o fazes
porque sabes que não receio mais do que o desconhecer o que fiz...
quando depois de me levantar da tua cama, me tento recordar...
se fiz s**o ou amor?
contigo nunca retenho lembranças, nem memórias
descanso no colo de uma mulher tão fria como se um réptil fosse.
e é... mesmo assim aquece-me,
seu corpo gelado é mais quente que o meu
o frio que quis esquecer não pára de me perturbar,
mas também não me deixa enlouquecer...
mais...
porque mais doido não posso ser
uma camisa enorme amarra-me à cama
duas mulheres, uma com duas cabeças, alimentam-me
mas a carne de porco está quase crua, e a de vaca demasiado passada...
não fosse o gin, os antieméticos, os diuréticos, os laxantes...eu não digeria carne crua
os legumes: moem-nos e secam-nos, depois dão-nos a fumar
inebriado pelo tabaco deixo que uma delas me toque o s**o
mastigo grãos de café e custo-os...
peço água a ferver para os aquecer
sexuo com duas mulheres, uma delas excecional
qual é delas não sei, mas também não quero abrir os olhos
nem elas, porque são cegas
um pássaro bate no vidro da janela, que está aberta...
a lamentar vem, para morrer no meu colo
o estupido pássaro ferido esqueceu o ninho onde nasceu
esborrachasse-se num vidro que não existe
e deita-se em mim para eu o eutanasiar
para David Hume o suicídio era uma solução válida
para mim a eutanásia é uma opção cientifica, e mais humana
se não for usada desumanamente por estados totalitários,
pela banca capitalista,
ou por companhias de seguros...
o derradeiro objetivo da vida é morrer
e que os que ficam saibam assistir
se chorarem lamentam-se a si e não derramam sucos por aquele que partiu para o Oriente Eterno
quando a água escassear ninguém: vai mais; mais vai, desperdiçar líquidos pelos que faleceram...
porque se o fizerem os mortos: despertam, levantam-se e perseguem-nos até os descarnarem
para aproveitarem o sangue da carne...
e a água do sangue...
para se purificarem...
para mitigar a dor de estar morto
estado irrevogável...
expecto no caso do ministro que como lázaros julgava estar morto e não estava
tão irrevogável como o corpo que se levantou ao terceiro dia e desapareceu,
mas este continuou, um patamar acima...
e palmilhou por cima do destino daqueles que nele acreditaram,
e nas esperanças de todos os que o, irrevogavelmente mentiroso, enganou de novo
... de novo, porque não foi a primeira, nem segunda vez.
... ...
- M'Piper SalomonConstantin

SonoEscrevo deitado no fundo do poço do desespero da vidaé deitado que renego ao futuro às mentiras que ele me trásainda...
07/02/2026

Sono
Escrevo deitado no fundo do poço do desespero da vida
é deitado que renego ao futuro às mentiras que ele me trás
ainda deitado adormeço desejando, de novo, alcançar luaname
deitado deixo que pesadelos criados pelo desespero vagueiem pela minha mente
e é deitado que acordo
que esqueço quem sou
e volto a dormir.. .
- M'Piper SalomonConstantin

O VENTO QUE SINTO É O SOPRO DA MORTEilse koch produziu quebra-luzes com pele humanamenguele atrozmente experimentou os l...
03/02/2026

O VENTO QUE SINTO É O SOPRO DA MORTE
ilse koch produziu quebra-luzes com pele humana
menguele atrozmente experimentou os limites da vida
hi**er na sua loucura tudo amorteceu, e exacerbou…
na sua iludida ansia de chacina;…
e Estaline duma forma completamente demente perseguiu os bolcheviques,
como mais nenhum assassino o fez de forma tão sistemática
se Lenine não morresse em 22 certamente que não sobrevivia às purgas de 26
escapou Trotsky mais uns anos porque fugiu para a américa
mesmo assim foi perseguido até ser assassinado no méxico
pediu ele para não matarem o seu assassino
“pelo valor que o carrasco físico podia ter para a história”
iludiu-se na morte
o carrasco físico de Trotsky continua a ser um estalinista condecorado
um canalha que como béria, franco ou mussolini devia ser executado e esquecido
sim, este ultimo foi dependurado de cabeça para baixo por comunistas italianos
o adolf suicidou-se e a eva disse-lhe que sim mas fugiu com martin bormann
enquanto joseph goebbels se sentiu no derradeiro minuto… o ultimo ocidental imperador…
suicidou-se depois de matar a mulher…
que entretanto envenenou os dois filhos e as quatro filhas
as seis crianças filhas do ultimo chanceler da alemanha n**i
chanceler por um dia… por umas horas… e não por mil anos
muito mais tempo demorou a tentar criar os filhos que a mulher envenenou
uma das filhas não queria morrer, mas a mãe obrigou-a
os outros, por ignorância ou não, aceitaram
parece a estória da família romanov, mas vista por dentro
foram precisas menos balas e muito menos petróleo
mas tudo se faz
para a história esquecer.. .
- M'Piper SalomonConstantin

Sento-me numa pedra.Na boca do inferno,nos dentes do diabo.Desespero, até que a morte levanta-se e afasta-secaminha sozi...
28/01/2026

Sento-me numa pedra.
Na boca do inferno,
nos dentes do diabo.
Desespero, até que a morte levanta-se e afasta-se
caminha sozinha com a ceifeira espetada na túnica
ergo-me, novamente, com o orgulho da solidão
quando a sombra não respeita a luz do luar
respeito-me por estar afastado.. .
- M.Piper Salomon Constantin

No tempo se que passou as garrafas de puro álcool criaram fungosos charutos tornaram-se galhos.. e as mulheres envelhece...
17/01/2026

No tempo se que passou as garrafas de puro álcool criaram fungos
os charutos tornaram-se galhos.. e as mulheres envelheceram
sem receio sento-me agora com aquilo que sei ser o meu futuro
os três homens de hábitos pretos riem-se a contar anedotas vade-retro
bebiam mais álcool se este ainda existisse sem cogumelos
sabem todos o que querem mas não mo dizem
disse-mo uma velha que à minha frente reduziu a idade
foi depois de dela me tornar intimo
que um atrás do outro tentaram o exorcismo
no fim continuei intimo dela
e eles agnósticos
um deles, pelo menos, até ateu, atrevo-me a dizer
neste momento pacifico entram as vacas
segundo as próprias são sagradas
penso e concluo... que talvez a religião não seja aquilo que os crédulos acreditam
não com o mesmo valor
não neste salão em que a poltrona é macia
o whisky é velho
e as raparigas, se possuíssem pele, eram lindíssimas
a musica está perfeitamente adaptada a cada um
porque aqui é o purgatório não o inferno
segundo os crentes este é o salão seguinte
entre os descrentes; francis, merrin e damien, este é o mesmo:
sem as mesas de jogo
sem mulheres com pele
sem bebidas isentas de fungos
para eles o exorcismo é um teatro
para eles a cruz é uma estrela de seis pontas
a túnica é um relâmpago
e o manto são umas barbas
saem mais bebidas para esta mesa do que as que se conseguem ingerir
são as garrafas que esperam por mim e não o contrário
as mulheres vão assim aprender a sangrar no tempo certo
espero enquanto o meu corpo arde a frio
aquece até ao rubor do cabelo e das unhas
malu aproxima-se, mão com mão, com o desconhecimento
ambos enganam-me
mantêm-me os sentidos para puder saber
para tocar o calor
para sentir o frio
para sonhar a lamentar o desconhecido
calcular a ignorância
ansiar conhecer o oculto... que me identifica
é o reconhecimento desta ansiedade que faz ruir as defesas
as mulheres opulentas sabem-no quando se aproximam
estão dispostas a tudo para me roubar o conhecimento que não possuo
mas elas não o sabem e eu não lhes vou contar
sentam-se e sorriem
observam o meu lado agradável
e eu conto-lhes, com a boca amarga, estórias de entreter
a cria no formol ri para mim como um peixe no aquário
entretanto na necrópole situada agora perante mim
morrigaine e o stº craal enfrentam-se
são antagonistas
as responsabilidades da morte que um produziu
é equivalente à quantidade de amor que o outro criou
volto-me para a metrópole
e continuo a falar daquilo que já nem me lembro
a meu lado uma bela mulher pariu um monstro
pequenos, mas belos, morcegos trazem grinaldas
acariciam o recém-nascido
e recolhem a carne dos mortos
as estórias escrevem-se sem parar
o recém-nascido é já um vingador
a parturiente já morreu
ouço um cão ladrar
as mulheres apertam o cerco e eu risco mais uns contos
por momentos observo chamas
as velas entoam mórbidas melodias
musicas antigas que nunca dancei
enquanto tudo à volta rodopia seguram-me os meus antepassados
nunca dancei
nunca os abracei
levanto-me cansado pela bebida
e é uma mulher cega que me ajuda a sentar
alimento-me pelos olhos
escuto lamentos eternos em ritmos rápidos
a mulher pede-me para por ela ver
o espelho reflete um morto e um esquisito que juntos são um só
sou eu
estou sentado num banco simples
cotovelos apoiados num complexo e baixo balcão de mármore e por-purina
chávenas, copos e canecas deslocam-se sobre estranhos membros
semelhantes aos que me seguram sentado
olho em frente e a imagem devolvida identifica-a a meu lado
é uma fêmea loira.. e é linda
acendo lhe o cigarro incendiado por dentro
fita-me nos olhos...
a ignição do silêncio...
as gargalhadas do espelho...
a stº craal...
o diluvio do desejo sobe montanha acima.. .
- M.Piper Salomon Constantin

O caminho.As ervas, as magnólias e as tulipas morrem à minha passagemo pinheiro que ia nascer matei-oresiste o lince... ...
01/01/2026

O caminho.
As ervas, as magnólias e as tulipas morrem à minha passagem
o pinheiro que ia nascer matei-o
resiste o lince... e a malapata
ulapa e ulaci assam castanhas
mistura-as com hortelã e vinho
prepara um assado para um convidado...
um grande coelho...
que parece um grande gato
acabam-se as bebidas num bar fechado... e acabado...
no meio do caminho... do destino para onde me desloco
troco os passos com o caminho que me segue
ulaci e ulapa alimentam-me nestes últimos momentos
sinto, outra vez...
que outra vez chego ao fim do caminho.. .,
- M.Piper Salomon Constantin

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