12/06/2026
SMD Exige Redução Imediata do Numerus Clausus para o Ano Letivo 2027-2028
No prosseguimento da sua acutilante ação reivindicativa junto da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), o Sindicato dos Médicos Dentistas (SMD) elevou o tom do debate para lá das meras constatações analíticas.
Numa audição de cariz perentório com o Diretor-Geral, Professor Doutor Joaquim Mourato, e com a Subdiretora-Geral, Professora Doutora Inês Vaz Pinto, o Sindicato aduziu reformas estruturais inadiáveis, focadas na sobrevivência qualitativa da profissão em Portugal, vertidas numa exigência categórica: a contração imediata do número de vagas de acesso aos cursos de Medicina Dentária para o ano letivo de 2027-2028.
Pilar basilar no estancamento da sobrelotação que satura o mercado, o SMD propugna, de forma inequívoca, a transição e salvaguarda do modelo de ensino para os 6 anos de formação. Esta extensão curricular afigura-se como o vetor fundamental para garantir o alinhamento com os mais exigentes padrões internacionais e para repor a densidade propedêutica e prática que a complexidade da atividade clínica imperativamente reclama.
A Urgência de Novos Parâmetros de Avaliação
Foi denunciada com particular acuidade a premente necessidade de mutação dos parâmetros de monitorização da qualidade de ensino.
O paradigma vigente faliu no seu propósito teleológico.
A evidência é empírica e alarmante: os colegas recém formados confrontam-se hoje com uma manifesta ausência de autonomia clínica, uma debilidade endémica que decorre diretamente das lacunas e do pendor deficitário do atual desenho do curso.
A qualidade pedagógica não se afere por critérios meramente estatísticos ou quimeras burocráticas, mas sim pela faculdade de dotar o futuro profissional de segurança e independência clínica, algo que a escassez de casuística e o número exíguo de doentes na formação pré-graduada estão a precluir irremediavelmente.
A Anatomia do Caos: Falta de Regulação e Vontade Política
O SMD reiterou que o atual e precário estado da classe não constitui um mero anacronismo ou acidente de percurso, antes se consubstancia como o corolário de uma ausência crónica de regulação, de planeamento estratégico e de audácia política.
O excesso hiperbólico de médicos dentistas no mercado, alimentado por vagas institucionais desprovidas de qualquer hermenêutica sobre as reais necessidades demográficas, gerou um cenário de saturação que avilta o emprego e desvaloriza o ato médico.
Entregue o dossier com estas exigências estruturais, o SMD sublinha que o tempo das dilações e das cedências terminou: ou se reforma o ensino e se regula o acesso com inequívoca coragem política, ou se perpetua a degradação de um setor vital da saúde pública portuguesa.