11/10/2026
Vivemos numa sociedade em que parece existir uma necessidade constante de ocupar o tempo. Até os fins de semana das crianças se transformam, muitas vezes, numa sucessão de atividades, compromissos e programas.
Mas as crianças também precisam de dias em que não acontece nada de extraordinário.
Dias para acordar sem pressa, brincar sem horários, ficar de pijama até mais tarde, inventar brincadeiras, aborrecer-se um bocadinho ou simplesmente estar em família.
O tempo livre não é tempo perdido. É também nesse espaço, sem atividades organizadas pelos adultos, que as crianças desenvolvem a criatividade, a autonomia e a capacidade de descobrir o que gostam de fazer.
E não, não precisamos de transformar todos os domingos em experiências inesquecíveis. Às vezes, uma conversa no sofá, um jogo improvisado ou uma tarde tranquila têm muito mais valor do que uma agenda cheia.
Enquanto adultos, talvez precisemos de aprender a aceitar que nem todos os momentos da infância têm de ser produtivos, estimulantes ou extraordinários.
Porque as crianças não precisam de estar sempre a fazer alguma coisa. Também precisam de tempo para simplesmente ser crianças.
E talvez, um dia, as melhores recordações dos domingos sejam precisamente aquelas em que não havia nada planeado.