25/08/2026
Este ano, tudo tranquilo… já não havia nada para arder!
Agora aguardamos pelo próximo ano — e pela próxima época de incêndios — para perceber o que realmente mudou.
Porque há um padrão que não pode ser ignorado: grandes incêndios em 2023 e 2025, com início na mesma zona e propagação por uma rota muito semelhante.
E aqui não estamos apenas a falar de casas, terrenos ou prejuízos materiais. Estamos a falar de um território integrado no Parque Nacional da Peneda-Gerês, com uma fauna e flora únicas, algumas espécies e habitats com um valor incalculável e que podem levar décadas a recuperar.
E há uma pergunta que ninguém pode ignorar: será que tudo aquilo que foi destruído voltará algum dia? Algumas espécies podem demorar muitos anos a recuperar — outras poderão simplesmente não voltar.
Quantos incêndios serão necessários para perceber que não basta combater o fogo quando ele já está instalado?
É preciso prevenir, gerir a floresta, criar acessos e estradões estratégicos, manter linhas de contenção e, sobretudo, ouvir quem conhece verdadeiramente o território.
No ano passado, quem cá vive e muitos emigrantes que anteciparam as férias para vir ajudar, conseguiram evitar uma tragédia maior. Esteve à vista de todos a descoordenação de meios, alteração de responsáveis, ordens contraditórias no terreno, …
Agora esperamos que as conclusões não fiquem apenas num relatório.
Esperamos ver mudanças concretas no terreno.
O que nos reservará 2027!?!
RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DOS INCÊNDIOS DE 2025 APRESENTA “ERROS CRASSOS” NO COMBATE AO INCÊNDIO DE PONTE DA BARCA
As conclusões do relatório sobre os incêndios de 2025, realizado por uma Comissão Técnica Independente, assume que parte dos danos causados no Parque Nacional da Peneda Gerês, em julho do ano passado, “poderia e deveriam ter sido evitados”, tal não aconteceu, devido a “erros crasos”.
Esta comissão, criada pela Assembleia da República, assume ainda que foi desperdiçada “a oportunidade de resolver ou reduzir o impacto do fogo”, por parte do Comando das Operações, em Ponte da Barca, nomeadamente pelos responsáveis da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
Recorde-se que ardeu 10% de toda a área protegida do PNPG, principalmente na Serra Amarela em Ponte da Barca, tendo causado elevados prejuízos.
Segundo os peritos, a informação meteorológica e sobre a velocidade de propagação previsível “não foi integrada no processo de decisão” da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), apontada como tendo “deixado passar a janela de oportunidade” única e de graves consequências, ilibando-se completamente as corporações de bombeiros e os seus respetivos comandantes, pois o Comando era só da ANEPC. Mais concretamente, durante um total de 29 horas, “o vento abrandou, a humidade subiu e o incêndio entrou num período prolongado de reduzida expansão, o que era “o momento ideal” para acabar com o mesmo, mas tal só aconteceu já em Terras de Bouro. Os especialistas afirmam ainda que “os boletins de previsão meteorológica e os planos operacionais anteciparam a necessidade de realizar “ações de consolidação, ancoragem e abertura de acessos recorrendo, designadamente, a máquinas de rasto, durante as 29 horas consecutivas, havia presença signif**ativa de recursos na envolvente da área crítica”.