01/06/2025
Estamos sempre a corrigir as crianças.
Dizemos como devem ser, o que devem fazer, o que podem sentir. Dizemos "não dói", "já passou", "não precisas de chorar". Decidimos que os pratos têm que f**ar vazios a todas as refeições, que não há espaço para gostos ou escolhas.
Não ouvimos, não perguntamos, não temos disponibilidade, não percebemos que nas crianças, tal como nos adultos, também há espaço para o cansaço.
Dizemos "não grites!" a gritar; "espera a tua vez" enquanto interrompemos; queremos respeito mas nem sempre respeitamos; esquecemos que somos o modelo, mesmo quando não queremos; apontamos o dedo, mas raramente olhamos para nós em primeiro lugar.
Esperamos autonomia e confiança mas passamos a vida a não dar espaço, a dizer "não consegues", "eu faço, é mais rápido". Não há tempo para vestir ou comer sozinho, chamar o elevador ou terminar o raciocínio. Não damos tempo para falar, fazer, experimentar, praticar, mas depois esperamos independência, resiliência e segurança.
Corrigimos tanto, que nos esquecemos de relacionar, de lembrar que todos os comportamento são comunicação e que se não estivermos verdadeiramente disponíveis, essa comunicação, pura e simplesmente, não acontece.
Quando estamos mais preocupados em corrigir do que perceber, esquecemos a base: a relação. E sem relação, não há escuta, não há segurança ou espaço para crescer.
✨ Neste Dia da Criança, lembramos que:
Todas as crianças têm direito a serem crianças (não mini adultos).
Têm direito a uma infância onde possam brincar, explorar, questionar, errar, onde possam ter tempo, espaço e voz.
Todas têm direito a ser respeitadas, a errar sem medo, a aprender no seu tempo e a permitir-se sentir, sem lugar para punição.
Todas têm direito a crescer sem violência, física ou emocional.
Todas têm direito a ser ouvidas, a ser vistas, à liberdade, à presença, ao cuidado, à segurança, aos limites e à consistência.
A infância não é sobre correção.
É sobre relação.
É sobre direitos.
É sobre a infância.
E é também sobre nós, adultos.
Sobre a criança que fomos e sobre o que fazemos com o lugar que agora ocupamos.
É sobre a infância que permitimos existir.
Porque a infância não se repete.