A Associação Portuguesa de Deficientes ocupa hoje uma posição destacada no seio das associações de pessoas com deficiência em Portugal, designadamente pela atitude desassombrada e intransigente como assume uma posição reivindicativa e proponente na política de reabilitação, na defesa e ampliação do leque de direitos dos cidadãos com deficiência, junto das instâncias políticas, sociais e culturais
em Portugal. A Associação surgiu por iniciativa de um grupo de pessoas com deficiência, dotadas de consciência política e social, após ter sido apresentada na, então Assembleia Nacional, uma lei reguladora da reabilitação e integração social das pessoas com deficiência, que veio a suscitar um amplo debate sobre a matéria. Foi precisamente desse debate que saiu o grupo fundador. Fundada em Abril de 1972, a Associação Portuguesa de Deficientes assumiu desde logo uma feição que a colocou noutro plano e a distinguiu das restantes associações de pessoas com deficiência existentes na época. A filosofia da APD divergia da postura habitual, de recorte assistencial/caritativo promotora de marginalização, assumindo um carácter reivindicativo e uma voz proponente e activa. A Associação Portuguesa de Deficientes é uma organização de direitos humanos, cujo objectivo fundamental é a promoção e defesa dos interesses gerais, individuais e colectivos das pessoas com deficiência em Portugal, de forma a garantir a igualdade de participação em todas as áreas da sociedade. A APD tem carácter universal e pretende agregar todas as pessoas com deficiência, independentemente das deficiências, causas e origens. Tem implantação nacional, através das suas estruturas regionais. A APD Paredes é uma Delegação Local, fundada no dia 22 de Dezembro de 1992, por cidadãos com deficiência pertencentes à região Vale do Sousa. Ao longo do tempo vai surgindo a necessidade de ir mais além, chegar perto dos que ainda não tiveram a oportunidade de saber que existe uma entidade que luta pelos seus direitos, a qual poderá ajudar na satisfação de algumas das necessidades destas pessoas com deficiência. Assim, vão surgindo as delegações distritais e locais, na tentativa de alargar os seus serviços a nível nacional. A APD Paredes ao longo da sua existência tem vindo adquirir um lugar de destaque na região, devido ao seu empenho e luta pelos direitos humanos das pessoas com deficiência. Hoje, apresenta um nível superior de qualidade nas suas actividades sejam elas institucionais, culturais ou desportivas. A tendência será cada vez mais permitir às pessoas com deficiência da região Vale do Sousa uma integração social plena e ajudar a que estas tenham uma vida autónoma. A Vida Autónoma significa no essencial o direito das pessoas com deficiência a decidirem sobre as suas próprias vidas. Mas para que todas as pessoas sejam livres de optar, por exemplo, entre viver nas suas próprias casas ou viver em instituições, há um conjunto de condições que têm de ser asseguradas e que incluem educação, emprego, habitação acessível, transportes acessíveis, meio ambiente livre de barreiras, em suma, uma sociedade pensada e construída para todos. Mas, o conceito de Vida Autónoma vai mais longe. Significa também as pessoas com deficiência dirigirem e controlarem serviços que integrem a assistência pessoal, técnica e informativa, formação sobre a igualdade da deficiência, apoio psicológico e aconselhamento. Nesta perspectiva foram criados Centros de Vida Autónoma, o primeiro dos quais surgiu em Berkeley, nos Estados Unidos. Em meados dos anos 80 havia mais de 100 CVAs nos Estados Unidos. Em breve, as pessoas com deficiência na Europa se aperceberam da importância deste movimento, tendo começado a estabelecer os seus próprios programas de vida autónoma. A Vida Autónoma foi a catalisador do Movimento de Pessoas com Deficiência na luta pelos direitos humanos e civis. Tem contribuído para dotar as pessoas com deficiência com as ferramentas necessárias para controlar e dirigir as suas vidas e exigir o cumprimento dos instrumentos de direitos humanos, nacionais e internacionais. A Vida Autónoma assegura a opção com a finalidade da participação em condições de igualdade na sociedade, e a oportunidade de as pessoas com deficiência tomarem decisões autónomas e activas acerca da sua forma de vida. "O fundamento para apoiar a vida independente, autónoma e autodeterminada das pessoas com deficiência necessita de um tratamento repensado com utilização diferente de recursos: para contrariar os fins médicos e de caridade de intervenção do estado e das municipalidades é preciso desenvolver acções dirigidas à pessoa e apoiar projectos para a vida autónoma. Para as pessoas com deficiência física ou sensorial ou com dificuldades de aprendizagem ou com deficiência mental recusamos a institucionalização, que viola os direitos civis. Alcançar o nível ideal da vida autónoma nos mesmos locais, com os mesmos recursos e com os mesmos padrões significa uma melhor qualidade de vida"
Giampiero Griffo, Presidente da DPI-Europa.